Technical Difficulties: Richie Kotzen

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Por Sylvia Helena D`Antonio
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Vivemos hoje numa era tecnológica, onde o mercado tem muitas coisas a oferecer, muitos efeitos, muitos pedais, amplificadores variados, enfim todo tipo de parafernália para você conseguir tirar “o som perfeito” da sua guitarra. Gastamos tempo, energia e dinheiro pesquisando captadores dos mais raros e incríveis, pesquisamos madeiras, tentamos fazer misturas e claro, poucos terminam sua busca satisfeitos.

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Nós, os reles mortais, acreditamos que os “gringos” e/ou os músicos mais abastados têm de tudo, e usam de tudo para ter aquele timbre que nos causa tanta comoção. É bem verdade que alguns realmente usam de tudo, e têm um som altamente processado. Mas o que esquecemos, na maior parte das vezes, é de procurar aquilo que realmente faz o guitarrista – a pegada!

Pra quem esquece isso de vez em quando, Richie Kotzen veio pra mostrar com quanto equipamento e quanta pegada se tira um timbre de fazer chorar qualquer guitarrista, mesmo dos mais modernos.

Ao fim da maratona de shows na América do Sul, encontramos um tempo para conversar com o guitarrista sobre seus equipos e algumas coisinhas mais.

TD – O que você usou pra gravar o "Go Faster" (em alguns países chamado "The Return to Mother Heads Family Reunion")?


De guitarra usei minha Fender Stratocaster branca (N.E.: que está mais para bege), e minha Fender Telecaster Signature. Também usei uma Fender Telecaster ano 72 para algumas bases.

A minha Strato branca está com os captadores da Fender, Texas Special. Na minha Tele signature, eu uso os captadores da Di Marzio, o Twaing King.

Todas com encordoamento D’addario 0.11.

De amplificador, eu usei o amplificador da Cornford RK-100 – Cornford é uma companhia inglesa – o RK-100 é um amplificador que elaboramos juntos e então fizemos um signature. Também usei um combo da Cornrford de 1x12” chamado Hurricane, que eu acredito que tenha uns 20W ou algo assim. Eu o usei bastante neste ultimo álbum. Eu meio que misturei os dois amplis.

De efeitos, eu usei o Wha-wha e o Rotovibe da Jim Dunlop e usei um talk box. No Pro Tools, eu usei vários delays e flangers, na maior parte plug-ins de Pro Tools mesmo.

TD – O que você costuma usar ao vivo? Com tantos projetos e diferentes bandas, seu set-up mudou muito?

Pra essa tour na América do Sul eu trouxe apenas minha Strato signature. Na verdade ela tem o braço da minha signature, mas o corpo é do custom shop da Fender. Originalmente era uma guitarra custom shop da Fender, mas o braço original quebrou e eu substitui o braço pelo meu. Eu trouxe somente uma guitarra para toda a tour. (N.E.: se a corda arrebentar no meio do show, ele pára e o roadie troca a corda).


Eu não podia trazer meu amplificador e gabinete da Cornford, então teria de usar amplificadores e gabinetes alugados. Como eu não conheço o que vou usar, eu trouxe comigo um pedal de overdrive, de uma empresa japonesa chamada Sobbatt, que faz pedais feitos à mão. (N.E.: é o modelo Drive breaker DB-3) Eu gosto muito dessa empresa. Eles sempre me mandam materiais para experimentar. Mas quando eu uso meu set Cornford eu não preciso de mais nada.

(N.E.: Aqui no Brasil, ele pediu cabeçotes Marshall JCM 900 série 2100. Devido à dificuldade de encontrar este modelo, ele tocou em todos os shows com um Marshall JCM 800)

Eu praticamente nunca mudei meu set. Eu nunca fui um cara de muitos pedais. Atualmente não uso nenhum efeito ao vivo. Antes do meu Cornford eu usava o Marshall JCM 900 serie 2100, que é a serie sem reverb. Tem um som muito melhor que a 4100! (que é a mais comum de ser encontrada).

No Poison, eu tinha um sistema próprio que eu usava dois amplificadores. Meu set principal era o Marshall JCM 900 serie 2100 e usava também um Plexi de 50W. Eu usava um mais para solos e outro mais para bases. Eu tinha 2 gabinetes onde eu usava delay, e os outros 2 gabinetes eram crus. Eu tinha 4 gabinetes em uso, era um belo laboratório para brincar com set-ups. Eu tinha um roadie só pra mim, que operava as mudanças de ampli, como um controle remoto. Se eu estivesse no palco, e fosse fazer um solo ele mudaria para o ampli de solo no canal certo. Era muito legal! Mas minhas tours foram ficando menores. Na ultima tour, abrindo pro Rolling Stones eu usei apenas um amplificador, o meu Cornford. Eu tinha dois stacks, mas praticamente usei as duas caixas em apenas um cabeçote.

Eu gosto de manter meu set o mais simples possível. Eu não quero ter que me preocupar com coisas que possam dar errado. Eu sinto que quanto menos coisas eu tiver, menor a probabilidade de algo quebrar. Agora, se eu estivesse numa tour realmente grande, longa, e pudesse ter todos meus amplificadores e minhas coisas comigo, eu pensaria em usar mais pedais (um “pedal board”). Mas minhas turnês normalmente são curtas, corridas, em países distantes e normalmente eu uso equipamentos que não são meus, então eu meio que simplifico toda minha existência em um pedal ou dois.

