Technical Difficulties: Soundcheck Blind Guardian

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Por Sylvia Helena D`Antonio
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O Blind Guardian vem fazendo álbuns detalhados, cheios de orquestras, coros, sonoridades diferentes, ambientações, texturas. Entretanto, ao vivo, mostram uma banda pronta pra fazer um ótimo show de Heavy Metal e seu equipamento reflete bem isto.

Confesso que esperava muitos e muitos racks de efeitos, pelo menos dois teclados cheios de samplers, baterista com laptop liberando clicks e samplers, coros e tudo mais, mas minhas expectativas foram completamente frustradas.

Primeiro vamos à crew. Uma crew muito simpática, solícita e bem humorada nos deu todas as explicações necessárias, e muitas outras que não eram necessárias, mas foram úteis para entendimento geral, e para minha diversão. A crew era composta por Ralph, que cuida de Marcus (G) e Oliver (B); Peter, que cuida de André (G), Michael (K) e Hansi (V); Oliver, conhecido como Oli, o drumtech de Frederick (D); o técnico de P.A. com toda a experiência dos anos e anos de estrada, Ulrich Thiesen ou Uli; o Técnico de Monitor Achim Zell e o técnico de iluminação Andréas, conhecido como Andy. Havia também um técnico de produção ajudando o Blind no Brasil, o Rodrigo Fantoni.

Pra começar, achei interessantíssima a passagem de som, tendo sido ela definitivamente a mais silenciosa que já vi! Todos (inclusive roadies, e técnicos) têm seus in-ears onde a comunicação é feita com tranqüilidade, e por conta desse artifício liberam o som para o P.A. apenas na hora de realmente tocar algo. Toda a “negociação” de monitoração é feita pelos in-ears. Quando a música acaba é possível se ouvir até uma mosca, sem contar que todos falam baixinho no microfone, com uma tranqüilidade incrível.

Após a passagem de som, pacientemente, cada roadie mostrou e explicou o equipamento. Vamos lá:

Marcus Siepen trouxe consigo duas guitarras Gibson Les Paul Custom (FOTO 1). Ambas com captadores EMG 81 na ponte e no braço, encordoamento D’addario 0.10, afinadas em Eb, e ele as usa aleatoriamente. Normalmente ele carrega um violão Ovation, no entanto, ele não o trouxe e foi alugado um Sigma by Martin, com encordoamento Elixir 0.11 afinado em Eb e ligado em linha.

Seu sinal segue o seguinte percurso: da guitarra para um transmissor Sennheiser, que entra direto num Mesa Boogie triple rectifier (FOTO 2). Do Send do amplificador vai para um Intelifex da Rocktron que volta no return. Na saída do footswitch o sinal vai para um conversor midi (de uma marca alemã que eu não consegui copiar o nome, e muito mal pude pronunciá-la, para diversão alheia), no qual também entra a saída de foot do intelifex, e segue para um footswitch rocktron. Desse modo, Marcus controla suas programações no Intelifex, e os canais do amplificador (FOTO 3). Ele usou uma caixa Marshall 1960 4x12”. A caixa era virada para o escape lateral do palco, pois Marcus não gosta de nenhum vazamento de som nos seus in-ears. Sua caixa é microfonada com microfones Sennheiser Evolution 906 (e-906) nos dois falantes de cima. Vale ressaltar que Marcus só usa 2 canais do Mesa Boogie: ‘Clean’ e ‘Distortion’, utilizando o Intelifex apenas no ‘clean’.

Marcus tinha mais um Triple Rectifier e um Marshall 1960 4x12” de reserva. Se tudo desse errado: os dois Mesa Boogies não funcionarem, as duas caixas estourarem, ainda tem um set com um TS-10 e um Rectifier Recording Preamp, da Mesa Boogie, direto em linha para o show não parar! Muito prevenido!

Oliver Howzart usa, aleatóriamente, dois baixos Sandberg (uma marca alemã), modelo California, 5 cordas, afinados em Eb (FOTO 4). Seu set é o mais simples de todos. Seu baixo segue para um afinador, depois para um compressor, e por fim para o D.I e ponto. Rápido, prático e eficiente!

Michael Schuren é outro adepto da simplicidade. Aqui ele utilizou um Yamaha Motif 6, alugado, que traz consigo um memory card com as programações. Todos os sons utilizados no show são do próprio Motif. Michael é um músico muito versátil, e segundo Peter (seu roadie) toca em muitas bandas na Alemanha. Por isso Michel se utiliza de muitas anotações, partituras das músicas, e notas sobre programação, efeitos, partes da música e etc (FOTO 5). Toca muito atento às suas anotações. Interessante notar que o Blind Guardian, embora tenha muitos corais em suas músicas, não se utiliza de playbacks nem samplers. Todos os coros são feitos “no gogó”, ao vivo!

