O que Max Cavalera não gostava sobre os mineiros, segundo ex-roadie do Sepultura
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de dezembro de 2025
Belo Horizonte sempre ocupou um lugar singular na história do rock brasileiro. Ao mesmo tempo em que revelou bandas fundamentais para o metal extremo mundial, a cidade também foi palco de tensões, limitações e decisões difíceis para artistas que buscavam ir além das fronteiras locais. Esse contraste voltou à tona em entrevista recente concedida por Silvio Bibika Gomes, ex-roadie e colaborador histórico do Sepultura, ao After Podcast.
Durante a conversa, Bibika comentou declarações feitas por Max Cavalera em sua biografia, nas quais o músico define Belo Horizonte como uma cidade "aconchegante", porém de mentalidade fechada. Questionado se concordava com essa visão, Bibika foi direto: "Concordo em gênero, número e grau. O Max está certo. Infelizmente, vou ter que concordar com ele".
Segundo Bibika, existe um traço cultural muito específico no comportamento mineiro que acaba travando o crescimento artístico. "O mineiro tem explicação para tudo que não funciona, mas não consegue solucionar o que não funciona", afirmou. Ele citou exemplos recorrentes: dificuldades para tocar nas rádios, resistência a novos formatos de shows e desculpas constantes para não mudar estruturas já estabelecidas. "Ninguém tenta mudar isso", resumiu.

Essa mentalidade, na visão do produtor, obrigou muitos artistas a tomarem decisões radicais. "Muitas vezes a pessoa atinge um patamar em que ela precisa sair daqui para conseguir ampliar e conquistar horizontes maiores", explicou. Para Bibika, o Sepultura é o exemplo mais claro desse processo. "A música deles não era para Belo Horizonte, era para o mundo. Eles tiveram que sair daqui".
O afastamento da banda da capital mineira não foi simples nem indolor. "Foi doloroso para mim. Eu fiquei para trás. Fui a única pessoa que não mudou, mas trabalhei 22 anos com eles", relembrou. Ainda assim, ele acredita que a mudança foi decisiva. "Se eles continuassem aqui, iam morrer com dois ou três anos". Segundo Bibika, o salto aconteceu logo após Beneath the Remains, quando a banda se mudou para os Estados Unidos.
A comparação com o Skank ajuda a ilustrar as diferenças. Enquanto o Sepultura precisou sair do país para crescer cantando em inglês, o Skank conseguiu se estruturar a partir de Belo Horizonte por atuar em outro mercado e idioma. Bibika costuma ser categórico ao aconselhar bandas mais novas: "Se vocês cantam em inglês, têm que sair do Brasil. Não adianta cantar em inglês e ficar aqui".
Confira a entrevista completa abaixo.
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