Resenha - Final Tour - Shadows
Por Nelson Endebo
Postado em 07 de junho de 2005
Há muito tempo atrás, houve uma época em que os Beatles nem existiam e a música pop como a conhecemos ainda engatinhava. Nos Estados Unidos, Elvis Presley fazia com maestria o papel de mocinho bandido, levando a sensualidade e a libido às raias da discussão pública e no cerne da instituição familiar americana. Havia uma revolução se instalando e nada poderia detê-la. Do outro lado do Atlântico, um sujeito falastrão chamado Cliff Richard servia à mídia como espécie de Elvis inglês. Cliff fez imenso sucesso na ilha da Rainha; sua banda, reconhecida pela competência instrumental, chamava-se The Drifters (depois The Shadows), verdadeiros heróis locais. O tempo corria e os Sombras se situavam nos ensolarados anos 50-quase 60, um sonho em que garotas de bikini, carrões e penteados ousados se agregavam no ideal juvenil. Gravando canções de lavra própria e também de outros compositores em versões quase sempre instrumentais, tornaram-se alvo de comparações com gente como os americaníssimos Dick Dale, Link Wray e os Ventures, artistas-molde da surf music – surfista inglês? -, o que, musicalmente falando, se traduz no remelexo irresistível do rock n’roll (expressão que define um bamboleio, não uma ideologia).

Com uma carreira permeada por altos e baixos, os Shadows influenciaram gente de todas as searas; Tony Iommi disse, certa vez, que começou a tocar por causa de Hank Marvin; Mark Knopfler não cansava de colocar o trio entre seus grupos favoritos; até Trey Spruance, do Mr. Bungle, já furou seus compactos em busca de referências. "The Final Tour" é, como o nome diz, o registro da última turnê da banda, após um hiato de quinze anos sem tocarem juntos. O CD duplo é essencial para quem gosta de rock e providencial para quem não conhece a obra de Marvin, Bruce Welch (guitarra) e Brian Bennett (bateria), uma vez que não há lançamento nacional de disco algum deles. Há desde clássicos absolutos como "Riders In The Sky", "Theme For Young Lovers", "Geronimo", "The Rise And Fall Of Flingel Bunt" e "Apache" até pepitas menores, como "Guitar Tango", "Little B", versões para temas de cinema, como "Going Home", que Mark Knopfler escreveu para o filme "Local Hero", e preciosidades pinçadas do vasto cancioneiro norte-americano, como "Don’t Cry For Me Argentina", de Andrew Lloyd- Webber e Tim Rice, sobrando espaço até para uma releitura de Jean-Michel Jarre, "Equinoxe V". Auxiliados pelos excelentes Mark Griffith (baixo) e Cliff Hall (teclados), a banda promete e cumpre em duas horas de celebração à música. Quarenta e duas faixas (isso mesmo!) em que a própria história do rock ganha uma releitura necessária à sensibilidade das novas gerações.
"The Final Tour" é essencial para se entender a evolução do chamado rock instrumental. E não se espante se chegar à conclusão de que os primórdios oferecem desafios mais intensos e interessantes do que a modorrenta "música para guitarra" dos imorais tempos pós-modernos. Nesse sentido, os Sombras deixam à sua sombra os "experimentais", "técnicos" e "inventivos" guitarristas de hoje, cuja existência pressupõe toda a teoria em detrimento da prática. The Shadows é uma Banda. Pode apostar.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Confira os preços dos ingressos para shows do Rush no Brasil
Mike Patton admite que o Faith No More não volta mais
Ex-violinista do Eluveitie relata que foi agredida por ex-parceiro; "Ele me deu um soco"
Vídeo de nova música do Arch Enemy atinge 1 milhão de visualizações
Tobias Forge explica ausência da América do Sul na atual tour do Ghost
As duas vozes que ajudaram Malcolm Young durante a demência
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Rush fará cinco shows no Brasil em 2027; confira datas e locais
Geddy Lee comenta tour que Rush fará no Brasil em 2027
Ex-Engenheiros do Hawaii, Augusto Licks retoma clássicos da fase áurea em nova turnê
O lendário álbum dos anos 1970 que envelheceu mal, segundo Regis Tadeu
Rush anuncia tecladista Loren Gold como membro da banda de apoio
Bruce Dickinson sobe ao palco com o Smith/Kotzen em Londres
A música mais ouvida de cada álbum do Megadeth no Spotify
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Richard Wright e seu álbum preferido do Pink Floyd; "Eu escuto esse álbum por prazer"
"Freddie Mercury me odiava porque ele me ouviu cantar", brinca ex-vocalista do Fastway
Kiko Loureiro conta qual a música mais difícil que ele queria tocar quando era jovem



"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Blasfemador entrega speed/black agressivo e rápido no bom "Malleus Maleficarum"
Tierramystica - Um panegírico a "Trinity"
GaiaBeta - uma grata revelação da cena nacional
Before The Dawn retorna com muito death metal melódico em "Cold Flare Eternal"
CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



