Technical Difficulties: Novos guitarristas na Expomusic - Parte 2

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Por Sylvia Helena D`Antonio
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Felipe Melanio, foi o segundo mais novo da promoção “NIG realiza seu sonho”. Com 17 anos, ele compôs “Invisible Poison” e entrou entre os 10 escolhidos. Sua composição muito técnica, pesada, com compasso e andamento alternados, foi executada nos workshops com muita tranqüilidade e fluência. Demonstrou uma grande desenvoltura para velocidade. Na feira pudemos assisti-lo abrindo o workshop e depois fazendo uma jam session com Juninho Afram, Segue abaixo nossa conversa com ele, sobre sua composição, rotina de estudo, e planos.

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Technical Difficulties - Como foi a idéia de se inscrever no concurso da Nig?

Felipe Melanio - Eu sempre compro revistas como “Cover Guitarra”, “Guitar Player” etc, e eu vi nessas revistas o anúncio da NIG, quando eu vi, pensei em mandar, mas fiquei meio desmotivado, porque é um concurso a nível nacional, fiquei meio nervoso, mas resolvi mandar e ver no que iria dar. O resultado demorou muito a sair, até que chegou o resultado em casa e fiquei muito feliz por ter passado nesse concurso... foi muito bom pra mim, e esta sendo bom até agora.

Technical Difficulties - Como foi o processo de composição?

Felipe Melanio - Eu tinha uma base, de uma música da minha banda “Endeavor” e desenvolvi um solo em cima dessa música. Como eu já tinha a harmonia, estudei bastante a harmonia e comecei a desenvolver os solos em cima dela.

Technical Difficulties - Onde e como você gravou?

Felipe Melanio - A primeira gravação eu fiz em casa mesmo. Como eu disse, eu já tinha a harmonia gravada. Gravei em casa mesmo os solos, dei uma mixada e mandei. Ficou muito caseiro. Realmente a música não ficou com uma boa mixagem. Ficou um pouco grave, ficou meio embolada a gravação, totalmente caseira. Não era uma coisa de estúdio. Tanto é que o Sydnei quando me ligou, pra me dizer o resultado, ele falou: “bicho agente escolheu pelo seu playing mesmo, porque a sua gravação foi a pior que mandaram.” (risos)

Technical Difficulties - Como tem sido o apoio da família?

Felipe Melanio - Tem sido total o apoio da minha família. Como eu disse, eu fiquei meio desanimado de mandar a música pro concurso, devido a ser muito amplo, mas quando cheguei em casa falando que ia mandar, meus pais me deram total apoio. Desde que resolvi tocar eu sempre tive o apoio da minha família. E é muito bom porque não tem aquela repressão de não poder fazer isso ou aquilo. Eles sempre dão força. Quando eu resolvo fazer algo eles dizem no máximo “não sei se isso é legal, mas se você quer fazer, tudo bem”. Então é muito bom ser apoiado assim. É essencial pra se seguir uma boa carreira.

Technical Difficulties - Como você começou?

Felipe Melanio - Eu sempre estive no meio de músicos, e o meu primeiro e essencial incentivador e despertador do meu interesse pela guitarra, foi meu tio, Kiko (Roupa Nova). Eu comecei a tocar com 11 anos. Mas foi aquela coisa de pegar o violão e ficar fazendo barulho. Eu entrei numa aula de violão, num clube perto da minha casa, no Mello Tênis Clube e aprendi os primeiros acordes, mas logo fui para a guitarra que era o instrumento que eu queria fazer mesmo. Fiz aula um professor de guitarra na vizinhança, o Marcio Souza, e ganhei minha primeira guitarra do meu tio. Tive aula com o Márcio durante 6 meses mais o menos, e depois passei a ter aula com Tony Cantisano, um grande amigo, e guitarrista da banda do meu primo na época. Tive aula com o Tony por mais ou menos 1 ano e meio, e depois por indicação do Tio Kiko eu passei a ter aulas com o Alex Martinho.


Technical Difficulties - Como é sua rotina de estudo?

Felipe Melanio - Eu costumo estudar umas 5 ou 6 horas por dia. É claro que isso não é tão rigoroso. Tem dia que eu não consigo e paciência, eu deixo pro próximo dia. Mas todo o dia eu faço questão de pegar a guitarra, algumas horas. Aquela história de largar a guitarra um dia é como se fosse tivesse passado uma semana é verdade.
Então eu procuro fazer divisão de umas 2 horas de harmonia, outras 2 horas de técnica e outras horas até de composição mesmo. Eu gosto de compor porque eu acho essencial pra você conseguir alguma coisa no mercado. Composição é fundamental. Mas é isso, eu vou estudando harmonia e técnica sempre juntas. Pra não ficar muito técnico e não saber nada de harmonia, ou ao contrário.

Technical Difficulties - Como pude notar, você é bem rapidinho. O que você procura na hora de improvisar?

Felipe Melanio - Nos meus improvisos, eu procuro primeiro entrar com a pentatônica, que é a escala que eu acho que tem as melhores notas pra se entrar com uma pegada boa, um bend bom, um vibrato legal e tal. Depois eu penso em arpejos e em escalas dos modos gregos. Dependendo da harmonia eu penso em usar o modo que cai melhor, e os arpejos, eu vou nas tônicas e nas quintas, que funciona bastante, e procuro harmonizar a nota melhor. Por exemplo, se um acorde tem 7M, eu procuro usar sempre a escala ou o arpejo que encaixe melhor essa 7M, para ficar cada vez mais dentro. Caso eu queira fazer uma coisa mais legal eu faço um outside que dá uma intenção muito legal. Mesmo na velocidade não é só pegar e começar a descer um monte de nota que vai ficar tudo embolado fora do tom. Então não é bem assim.

