Nando Reis: Nenhum show é igual ao outro

Resenha - Nando Reis (Barraca Biruta, Fortaleza, 20/09/2014)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Mais uma vez, fomos à Barraca Biruta, na Praia de Iracema para ver o NANDO REIS. Para quem nunca viu as barracas de praia do Ceará, são estruturas enormes próximas ao mar, podendo agregar restaurante, parque aquático, grande área para shows e algumas tem até mesmo área para descanso com redes e massagistas profissionais. A Biruta é uma das maiores e mais conhecidas da badalada Praia do Futuro. Faltou só a lua (o nome do evento era "Luau Com Nando Reis No Astral da Biruta), mas tudo que se refere a som, luz, palco e estrutura estavam impecáveis, providenciados pela Empire e D&E. Quem entrava no local era recebido pela banda STEREOTYPE, banda que debutava nos palcos com boa presença de palco da vocalista Kekell Sá e levada de baixo contagiante de Luynne Cavalcante, cantando covers de bandas como NO DOUBT, SUBLIME e ALANIS MORISSETE. Precisamos ver suas próprias composições ainda para poder saber se vieram pra ficar.

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ZERO85

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A ZERO85 abriu seu show com "o Tempo Que Não Quer Passar", boa canção lançada neste mesmo dia no ITUNES, seguida de "Aqui", uma de suas melhores composições, com bom solo da guitarra de Abraham Carlos, mas começou mesmo a levantar a galera quando passou para músicas como "Song 2" (BLUR), "Should I Stay or Should I Go" (THE CLASH) e "Seven Nation Army", do WHITE STRIPES. Durante todo o show, o baixo de Hermano Bezerra se mostrou bastante presente, assim como a batida de PH Barcelos. No entanto, quem conhece a banda sentiu a ausência de Tony Pontes, de molho por motivos médicos. Ainda rolou "Na sua Direção", seu primeiro single, e "Falta" (outra em que Abraham se destaca) e "Independentemente de Você", que fez parte da trilha sonora da novela teen eterna "Malhação". Uma boa versão (que começou num quase drum and bass, terminando bem rocker) para a música "Royals", de LORDE, também fez parte do repertório (bem mais apropriada para ganhar o VMA do que a original - leia mais sobre isso no link abaixo).
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A banda consegue imprimir sua personalidade à algumas canções que interpreta de outros artistas. Além de "Royals", também entregaram uma versão bem dançante de "Tempos Modernos" (LULU SANTOS) e resgataram "Psycho Killer" dos TALKING HEADS (aquela do Fa-fa-fa-far"), enquanto em outro show anterior tinham conseguido salvar uma insossa da recente fase insossa do COLDPLAY, mas, quando parte para artistas como RAIMUNDOS e CHARLIE BROWN JR,escorrega no óbvio ("Proibida Pra Mim", "Roda Gigante", "Mulher de Fases"). Curiosamente, é nessas que empolgam mais a plateia, levantam o coro a ponto de Sérgio Porto, o vocalista, quase nem ter que cantar. Músicas assim empolgam, geram boa resposta, mas não apresentam a banda, de bons músicos, capazes de compor boas músicas no estilo que adotaram e fazer boas versões, como as já citadas "Royals" e "Tempos Modernos", além de acostumados a se apresentar para grandes públicos (como no caso desta noite e até dos GUNS N' ROSES). É uma encruzilhada. Talento pra sair dela, eles tem. Vamos lá?

NANDO REIS

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As algumas milhares de pessoas gritaram mais que as torres de som quando NANDO REIS subiu ao palco acompanhado de seus escudeiros INFERNAIS, já despejando "Pré-Sal". O ruivo 'seguiu em frente' com "Sou Dela" quando, como costumeiramente faz, já mudou a letra pela primeira vez para incluir um "Praia do Futuro". E se ainda não tinha se dirigido diretamente ao público, começou um discurso caetano conectando as palavras "biruta" e "futuro" (nome da barraca e da praia, respectivamente) e agradeceu a presença de cada um antes de uma releitura inspirada (mas já conhecida) para "Eu Não Vou Me Adaptar" (composta originalmente por Arnaldo Antunes) e aprimorada por um fantástico solo de Alex Velley, colada a "O Que Eu Só Vejo em Você" e "As coisas Mais Lindas", cantada e uníssono por todos os brutas que estavam a naquela noite. Também rolou uma versão não tão inspirada assim para "Onde Você Mora", do próprio cantor, mas que também fez bastante sucesso com o CIDADE NEGRA.

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"Sei", que dá nome ao CD mais recente não poderia faltar no show e não faltou. Em mais um discurso, NANDO explicou que a canção "De Janeiro A Janeiro" não é de sua autoria (como muitas pessoas pensam por causa de sua participação na música de ROBERTA CAMPOS) e pediu que o público cantasse a parte dela no dueto. Depois de "N", os primeiros acordes de "Luz dos Olhos" foram a chave para desengasgar gritos de todos na multidão. Valter Vilaça quis arrematar a música com um solo lindo de guitarra, mas, Veley não sabe ficar quieto no seu canto de tecladista e vem à frente do palco para duelar com a galera das cordas.

