Edguy: Power melódico e acelerado não é mais uma realidade
Resenha - Age of the Joker - Edguy
Por Júlio André Gutheil
Postado em 20 de outubro de 2011
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Sem muito alarde nem muita propaganda, Tobias Sammet e seu Edguy entraram em estúdio na Alemanha para gravarem seu nono álbum de inéditas. O Power Metal melódico e acelerado dos primeiros discos não é mais uma realidade da banda, e com o passar dos anos Tobias se mostrou corajoso e passou a desbravar novos horizontes musicais. O ápice dessa busca por novas sonoridades se consolidou definitivamente no último disco, "Tinnitus Sanctus" (2008), onde a veia hard rock ficou muito mais saliente, assim como uma forma diferente de lidar com o peso, se tornando algo mais denso e obscuro, talvez menos alegre e debochado do que nos acostumamamos a ouvir deles. Na minha opinião pessoal, achei "Tinnitus Sanctus" um grande disco, diversificado, ousado e mais uma prova de toda a versatilidade musical que Tobias Sammet dispõe. E nesse cenário vem à luz do mundo este "Age of the Joker".

Numa primeira audição pode soar como um álbum confuso e demasiado longo, e de fato foi o que ocorreu quando o ouvi pela primeira vez. Mas em seguidas audições a ideia concebida para ele vai ganhando forma, e a coesão e firmeza do álbum se tornam evidentes e marcantes. De certa forma imagino ele como se fosse uma bem dosada mistura entre os discos mais antigos com o trabalho recente, algo como jogar num liquidificador "Mandrake" (2001), "Hellfire Club" (2004) e "Tinnitus Sanctus" (2008).
Logo de cara tem uma faixa longa e épica, 'Robin Hood' e seus 8 minutos de duração. É o bom humor voltando com mais força nos temas da banda, vide o hilário clipe feito para ela. É uma música cheia de variações, de bons riffs e um daqueles refrões típicos e empolgantes que o Edguy sabe fazer com maestria. Tem elementos de Hard muito bem mesclados com Heavy, teclados marcantes e uma cadência agitada. Uma bela forma de começar os trabalhos.
Em seguida temos 'Nobody Hero', um bom exemplo de metal melódico contemporâneo, pesada, sem ser necessariamente na velocidade da luz e com um refrão inteligente e fácil de acompanhar. Os riffs são muito bem executados, num estilo bem alemão de se fazer metal. A interpretação de Tobias também é boa, mandando notas altas mas sem exagerar. Uma ótima faixa.
'Rock of Cashel' é outra bastante épica e grandiosa. Tem um certo quê medieval cativante, que liricamente remonta a fase antiga da banda. As guitarras soam muito bem nesta, num timbre interessante, e Tobias novamente não deixa a desejar. Ressaltar o refrão mais uma vez é descenessário, não?
Na onda de mesclar influências também podemos destacar com primazia 'Pandora's Box'. Temos aqui um bom bocado de country music e blues, que dão uma cara classuda para o som, com pegada e atitude. E isso misturado com o peso e a distorção do metal redundou numa sonoridade realmente única, com Tobias interpretando de uma forma até surpreedente, indo das notas altas do refrão até um vocal mais sujo e rouco nas partes lentas. Uma das melhores do disco com certeza!
Logo em seguida vem uma que deve agradar aos saudosistas: 'Breathe'. Uma faixa animada, cheia de energia, mais acelerada, com linhas de teclado simples mais muito bem colocadas e que, creio eu, seria muito bem recebida nos shows. Um exemplo de que o Edguy evoluiu sem perder a identidade.
'Two ou of Seven' é talvez a mais Hard Rock do disco. Tem linhas de teclando similares a da faixa anterior, porém é muito mais cadenciada, numa batida meio oitentista, de riffs marcantes e um solo inspirado. Aliás, nota muito positiva para a gravação das guitarras de Jens Ludwig e Dirk Sauer, que ao longo do disco todo soa sempre muito bem. E é outra que seria muito legal de ouvir num show, o refrão é perfeito para ser cantado com toda vontade por uma platéia. O mix de Hard com Heavy volta com tudo em 'Faces in the Darkness'. Cheia de peso, grandes riffs e o baixo muito bem colocado. Tem um ritmo forte, intenso e um quê venenoso bem Hard Rock. Outro destaque da bolacha.
