Nando Reis: canções particulares que se transformam em plurais

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
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Mesmo investindo em sua carreira solo num som mais intimista e pessoal que o praticado por sua antiga banda, os TITAS, o cantor, baixista e violonista NANDO REIS pode ser considerado uma das figuras mais importantes do rock nacional. Suas composições estão e estiveram nas bocas de milhares de brasileiros e brasileiras, famosos como CÁSSIA ELLER e Samuel Rosa, ou anônimos que vêem suas estórias sendo contadas nas músicas como se tivessem sido feitas por encomenda. Eu, que sei "por onde andei enquanto minha esposa me procurava e deixei muito pouco ou quase nada", tive a oportunidade de conversar com ele esta semana, sobre o que lhe inspira para compor, o mercado fonográfico, os discos "Sei", o São Paulo (time do coração do Nando) e até sobre a polêmica "Isso Pra Mim É Perfume", dos TITAS. NANDO REIS se apresenta em Fortaleza, com os INFERNAIS, neste final de semana. O serviço do show, você confere ao final da entrevista.

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Agradecimentos: Denor Sousa e Empire.

Nas suas músicas, você fala da sua vida, mas acaba falando da vida de várias outras pessoas também, fãs seus que "se apropriam" das suas músicas.

NANDO REIS: Claro.

No meu caso e da minha esposa, em particular, a música "Por Onde Andei" conta um pouco, quase com exatidão, a nossa estória.

NANDO REIS: Legal.

Não deixei as roupas penduradas, mas, até o roubo do carro dela aconteceu.

NANDO REIS: (risos)

Inclusive, a música tocou no nosso casamento (mas eu não vou lhe pagar um centavo, porque você já é um dos dez maiores arrecadadores de direitos autorais do Brasil). Então, são canções particulares, que se transformam em plurais. Essa forma de criar, de contar estórias de pessoas que você nem conhece e sequer sabe que está contando as estórias delas, isso é intencional? Ou simplesmente acontece naturalmente?

NANDO REIS: Não, não há nenhuma intencionalidade nisso. Eu escrevo sobre as coisas que eu sinto, mas acredito que o que aconteça comigo, os problemas, ou as questões, ou as emoções, são análogas e são semelhantes à de muita gente. Essa é a graça das músicas. Tantas músicas que eu ouvi e não foram feitas por mim, que eu me identifico muito e que me fazem ver a minha própria estória. Então, acho que isso acontece especialmente em música, mas há também filmes, peças, que as pessoas vão lá e vêem "Nossa, isso é exatamente aquilo o que acontece comigo". Esse é um mistério.

Acho que todo mundo que tem a chance de falar contigo deve sempre querer saber da estória de algum detalhe cantado nas músicas, todas são muito cheias de detalhes, o tal All Star azul, o apartamento no décimo segundo andar. No meu caso, obviamente, eu tenho que lhe perguntar, se houve mesmo esse roubo de carro e como é que foi isso?

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NANDO REIS: Houve. Foi a partir dessa situação, inclusive, que eu... o cara que assaltou o nosso carro que apontou a arma pra mim fingiu que ia disparar e não disparou que me deu uma... aquela sensação absurda, né, que sua vida é tão frágil que numa dessas infelicidades, ou felicidades, no caso, né, de não ter acontecido o disparo, que te fazem ver que você é mortal. Isso é muito chocante. Viver é uma graça mas, ao mesmo tempo, você pode atravessar a rua e, pimba!, você pode ir embora assim como foi meu amigo Marcelo.

Pois é. Eu já vi em outra entrevista que os falecimentos do Marcelo e da CÁSSIA ELLER lhe chocaram muito. E você tem muitas músicas que foram sucesso principalmente na voz dela, da CÁSSIA ELLER. E também do Jota Quest, Skank... Você gosta mais de ser compositor ou cantor? Você gosta de ver os seus sentimentos interpretados por outros artistas?