Andre Olbrich é um pouco mais meticuloso com sua sonoridade. Ele usa uma guitarra ESP Custom, vermelha translúcida, com captadores EMG 81, ponte Floyd Rose Original e tarraxas Schaller (FOTO 8). Esta guitarra é utilizada por ele há sete ou oito anos. Também trouxe uma guitarra reserva, mas é tão reserva, que nem pude ver, pois estava em algum lugar que o roadie ainda teria de procurar. Segundo Peter, Andre só usou a guitarra reserva duas ou três vezes em todos esses anos, pois ele tem o cuidado de não arrebentar cordas (mesmo porque Peter as troca após cada show). Ele usa encordoamento D’addario 0.10, afinação Eb.

Bem, saindo da guitarra por um sistema wireless da Sennheiser, o sinal vai para o “in” de um Noise Supressor da Boss (NS-2). Do “send” do NS-2, segue para um Wah-Wah 535Q da Jim Dunlop, seguindo para um Tube Screamer (TS-10) voltando no “Return” do NS-2. O sinal sai do NS-2 e segue para o Marshall JCM-2000 (FOTO 6). André usa um POD XT Pro, apenas para efeitos de som limpo (FOTO 7). O Pod é conectado apenas ao canal limpo do Amp da seguinte maneira: Peter fez uma ligação interna do footswitch do Marshall, seguindo para um conversor midi, e a saída de foot do POD também seguindo para o conversor midi. Do conversor segue para um pedal midi.André não usa uma grande variedade de efeitos (foto). Crunch, Lead, e dois cleans com efeitos.

Como podemos ver na foto 10, onde mostra o footswitch, se tudo der errado – pois o guitarrista também tinha uma caixa Marshall JCM 2000 e uma caixa Marshall 4x12” 1960 reserva – foi feita uma programação no POD que é ativada imediatamente quando ele pisa naquele “spare” no canto direito.

André gosta muito do som bem forte, agudo e cru em seus in-ears, mas o resto da banda nem tanto, por isso, seus dois falantes de cima são microfonados, também com microfones Sennheiser Evolution 906 (e-906). Sendo assim, um microfone vai para seu in-ear, com bastante agudos, bem alto, e o outro microfone é para o resto da banda. Ambos canais vão para o PA, onde o técnico os mixa.

Foi utilizado também um violão Takamine DF45C ligado em linha, com encordoamento 0.11 e afinação em Eb (FOTO 9).

Frederick, no show do Rio de Janeiro, usou uma bateria Tama branca perolada (FOTO 11). Ele é endorser da marca, mas esta não era a sua original, era alugada. As peças foram as seguintes:

Tambores: 2 Bumbos de 22”x18” ; Caixa 14”x6,5” ; Tons de 8”, 10” 12” e, 14” ; Surdos de 16” e 18”. As peles eram de marcas muito variadas.

Pratos: 2 Hi-hats: 1 par de 14” à esqueda e 1 par de 15” à direita ; Crashes de 16”, 18” e 2 de 19” ; Chinas de 16” e 18” ; 1 Ride de 22” e 1 Splash de 8”. Frederick é endorser da marca de pratos alemã Meinl, mas não os trouxe. Devido a isso os pratos eram alugados, e as marcas estavam misturadas.

Assim como os pratos, as ferragens eram alugadas e conseqüentemente também de marcas variadas. Normalmente ele usa ferragens Tama, e pedais de bumbo DW. Os pedais ele trouxe consigo.

Frederick usa um pequeno mixer em que entram o retorno e o metrônomo, que ele mesmo equaliza. De metrônomo ele usa simplesmente uma daquelas pequenas baterias eletrônicas da Zoom, um MRT-3B, e deixa ao lado um DB-88 da Boss, de reserva (FOTO 12).

O palco é muito limpo devido à falta de retornos e fios, e muito silencioso. Se desligassem o som do PA só se ouviria a bateria ao natural, e as guitarras saindo do falante. O show foi muito tranqüilo para os roadies, diria que até sonolento, de tão tranqüilo.

A nova casa de shows Vivo Rio tem uma excelente estrutura, muito organizada. O palco é amplo, com bastante área de escape, e ótimas dependências.

Marcus: Guitarra → Triple Rectifier → Send → Intelifex → Return TR → Out TR Footswitch + Intelifex Footswitch → Conversor Midi → Footswitch Rocktron

André: Guitarra → NS-2 → Send NS-2 → Wah-wah 535Q → TS-10 → Return NS-2 → Out NS-2 → JCM 2000 → Foot JCM 2000 + Foot POD → Conversor Midi → Foot Controler.

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Sobre Sylvia Helena D`Antonio

24 anos, carioca. Sylvia é luthier no Rio de Janeiro. Estudou luthieria na B&H Guitar Craft School, em São Paulo. Fez faculdade de Produção Fonográfica, e além de ter sua oficina no rio, atua também fazendo produção executiva e técnica de shows, roadie, guitartech, e stage manager free-lancer. Show é sua vida! Escuta rock desde 12 anos, e é uma “viúva” chorosa dos tempos áureos do Metallica. Curte desde Hard Rock até um bom Thrash Metal, com preferência para o Heavy Tradicional e Prog Metal. Bandas preferidas: Metallica, Megadeth, Dream Theater, Mr. Big, Angra, Dio... entre muitas outras.

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