Edguy: Livre do que os fãs esperam que o grupo faça

Resenha - Age Of The Joker - Edguy

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


A transformação do Edguy é uma das mais interessantes da história recente do heavy metal. De prodígios do power metal em álbuns como "Theater of Salvation" (1999) e "Mandrake" (2001), gradativamente a banda liderada pelo carismático vocalista Tobias Sammet foi mudando o seu som com a adição crescente de características do hard rock e do metal mais tradicional, transformação essa que dividiu os fãs. Toda essa história fica clara fazendo um exercício simples: ouça qualquer um dos primeiros discos do grupo e compare com "Age of the Joker", seu novo álbum. É difícil acreditar que estamos falando da mesma banda.
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"Age of the Joker" não é o álbum que os fãs estavam esperando, o que é uma boa notícia. Se fosse assim teríamos mais um disco de metal melódico, o que "Age of the Joker" está longe de ser. Pode-se classificar o som atual do Edguy como uma alquimia entre o hard rock e o metal, com forte presença de elementos do rock de arena dos anos oitenta e algumas pitadas de progressivo aqui e ali. Para efeitos de comparação, e apenas para isso, uma boa referência para entender o Edguy atual é o Kansas.

Produzido por Sascha Paeth, "Age of the Joker" é um disco bastante variado, com faixas um tanto quanto longas e que trazem um Edguy mais maduro. O alto astral da banda continua presente, mas agora divide espaço com faixas mais “sérias”, digamos assim, como a ótima “Pandora's Box”, repleta de mudanças de clima e passagens que ousam aproximar o country e o blues do heavy metal.

Quem curte o Edguy dos primeiros anos encontrará conforto nas ótimas “Breathe” e “The Arcane Guild” - esta última com direito até a um teclado Hammond e ótimos solos -, onde o quinteto demonstra na prática que ainda sabe fazer power metal empolgante. Contrastando com “Breathe”, “Two Out of Seven” talvez seja a canção mais hard do disco, com um refrão feito sob medida para ser cantado a plenos pulmões por estádios lotados.

O andamento mais cadenciado e as boas guitarras pesadas se destacam em “Face in the Darkness”. Já em “Fire on the Downline” o ponto forte é o clima épico que remete ao primeiro e excelente trabalho do Avantasia, o já clássico "The Metal Opera", de 2001.

Um aspecto que deve ser mencionado em "Age of the Joker" são os arranjos vocais. Eles tornam um dos pontos fortes do Edguy, os refrões, ainda mais marcantes. Além disso, coros estão presentes durante todo o álbum, o que faz com que as canções ganhem em dramaticidade. A voz de Tobias, com aquele timbre agudo meio rouco de sempre, nunca soou tão forte, evidenciando a maturidade alcançado pelo vocalista. Basta ouvir “Behind the Gates to Midnight World”, a faixa mais progressiva do trabalho, para perceber isso.

No geral um disco muito bom, "Age of the Joker" mostra que o Edguy tem personalidade de sobra para seguir o caminho que bem entende, totalmente livre do que os fãs esperam que o grupo faça. Conte nos dedos quantas bandas, principalmente dentro do heavy metal, tem coragem de fazer isso, e você perceberá o tamanho da conquista que Tobias Sammet e suas parceiros alcançaram. Que esse espírito se mantenha, e que ele siga acompanhado de boa música como acontece aqui.

Faixas:
Robin Hood
Nobody's Hero
Rock of Cashel
Pandora's Box
Breathe
Two Out of Seven
Faces in the Darkness
The Arcane Guild
Fire on teh Downline
Behind the Gates to Midnight World
Every Night Without You

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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