Technical Difficulties - Como na sua composição você conciliou a técnica com a musicalidade? Não ficou muito técnica, mas não foi uma aula de feeling. (risos)

Felipe Melanio - Eu gosto muito de velocidade, acho que faz parte, pra mim é muito legal e até essencial. Mas uma música só com velocidade passa a ser chata. Passa a ser uma musica que fica repetitiva. Fica meio chato. Depois de assistir 2 minutos de música, você já fica com vontade de parar e tal. Eu procuro sempre misturar essas coisas, deixar a parte rápida para uma hora que a musica vai crescendo, fazer aquela velocidade e depois voltar pra parte lenta, com mais melodia, pra ficar uma coisa mais balanceada. Senão fica muito chato fica máquina demais. Mas a velocidade e a técnica pra mim é essencial.

Technical Difficulties - Você faz exercícios de aquecimento?

Felipe Melanio - Eu não tenho muito exercício típico pra aquecimento, eu costumo aquecer com as mesmas escalas que eu vou tocar, e ás vezes até com os solos que eu vou tocar. Eu os utilizo, porque sempre tem uma parte mais técnica nos solos então pra aquecer é útil. Inclusive é bom porque na hora você está até mais relaxado pra fazer o solo que você acabou de treinar.


Technical Difficulties - Quais são suas influencias básicas?

Felipe Melanio - Minha maior influência é meu tio, sem dúvida [N. Kiko, guitarrista do Roupa Nova] mas eu escuto muitos guitarristas com trabalho solo: Steve Vai, Kiko Loureiro agora com o trabalho solo, Steve Morse, John Petrucci, me influenciam bastante. Também, Van Halen sem dúvida, Yngwie Malmsteem, apesar de ele ser meio exagerado às vezes, mas eu gosto, Zack Wild, Paul Gilbert. Aqui no Brasil, claro, Juninho Afram, Edu Ardanuy, Alex Martinho, Mozart Mello, esses caras, não tem o que falar.

Technical Difficulties - O que você já fez na sua carreira e o que você pretende fazer?

Felipe Melanio - Eu já toquei muito em bar no Rio de Janeiro. Aquela coisa da noite, de tentar ganhar algum trocadinho tocando na Lagoa [N. Lagoa Rodrigo de Freitas, local do Rio de Janeiro que tem muitos quiosques com música ao vivo], tocando em vários lugares. Agora, eu to gravando um CD profissional mesmo, com a banda que eu faço parte, “Endeavor”, num estúdio do Rio, no Grajaú, no Armazém Musical. A “Endeavor” é no gênero Prog Metal, mas tentando não cair naquela coisa maçante que o prog sempre cai.
Eu pretendo ter uma carreira de músico de banda, com vocal e tal. É Claro que conseguir conciliar isso com uma carreira solo, instrumental, como muitos guitarristas conseguem, é excelente. Mas preferir mesmo, prefiro a banda que eu acho que é o que tem uma projeção maior, pelo menos aqui no Brasil.

Technical Difficulties - E em que você acha que essa promoção da NIG vai adiantar ou já adiantou na sua carreira?

Felipe Melanio - A primeira coisa que ela fez na minha vida é de tocar ao lado dos caras que eu sempre admirei muito, como o Juninho, o Sidney o Alex, todos os endorsers da nig foram muito bons, muito amigos, companheiros. Também a feira Expomusic, onde acontece esses workshops, é uma vitrine muito boa. Tem gente do Brasil inteiro aqui pra assistir os workshops. Abrir o workshop desses caras, que já tem o nome no mundo da musica, é bom porque todo mundo vê meu trabalho, vê o que eu estou fazendo e passa a me conhecer. E é o mais importante, conhecer o meu trabalho independente de gostar ou não.

Technical Difficulties - Você como o 2° mais novo do concurso, o que diria para a garotada que está tocando, começando, ou mesmo se aprimorando?

Felipe Melanio - Eu diria, aquele velho papo de perseverança, de não desistir e estudar, meter a cara mesmo, pegar a guitarra todos os dias, e escutar muita coisa boa. Outra coisa também que é muito bom, é tocar com bons músicos. Eu, graças a Deus, toco com ótimos músicos, o baixista da minha banda, Viny Melanio, o Heitor Lima, o batera que ta gravando o nosso CD também é um excepcional baterista. Todos que estão ao meu redor me ajudam muito a me desenvolver, e é claro que o estudo, aquela coisa da rotina de estudo, de ter a guitarra do lado, estudar, fazer aula, ou então se não tiver condições, ser auto-didata, mas ter um objetivo, seguir com um objetivo, não simplesmente tocar por tocar, mas tem um objetivo na música, que vale a pena. Vale muito a pena quando você sobe no palco e mostra o que você sabe.

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Sobre Sylvia Helena D`Antonio

24 anos, carioca. Sylvia é luthier no Rio de Janeiro. Estudou luthieria na B&H Guitar Craft School, em São Paulo. Fez faculdade de Produção Fonográfica, e além de ter sua oficina no rio, atua também fazendo produção executiva e técnica de shows, roadie, guitartech, e stage manager free-lancer. Show é sua vida! Escuta rock desde 12 anos, e é uma “viúva” chorosa dos tempos áureos do Metallica. Curte desde Hard Rock até um bom Thrash Metal, com preferência para o Heavy Tradicional e Prog Metal. Bandas preferidas: Metallica, Megadeth, Dream Theater, Mr. Big, Angra, Dio... entre muitas outras.

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