Totalmente old school é a canção seguinte, 'The Arcane Guild'. Super acelerada, de riffs cortantes, com solos elaborados e a bateria de Felix Bohnke ensandecida. Uma ótima música, um resgate das raízes inteligente e agradável, que não parece batido ou auto-plágio. Vamos caminhando para o final do disco. Agora é a vez de 'Fire in the Downline', que começa baixinha e soturna, mas cresce, ganha forma, peso e corpo. Tem um bom refrão, bastante peso e uma energia intensa. Mais uma das ótimas composições deste disco.
'Behind the Gates to Midnight World' aposta mais numa veia progressiva, repleta de variações e quebras de ritmo, assim como seus riffs e linhas de teclado também são relativamente calcados numa proposta prog. O refrão é muito bom, assim como as pontes, e a letra como um todo é boa igualmente. É de fato longa, mas nem por isso cansativa. Outro ótimo exemplo da criatividade a nível industrial de Tobias Sammet como compositor.
E pra fecharcom chave de ouro vem a tradicional balada que tem em todo disco do Edguy. Baladas essas de muito respeito, digasse de passagem,e 'Every Night Without You' não foge a regra. Daquelas músicas tocantes, repletas de feeling, com um solo digníssimo e um coral no refrão que fala ela ficar bem grandiosa. Uma música linda que fecha o álbum maravilhosamente bem.
Por fim, "Age of the Joker" é um disco que consegue ser alegre e sério ao mesmo tempo, uma equação perfeitamente equilibrada das peripécias de Sammet e sua trupe ao longo dos anos. Ousado, seguro e consciente. Épico, melódico e bem humorado. Acho que esses são adjeitvos que resumem bem o que se ouve na agradável uma hora de duração do disco.
O Edguy chegou a maturidade musical. Foi uma jornada que dividiu opiniões e continuará a dividir. Tobias é um workaholic incansável e inquieto, que nunca se acomoda em alguma sonoridade específica, e nessa maturidade atingida, imagino que as ideias aflorarão com ainda mais força e intensidade, e o futuro da banda há de ser de mais e mais ótimos discos.
A versão nacional vem com CD bônus cheio de material extra. Não perca!
O Edguy é:
Tobias Sammet – Vocais
Jens Ludwig – Guitarra
Dirk Sauer – Guitarra
Tobias Exxel – Baixo
Felix Bohnke – Bateria
Track List:
1. Robin Hood (08:26)
2. Nobody's Hero (04:33)
3. Rock Of Cashel (06:20)
4. Pandora's Box (06:47)
5. Breathe (05:05)
6. Two Out Of Seven (04:29)
7. Faces In The Darkness (05:24)
8. The Arcane Guild (05:00)
9. Fire On The Downline (05:48)
10. Behind The Gates To Midnight World (08:58)
11. Every Night Without You (04:52)
Outras resenhas de Age of the Joker - Edguy
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
Dave Mustaine comenta a saída de Kiko Loureiro do Megadeth: "Era um cara legal"
A reação de Leo Jaime após Renato Russo subir no palco loucaço: "Foi constrangedor"
A lenda do metal que é arrogante, mala e antiprofissional, segundo Regis Tadeu
Mick Mars perde processo contra o Mötley Crüe e terá que ressarcir a banda em US$ 750 mil
Dave Mustaine revela que última conversa com James Hetfield terminou mal
Prefeito de SP quer trazer U2, Rolling Stones ou Foo Fighters para show gratuito
All Metal Stars BR lança vídeo apresentando versão de "Carry On"
A canção que tem dois dos maiores solos de guitarra de todos os tempos, conforme Tom Morello
A voz que Freddie Mercury idolatrava; "Eu queria cantar metade daquilo", admitiu o cantor
A canção lançada três vezes nos anos oitenta, e que emplacou nas paradas em todas elas
Saxon finaliza novo álbum e Biff Byford fala sobre luta contra o câncer
"Nunca contratei um amigo para o Megadeth", diz Dave Mustaine
A música do Megadeth que James Hetfield curte, segundo Dave Mustaine


Edguy - O Retorno de "Rocket Ride" e a "The Singles" questionam - fim da linha ou fim da pausa?
Em 1977 o Pink Floyd convenceu-se de que poderia voltar a ousar


