O maior cantor de todos os tempos para Steven Tyler; "Eles já tinham o melhor"
Por Bruce William
Postado em 31 de dezembro de 2025
Quando John Bonham morreu em 1980, o Led Zeppelin parou de vez. O grupo até voltou ao palco em raras ocasiões, com destaque para o show de 2007 que acabou virando Celebration Day, com Jason Bonham assumindo a bateria no lugar do pai. Aquilo reaqueceu a conversa sobre novas apresentações, pelo menos na cabeça de gente como Jimmy Page e John Paul Jones, mas o movimento nunca virou uma retomada de fato.
Em um cenário desses, a pergunta óbvia sempre aparece: se a banda resolvesse tocar mais, quem cantaria? Robert Plant, ao que consta, não embarcou nessa ideia de uma sequência de shows. E, com isso, Page e Jones chegaram a testar alternativas, não como "troca definitiva", mas como tentativa real de ver se o Zeppelin poderia subir num palco com outra voz.

Um dos nomes sondados foi Steven Tyler. Ele contou que foi ao encontro de Page e "os caras" no verão de 2008 e fez questão de diferenciar as coisas: "Não foi uma audição para entrar no Zeppelin, foi uma audição para cantar no Zeppelin." Na cabeça dele, a conversa começou com a ideia de tocar em estádios, mas ganhou outro peso quando surgiu a possibilidade de gravar um álbum. Foi aí que ele disse ter voltado para casa, pensado por alguns dias e retornado com a resposta: "Olha, Jimmy, você está em uma banda e eu também. Não posso, de boa fé, deixar minha banda e estar na sua banda."
Tyler descreve aquela semana como um período intenso de convivência e de bate-papo fora da música também. "Tocamos todos os dias durante uma semana", disse ele, lembrando que nas pausas para fumar conversava com Page sobre vários assuntos. Segundo o vocalista, ele deixou claro desde o começo o tamanho da situação em que estava se metendo: "Jimmy, você não tem ideia de como sou grato por ter a oportunidade de vir aqui tocar com vocês." E conta que, quando Page insinuava a possibilidade de shows juntos, ele se via pensando: "Pare aí. Estou cantando numa banda com John Paul Jones?"
Na parte prática, Tyler diz que teve liberdade para experimentar repertório e ver como a coisa funcionava na sala. "Eles me deixaram cantar todas as músicas que eu quis", citando "Black Dog" e "Stairway To Heaven". Ao mesmo tempo, reforça o recorte: "Mas foi apenas uma semana." Ele também explica que não queria entrar numa situação paralela que soasse como um projeto derivado: "Eu não queria algo tipo Coverdale/Page." E, fazendo a conta do tempo e da energia envolvidos, concluiu que seria mais sensato direcionar isso para o próprio Aerosmith: "Além disso, conclui que no tempo que levaria pra isso acontecer, eu poderia me reunir novamente com minha própria banda."
A síntese que ele dá é simples e sem firula: "Então, eu poderia estar na banda de Jimmy? Não. Mas quanta honra!" Ou seja, não foi falta de oportunidade nem falta de respeito pela história do Zeppelin; foi uma combinação de lealdade ao próprio grupo, de cautela com o tamanho do passo e de uma percepção bem clara do que aquilo exigiria.
E tem um detalhe que ajuda a entender por que ele nunca pareceu confortável com a ideia de "substituir" Plant: em outro momento, destacado pela Rock Celebrities, Tyler coloca o cantor do Zeppelin num patamar especial. Para ele, o maior cantor de todos os tempos é Robert Plant. Ao explicar por que recusou, ele resumiu assim: "Eu simplesmente não achei que uma banda como o Led Zeppelin precisasse de um cantor como eu. Eles já tinham o melhor; eles eram os melhores." E ainda lembrou uma frase atribuída a Plant, com humor rural britânico: "O Robert costumava dizer: 'Acho que eu conseguiria cantar e tosquiar umas ovelhas ao mesmo tempo.' Eu consigo pensar em algumas coisas que eu poderia fazer enquanto canto, mas essa não é uma delas. Talvez esse fosse o problema."
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