Edguy: "Age of The Joker" é mais do que um ótimo disco
Resenha - Age of The Joker - Edguy
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 21 de dezembro de 2011
Nota: 9 ![]()
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É, meu camarada, não se deixe enganar pelo arlequim de expressão alucinada que estampa a capa de "Age of The Joker", o novo disco de estúdio dos alemães do Edguy. A arte não é, nem de longe, uma pista de que eles estejam voltando a praticar aquela sonoridade power metal old school do disco "Mandrake" – não por acaso, também ilustrado por um sujeitinho assim trajado. "Age of The Joker" é, para alegria de alguns e desespero de outros tantos, mais um passo da banda liderada pelo vocalista e compositor Tobias Sammet rumo a um som característico dos últimos exemplares de sua discografia recente. Um tipo de som que, por sinal, está se tornando marca registrada do quinteto. Talvez eu esteja me tornando até repetitivo ao falar sobre eles. Mas eles, definitivamente, não estão se tornando repetitivos ao lançar um disco atrás do outro.

Assim como é possível farejar desde algumas das canções do aclamado "Hellfire Club", este é um Edguy ainda pesado e ainda heavy metal, mas cada vez mais interessado em flertar com o hard rock – e sempre com um sorriso adornando o rosto. Mesmo nas músicas mais sérias, sem espaço para piadinhas, a banda deixa transparecer traços de bom-humor e irreverência que cada vez mais fazem falta em um cenário de bangers enfezados e bufando ódio por entre os dentes trincados.
"Age of The Joker" é mais do que um ótimo disco, um disco divertido para se ouvir de cabo a rabo sem restrições, mas sim uma obra corajosa e audaciosa, cortesia de um músico que não faz qualquer questão de se curvar aos pedidos insistentes de uma trupe de xiitas que querem ouvir aquele metal melódico padrão que os edguys faziam lá no começo de suas carreiras.
Não que "Age of The Joker" não tenha espaço para este tipo de faixa, veja bem. Basta dar uma chance para "Breathe" ou "The Arcane Guild" e se deliciar com as guitarras cantantes na velocidade da luz, os bumbos duplos e tudo que se espera de um metalzão padrão. Mas é bom que se saiba: apesar de muito boas, estas duas músicas não representam de maneira nenhuma o disco de maneira conceitual. Na verdade, "Age of The Joker" faz mais sentido se for representado pelos refrões grudentos de "Faces in The Darkness" e "Two Out of Seven", duas daquelas passagens que são costuradas na medida certa para funcionarem nas apresentações ao vivo.
A trinca de abertura do disco também é emblemática – porque, depois de ouvir "Robin Hood" (segundo Sammet, a primeira elegia metálica ao príncipe dos ladrões), "Nobody’s Hero" e "Rock of Cashel", é muito difícil sair indiferente, sem ao menos cantarolar a melodia enquanto ensaia um air guitar. Mesmo a longa "Behind the Gates to Midnight World", com seus quase nove minutos, é menos épica e grandiosa e muito mais bonitinha. Pode parecer pouco, mas juro que não consigo encontrar outra expressão que não "bonitinha". Está mais para Aerosmith (aquele dos anos 70, leia-se) do que para Helloween. Para encerrar o disco, eis então que pinta a balada hard "Every Night Without You", que chega de peito aberto e coração rasgado para fazer qualquer Bon Jovi se encolher no canto em posição fetal, envergonhado. Uma baita música, cortesia de um baita compositor.
Voltando a falar de "Robin Hood", aliás, basta assistir ao videoclipe deste primeiro single de "Age of The Joker" para entender a quantas anda este Edguy de hoje – e para onde eles estão caminhando. Se esta não é a sua praia, e você quer sair por aí dizendo que o Edguy tornou-se uma banda de hard ‘n heavy, que seja. Eu não ligo. E tenho certeza que Tobias Sammet também não.
Line-Up:
Tobias Sammet - Vocais
Jens Ludwig - Guitarra
Dirk Sauer - Guitarra
Tobias Exxel - Baixo
Felix Bohnke - Bateria
Tracklist:
1. Robin Hood
2. Nobody's Hero
3. Rock of Cashel
4. Pandora's Box
5. Breathe
6. Two Out of Seven
7. Faces in the Darkness
8. The Arcane Guild
9. Fire on the Downline
10. Behind the Gates to Midnight World
11. Every Night Without You
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