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Depois do momento catarse, a bela e calminha "Relicário" (tão bem defendida antes por CÁSSIA ELLER). Provavelmente pensando nela, NANDO incluiu um trecho de "Eu Gostava Tanto de Você". A música, sucesso originalmente na voz de TIM MAIA, foi composta por Edson Trindade para um amor perdido na adolescência, mas boatos na Internet dizem que foi feita para uma filha morta em acidente. Outras fontes afirmam que foi para um amigo perdido. De uma forma ou de outra, a música casa com o sentimento que NANDO REIS nutre ainda pela cantora.

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NANDO incluiu "A Letra A" no repertório para dizer que "quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor". Do palco, a visão é mesmo magnífica. Um mar de gente à frente, um mar de mar à direita. Da areia, no entanto, com toda aquela multidão, o mar era apenas uma lembrança.

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"O que significa uma estrela na nossa vida. Estrela é quem brilha, é quem nos queima, é quem nos ilumina. Pode estar no bolso, num disco, num palco, num retrato, na memória, mas tem que estar sempre dentro do coração. E é por isso que toda vez que eu toco essa música eu reacendo a vela que ela é e significa na minha vida, pois essa música eu fiz contando a minha estória de amor e de amizade com a CÁSSIA ELLER. Ela se chama 'All Star'". Pronto, taí mais uma estória de inspiração de uma canção (a inspiração para "Por Onde Andei" você confere na entrevista no link abaixo).
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E todo mundo parece ter visitado aquele apartamento no décimo segundo andar de um prédio em Laranjeiras. Felipe Cambraia, sorridente durante todo o resto do show e agora sério e compenetrado, oferece seu solo digno de nota. Alguém da plateia ainda ganhou um All Star autografado.

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Agora é a vez de "Pra Você Guardei O Amor". O povo ou gritava ou se beijava. "É a música deles", alguém grita apontando para um casal de amigos. Como já disse uma vez, o NANDO REIS compõe as músicas e outros se apossam delas. Todo mundo ali era dono de alguma daquelas canções, podendo registrar em cartório e exigir direitos de execução. Walter Vilaça, que tinha ficado de folga em boa parte da canção volta ao palco para seu solo e a banda cola "O Segundo Sol" e "Os Cegos do Castelo", em versão que comprova que todo show é diferente para OS INFERNAIS e seu frontman.

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Por culpa da Sílvia, minha esposa, mais uma vez não pude ver o septeto tocar "Por Onde Andei". Leia a entrevista acima e vai saber porque. Quer saber? Quem se importa com o que está acontecendo lá no palco. O show é aqui, na areia.

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Nando justifica alguns erros na execução de "Do Seu Lado" dizendo que estava ficando biruta (mais uma vez fazendo um trocadilho com o nome da barraca), mas foi talvez o segundo melhor momento da noite até ali. Não podemos esquecer que apesar da temática mais romântica, o rock and roll ainda circula nas veias do ex-baixista dos TITÃS e os finais apoteóticos de muitas das faixas mostradas até ali ratificavam isso.

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Uma breve saída poderia até parecer o fim do show, mas os roadies afinando instrumentos denunciavam que os músicos voltariam em instantes. De volta ao palco, NANDO REIS começa a explicar: "Eu quero lembrar que, fundamentalmente, o que possibilita subir aqui ao palco são as músicas que eu faço e que eu tenho que cantar porque as músicas que eu faço eu preciso pra me entender comigo mesmo. As músicas todas na verdade são o que dão o sentido. Na verdade, o sentido a gente compreende quando há um encontro como esse. A música dá apenas o motivo. O sentido é esse. E o sentido da música que eu vou tocar agora é que, eu que há tanto tempo viajo pra poder fazer isso, que é a minha profissão, fico tão longe de quem eu quero bem, mas às vezes, por uma razão excepcional eu consigo poder tocar, como hoje, para a musa inspiradora dela, minha filha, Zoé, que está aqui comigo". E o ruivo tocou "Espatódia".

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Finalizando o show com "Marvin", Nando deixou uma mensagem: O mundo não é 'bão', mas, pode ser muito melhor. Quem estava ali naquela noite, voltou pra casa acreditando nisso.

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Line Up NANDO REIS

Nando Reis - (vocal e violão)
Walter Villaça - (guitarra)
Felipe Cambraia - (baixo)
Alex Veley - (teclado)
Diogo Gameiro - (bateria)
Gil Miranda - (backing vocal)
Hannah Lima - (backing vocal)

Agradecimentos:

Denor Sousa, Empire e D&E, pelo convite e credenciamento.
Marcelo Sousa, pelas fotos que ilustram esta matéria.
Fátima Tavares, pela companhia.
Sílvia Amora, pela cumplicidade e amor.

Fotos: Marcelo Sousa. Para mais fotos do show, confira o álbum
https://www.facebook.com/marcelo.sousa.31105674/media_set?se...

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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