O disco obscuro que Roger Waters acha que o mundo precisa ouvir; "Um álbum muito importante"
Por Bruce William
Postado em 27 de fevereiro de 2026
Roger Waters nunca foi o tipo de compositor que grava "qualquer coisa" só para cumprir tabela. Mesmo quando a música dele passa por ironia e provocação, quase sempre há a ideia de que existe um recado ali, e que o público deveria prestar atenção. Com "Amused to Death", ele tratou o álbum como uma obra grande, pensada para ser ouvida como um todo.
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O disco também tem um atrativo óbvio: a participação de Jeff Beck na guitarra. Waters enxergava isso como um argumento irrefutável para o álbum ser levado a sério, além de citar a produção e a equipe envolvida como parte do peso do projeto. A bronca dele é que, apesar disso, havia a sensação de que muita gente simplesmente ignorava o trabalho, inclusive no rádio, onde ele queria ver as músicas circulando mais.
Ele chega a citar singles como "What God Wants" e diz que, com um título desses, já era previsível que nem todo mundo fosse abrir espaço. Só que, para ele, isso não era desculpa. Waters enxergava aquilo como "injustiça" com o que ele considerava seu melhor trabalho fora do Pink Floyd.
"Se você pegasse 10 nomes das pessoas mais importantes da música popular do pós-guerra, eu sou um deles. Este é um álbum muito importante. E Jeff Beck está tocando guitarra. Ele é um tesouro nacional vivo. Aqui está um produtor de discos muito importante e um guitarrista muito importante, e esses babacas não tocam o disco."
Essa declaração, replicada na Far Out, explica bem o espírito do período: Waters convencido de que tinha feito algo grande, irritado com a recepção e incomodado por ver o "nome Pink Floyd" pesando mais do que o trabalho solo que ele estava colocando na mesa. E, como sempre com ele, a forma de dizer é quase tão chamativa quanto o conteúdo.
Um ponto importante é que "Amused to Death" não é um disco "jogado". Ele foi pensado como álbum, com tema e encadeamento, e tem uma sonoridade muito trabalhada, o que combina com a ideia de "obra importante" que Waters estava vendendo. Por isso, quando ele vê o material tratado como algo lateral, a reação vem com esse tom de indignação.
A queixa de Waters não tem a ver só com a coisa de "quero tocar no rádio"; é a velha mistura de vaidade, convicção artística e senso de missão. Ele queria que as pessoas ouvissem o disco do jeito que ele imaginava - como algo necessário - e não como mais um lançamento perdido no catálogo de um ex-integrante do Floyd.
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