NANDO REIS: Eu gosto de tudo, de todas essas coisas, é claro que músicas minhas que foram cantadas pela Cássia, pelo envolvimento e amizade que eu tive com ela foram muito gratificante, mas eu gosto de fazer músicas para poder cantar

Você já passou por Fortaleza com a turnê do disco "Sei", antes do lançamento do DVD "Sei Como Foi Em BH". Por ocasião daquele show, eu escrevi "O músico parece ter estudado na mesma escola de BRUCE SPRINGSTEEN, variando os setlists, variando os arranjos das canções e, às vezes, até variando as letras, fazendo com que cada show seja uma experiência única mesmo com o mesmo conjunto de músicas como base. NANDO e sua mini-estância de E STREET BAND, OS INFERNAIS, tocam o que vier na cabeça, da forma como for mais conveniente para o seu ânimo no momento". Você consegue adiantar que novidades está trazendo em relação àquele seu último show ou a gente vai mesmo que esperar pra ver?

NANDO REIS: Vocês vão ter que esperar pra ver. Você acabou de descrever de maneira precisa o que eu gosto de fazer no palco. É claro que eu tenho um show ensaiado, uma banda muito afiada, mas, às vezes não é nem a título da mudança no repertório, a intenção, a forma como a música sai dependo do que acontece ali. O show, como eu sempre digo, não é apenas uma apresentação. Não é o artista que decide. A interação com a plateia é que muda totalmente e que direciona a intensidade do que acontece no palco.

Mais uma vez você vai estar acompanhado da banda de pop-rock ZERO85 já abriu vários shows seus, aqui e até em Natal. Existe aquele ditado que em time que está ganhando não se mexe e a dobradinha parece estar dando certo. Mas, você tem tido contato com eles?

NANDO REIS: Não, meu caro, infelizmente é muito difícil por que a vida é corrida. Eu fico feliz por poder abrir espaço pra bandas que não são tão conhecidas poder tocar pra muita gente. Eu fico feliz por eles.

Dessas novas bandas de rock do Brasil, em especial do Ceará, tem alguma que você tenha acompanhado e aposte?

NANDO REIS: Não, não, não, não tenho nada a declarar sobre isso.

E sobre um disco novo, você ainda está promovendo os dois Sei, CD e DVD, mas já existe algum plano sobre um novo álbum? Eu vi que você lançou no seu site a versão deluxe do "Sei". Você já está compondo, contando a estória de mais alguém?

NANDO REIS: Não, eu tento gravar um disco ano que vem. Eu já tenho algumas músicas feitas. Tô morrendo de vontade de entrar em estúdio e gravar um disco novo.

E sobre o preço do disco "Sei", você foi um dos primeiros (senão o primeiro) artistas brasileiros a deixar os fãs decidirem o preço de venda do álbum, semana a semana, antes de permitir que chegasse às grandes lojas de varejo. Qual foi o resultado disso? Você considera que foi bom?

NANDO REIS: Foi uma experiência interessante. na verdade eles davam uma sugestão de preço e a gente tirava uma média dessas sugestões e o preço variava semanalmente. Agora ele ficou fixado em 20 reais que é um preço, enfim, que a gente estabeleceu a partir de toda a média desse um ano e meio. Foi uma experiência muito interessante pra ver o que que... essa questão. né? Por que as pessoas não compram mais disco, não tem mais loja, quanto eles se dispõe a pagar por um disco que eles gostem. Tudo isso é um processo dinâmico pra gente se perguntar, porque eu gosto de gravar e fazer os discos e me preocupa o fato das pessoas perderem o interesse por isso. Eu acho isso tão estranho.

Sei Como Foi em BH teve o DVD gravado ao vivo em Minas, mas o CD foi gravado em estúdio, poucos dias depois. O som fica bem mais limpo, mas sai um pouco aquela energia que a gente sempre vê shows. Por que você e os infernais optaram por isso?

NANDO REIS: eu queria ter o registro mais controlado e gravar algumas outras coisas que eu não tinha feito. Eu gosto de entrar em estúdio e daí aproveitei que eu tinha agora gravado o disco mesmo e dei de brinde para as pessoas.

Você dedica suas músicas aos seus amores. Dedicou o disco Drês à sua ex. Hoje, está de volta com a mãe dos seus primeiros quatro filhos, inspiração de "Back In Vania". Ela não se incomoda quando você canta músicas como "N" e "Hi Dri", que inclusive está no CD do DVD ("Sei Como Foi em BH")?

