Resenha - Final Tour - Shadows

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Por Nelson Endebo
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Há muito tempo atrás, houve uma época em que os Beatles nem existiam e a música pop como a conhecemos ainda engatinhava. Nos Estados Unidos, Elvis Presley fazia com maestria o papel de mocinho bandido, levando a sensualidade e a libido às raias da discussão pública e no cerne da instituição familiar americana. Havia uma revolução se instalando e nada poderia detê-la. Do outro lado do Atlântico, um sujeito falastrão chamado Cliff Richard servia à mídia como espécie de Elvis inglês. Cliff fez imenso sucesso na ilha da Rainha; sua banda, reconhecida pela competência instrumental, chamava-se The Drifters (depois The Shadows), verdadeiros heróis locais. O tempo corria e os Sombras se situavam nos ensolarados anos 50-quase 60, um sonho em que garotas de bikini, carrões e penteados ousados se agregavam no ideal juvenil. Gravando canções de lavra própria e também de outros compositores em versões quase sempre instrumentais, tornaram-se alvo de comparações com gente como os americaníssimos Dick Dale, Link Wray e os Ventures, artistas-molde da surf music - surfista inglês? -, o que, musicalmente falando, se traduz no remelexo irresistível do rock n'roll (expressão que define um bamboleio, não uma ideologia).

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Com uma carreira permeada por altos e baixos, os Shadows influenciaram gente de todas as searas; Tony Iommi disse, certa vez, que começou a tocar por causa de Hank Marvin; Mark Knopfler não cansava de colocar o trio entre seus grupos favoritos; até Trey Spruance, do Mr. Bungle, já furou seus compactos em busca de referências. "The Final Tour" é, como o nome diz, o registro da última turnê da banda, após um hiato de quinze anos sem tocarem juntos. O CD duplo é essencial para quem gosta de rock e providencial para quem não conhece a obra de Marvin, Bruce Welch (guitarra) e Brian Bennett (bateria), uma vez que não há lançamento nacional de disco algum deles. Há desde clássicos absolutos como "Riders In The Sky", "Theme For Young Lovers", "Geronimo", "The Rise And Fall Of Flingel Bunt" e "Apache" até pepitas menores, como "Guitar Tango", "Little B", versões para temas de cinema, como "Going Home", que Mark Knopfler escreveu para o filme "Local Hero", e preciosidades pinçadas do vasto cancioneiro norte-americano, como "Don't Cry For Me Argentina", de Andrew Lloyd- Webber e Tim Rice, sobrando espaço até para uma releitura de Jean-Michel Jarre, "Equinoxe V". Auxiliados pelos excelentes Mark Griffith (baixo) e Cliff Hall (teclados), a banda promete e cumpre em duas horas de celebração à música. Quarenta e duas faixas (isso mesmo!) em que a própria história do rock ganha uma releitura necessária à sensibilidade das novas gerações.

"The Final Tour" é essencial para se entender a evolução do chamado rock instrumental. E não se espante se chegar à conclusão de que os primórdios oferecem desafios mais intensos e interessantes do que a modorrenta "música para guitarra" dos imorais tempos pós-modernos. Nesse sentido, os Sombras deixam à sua sombra os "experimentais", "técnicos" e "inventivos" guitarristas de hoje, cuja existência pressupõe toda a teoria em detrimento da prática. The Shadows é uma Banda. Pode apostar.


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Sobre Nelson Endebo

Estudante de Comunicação Social na Puc-Rio, cheirou dúzias de carreiras de Música e hoje é completamente debilitado por causa disso. Tem um corte no córtex por causa do Mr. Bungle, mas acredita que isso seja legal. Doutrinado no bom e velho Metal (ainda chora ouvindo o grande Venom), aprendeu a ouvir Jazz e Samba na marra. É responsável pela coluna Nós do Noise e colabora com o site Bacana e a revista Valhalla. Sua máxima é: "quanto mais você sabe, mais você sabe que pouco sabe". Traduzindo, gosta de aprender e de ensinar. Espera poder somar algo à família Whiplash a partir de 3, 2, 1 segundo!

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