TD – Porque você mudou de Ibanez pra Fender? E quais as especificações da sua Signature? (Não conseguimos encontrar no site da Fender)

Eu comecei tocando com uma Yamaha quando fiz meu primeiro álbum. Na época a Ibanez me fez uma proposta para ser endorser. Eu aceitei e usei por um ano e meio. Um dia eu decidi que queria ser endorser da Fender. Então eu comprei uma Strato e uma Tele, e as usei no meu terceiro álbum. Toco de Fender desde 1990, e tenho minha signature desde 1995. Eu gosto muito do som de Telecaster. Realmente me agrada. No álbum do Poison ("Native tongue") eu usei muito a tele, ela é uma guitarra muito versátil.

Você não encontrou no site da Fender, porque minha guitarra não é vendida nos EUA. Apenas no Japão e na Europa. Você tem que ir no site da Fender Japonesa pra encontrar.

A minha Strato signature tem corpo e braço de maple, o tampo de flamed maple, acabamento branco translúcido perolado. Trastes jumbo, marcação em abalone, hardware dourado.

A minha Tele signature tem corpo e braço de maple, trastes jumbos, corpo com “confort cut” (como nas Stratos). Não tem tom, o knob de tom na verdade é uma chave para ligar os captadores em série ou paralelo quando a chave estiver na posição do meio. Marcação em abalone, hardware dourado e captadores Twaing King, da DiMarzio.

TD – Como é seu processo de composição? Você tem muitos projetos variados. Você compõe para determinado projeto, ou você faz o projeto de acordo com suas composições?

Depende do meu humor (risos). Os meus álbuns solo são mais rock n’ roll, porque é o que eu realmente gosto, rock bem clássico. É onde eu me sinto em casa. Eu andei por outros estilos para ver o que acontecia. No entanto, quando eu faço algo totalmente meu, saem coisas como o novo álbum, "Go Faster" e o "Mother Heads Family Reunion". Realmente funcionam e são como eu me sinto confortável. É algo natural meu. Quando eu fiz o "Inner Galactic Fusion Experience", eu sabia que ia fazer um álbum de fusion, então eu trouxe à tona esse tipo de música, e naquela época minha mente estava focada em fusion, jazz. Eu tive que me transformar mentalmente para fazer aquilo. No momento eu não penso em escrever esse tipo de música.

TD – Tanto o Poison quanto o Mr.Big tiveram uma grande mudança sonora quando você entrou. Isso não é comum em bandas estabelecidas, e bem sucedidas. Porque você acha que isso aconteceu?

Eu acho que foi porque eu fui chamado para escrever com eles, em ambas as bandas. Automaticamente meu estilo ficou visível. Neste tipo de rock, de guitarra, baixo e bateria, se você mudar baterista ou o baixista eu acredito que o som da banda não mude tanto, mas quando se muda o guitarrista e se o estilo dele for muito diferente de seu antecessor, todo o som da banda muda. E eu acredito que eu sou bem diferente do C. C. DeVille, e igualmente diferente do Paul Gilbert. Provavelmente foi isso que fez a diferença.

Eu não era um contratado. Eu era um membro da banda, como qualquer outro membro. Eu cheguei, eles viram minhas músicas, escrevi com eles, e tudo mais. Se não fosse assim, eu provavelmente não teria entrado nessas bandas. Eu não quero ser o cara que simplesmente repete um solo estúpido. E quero fazer algo criativo. E em ambas as bandas funcionou muito bem.

TD – Considerando que seu estilo é totalmente diferente do Paul Gilbert, qual foi sua maior dificuldade em substituí-lo? Se é que você encontrou alguma...

Acho que foi aprender as músicas antigas. O estilo dele é muito diferente do meu, e eu não tinha assimilado ainda como tocar aqueles licks rápidos dentro do meu jeito de tocar.

As músicas com longos trechos de tapping, por exemplo. Eu já usei muito tapping, mas eu meio que parei de fazer. Então eu pensava, “como eu posso tocar sem ter que fazer isso?”. Isso meio que matou minha forma de tocar em algumas músicas. Mas fazer isso foi divertido. Tapping não é mais parte do meu estilo de tocar. Faço uma vez na vida e outra na morte.

TD – Uma pergunta pertinente, já que estávamos falando de músico contratado: Você tocaria com boy bands, cantores pop, essas coisas que vemos no cenário americano?

Já ouvi falar das audições para esse tipo de coisa, e acho que eu trabalharia com alguém que eu gostasse e definitivamente teria de ser com alguém que fizesse sentido pra mim. Bem, mas tem o outro lado. Se for pagar bem o suficiente... é um trabalho. A parte ruim é não estar fazendo nada criativo. Mas se você está sendo bem pago, pode ser que valha a pena, afinal ainda está trabalhando com música. É uma das opções do músico. Faça a escolha.

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Sobre Sylvia Helena D`Antonio

24 anos, carioca. Sylvia é luthier no Rio de Janeiro. Estudou luthieria na B&H Guitar Craft School, em São Paulo. Fez faculdade de Produção Fonográfica, e além de ter sua oficina no rio, atua também fazendo produção executiva e técnica de shows, roadie, guitartech, e stage manager free-lancer. Show é sua vida! Escuta rock desde 12 anos, e é uma “viúva” chorosa dos tempos áureos do Metallica. Curte desde Hard Rock até um bom Thrash Metal, com preferência para o Heavy Tradicional e Prog Metal. Bandas preferidas: Metallica, Megadeth, Dream Theater, Mr. Big, Angra, Dio... entre muitas outras.

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