O padrão que une todos os solos da história do Iron Maiden, segundo Adrian Smith
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de dezembro de 2025
Bandas gigantes costumam ser vistas como máquinas perfeitamente ajustadas, e poucas representam melhor essa ideia do que o Iron Maiden. Ao longo de cinco décadas, o grupo construiu uma reputação de precisão quase cirúrgica nos palcos, entregando exatamente o que o público espera noite após noite. Em entrevista recente, o guitarrista Adrian Smith abriu o jogo sobre por que essa filosofia praticamente elimina qualquer espaço para improvisos ou solos intermináveis.
Segundo Smith, em conversa com o site Chaoszine (via Ultimate Guitar), o funcionamento dos shows do Maiden simplesmente não permite desvios do roteiro. "Com o Iron Maiden, a gente não passa som", explicou. "Você tem as deixas de luz, os cenários, tudo acontece em sequência, 'pá, pá, pá'. Tem que estar no tempo certo. Tem que ser igual toda noite." Nesse contexto, improvisar vira um luxo incompatível com a grandiosidade da produção.

Essa lógica se reflete diretamente nos solos de guitarra. Smith foi direto ao ponto: "Durante toda a minha carreira, tocando no Maiden, o solo é sempre de 16 compassos, e só. Você tem que dizer tudo o que precisa dizer em 16 compassos". Segundo ele, não existe espaço para "solos que se estendem por uma eternidade", algo comum em outros estilos ou projetos mais livres.
A comparação fica clara quando Smith fala de sua parceria com Richie Kotzen, com quem divide a turnê Black Light/White Noise. Nesse formato mais intimista, a dinâmica é completamente diferente. "A gente faz passagem de som, testa ideias, muda finais de músicas ali na hora", contou. Ele revelou inclusive que algumas harmonias tocadas ao vivo nem sequer aparecem no disco. "Funcionou tão bem que a gente manteve."
Smith reconhece que Kotzen vem de uma escola muito mais improvisadora. "Se você for ver um show solo do Richie, ele faz um solo e continua por cinco, dez minutos, construindo aquilo", disse. Para alguém moldado pela disciplina do Iron Maiden, isso tem sido um aprendizado. "É algo que estou começando a explorar um pouco mais agora", admitiu, destacando que os shows com Kotzen dão "um pouco mais de espaço para esticar".
Outro ponto curioso abordado na entrevista foi o impacto do tamanho do público na performance. Para Smith, tocar em lugares menores pode ser mais intimidador do que encarar estádios lotados. "Muita gente diz isso: às vezes é mais difícil tocar para algumas centenas de pessoas do que para um estádio enorme", afirmou. "No estádio é tudo muito impessoal. Você está longe de todo mundo. Mas num clube pequeno, não tem onde se esconder", completou, rindo.
A postura do Iron Maiden, aliás, segue sendo elogiada exatamente por essa previsibilidade milimetricamente calculada. Em resenha publicada pelo The Guardian, o jornal destacou que, na turnê de 50 anos, a banda "não reinventa a roda" e segue entregando "heavy metal rápido e intrincado", como sempre fez. Para Adrian Smith, essa consistência é uma virtude - mesmo que o preço seja abrir mão da improvisação.
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