NANDO REIS: Não, cada música, as músicas elas nascem por alguma razão, mas a forma como eu... a motivação de cantar cada uma delas muda a cada dia. Eu não canto homenageando apenas quem eu fiz, eu canto homenageando o que eu sinto.

Os Titãs eram 8. Depois viraram só 7, numa tragédia viraram 6, sem você viraram 5, e agora são só 4. E, por incrível que pareça, eles lançaram o melhor álbum em muitos anos. Você já ouviu o "Nheengatu"?

NANDO REIS: Ouvi, ouvi e achei muito bom.

Gostaria de comentar algo sobre ele? Ou sobre os TITAS?

NANDO REIS: Não. É muito difícil. Eu gosto tanto deles que qualquer comentário que eu faça é comprometido por essa admiração e por essa amizade.

Ainda falando sobre os TITAS, O público feminino que te acompanha é muito grande, muito por causa das canções mais românticas. Mas, voltando a falar dos TITAS, "Isso pra mim é perfume", do "Tudo Ao Mesmo Tempo Agora", existe alguma chance de um dia vermos essa canção num show do NANDO REIS?

NANDO REIS: Putz, cara, eu nunca toquei essa música ao vivo, eu tenho vontade de tocar, mas nunca toquei. Quando começou a turnê eu tocava "Igreja", mas aí parei de tocar também. Não, nada contra, é que são tantas músicas que algumas não ficam... não dá pra tocar tudo.

É essa é uma das letras mais curiosas, digamos assim.

NANDO REIS: É, não é todo mundo que gosta não (risos).

Já li bastante sobre isso, mas pro pessoal ficar sabendo também, como foi esse encontro com os FREAKBOY HORNS e a ideia de colocar eles no disco.

NANDO REIS: Ótimo. Eu conheci eles lá em Seattle quando gravei o disco e foram os melhores arranjos de metais que eu já tive gravados em disco. E chamei eles pra vir se apresentar quando me apresentei no Rock In Rio. Por isso pedi para eles escreverem os arranjos e eles gravaram esses arranjos que tão aí no "Sei Como Foi em BH". Eventualmente quando consigo, faço show com metais. Eu acho que algumas músicas, especialmente "Coração Vago" no disco ficaram lindas. Eu adoro.

Coração Vago ficou fenomenal.

NANDO REIS: É. (risos)

Eu sei que você é são paulino, muito são paulino, pra gente terminar, o que você está achando do desempenho do time no campeonato brasileiro.

NANDO REIS: Tá ótimo. Hoje eu vou torcer pra ganhar do Botafogo e domingo a gente pega o cruzeiro. E daí deve ganhar pra tentar chegar mais perto deles. Mas tá bom, tá bonito, finalmente o São Paulo tá jogando um futebol gostoso. Fazia tempo que eu não via.

Bem, eu acho que já tenho tudo o que eu precisava...

NANDO REIS: Tá bom, meu caro, manda um beijo pra sua esposa, tá.

Tá ótimo, eu queria que você convidasse os fãs para o show lá na Biruta no dia 20 de setembro.

NANDO REIS: Moçada, aqui quem tá falando é o Nando. Vou estar aí na Biruta, onde já estive outras vezes, um local que tanto gosto, na beira do mar, queria convidar a todos para comparecerem pra mais um show do NANDO REIS E OS INFERNAIS aí em Fortaleza. Grande abraço.

Um grande abraço, Nando.

NANDO REIS: Falou, mano velho. Tchau.

Serviço:

Sábado, 20 de setembro de 2014;

Nome do Evento: LUAU NANDO REIS
Data: 20/09/2014 Horário: 22h00
Local: Barraca Biruta
Endereço: Avenida Gioguinho, 411 / Fortaleza / CE
Classificação Mínima: 18 anos

Ingressos:
Ingresso Areia
Ingresso Front
Camarote( Vale 3 Vouchers de Bebida, exceto energético)

Produtora: Empire Records CNPJ: 11.191.729/0001-09

Vendas e valores:
http://www.ingressando.com.br/luau_nando_reis__20092014_2200...




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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