Municipal Waste: ponta-de-lança do retro-thrash/crossover

Resenha - Municipal Waste (Aram, Vinhedo, 12/03/2010)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Glauco Silva
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Imagem
A turma do crossover/thrash, apesar de ser uma das mais fiéis e - ao pé da letra mesmo - fanáticas platéias, é um tanto injustiçada em termos de show gringo no Brasil. Temos representantes de talento inquestionável aqui na terrinha (Bandanos, Megatherio, Violator, Blastrash, Devil On Earth, Sactor, são dezenas) mas poucos são os artistas internacionais nessa linha trazidos recentemente: tivemos em 2008 o Maquinaria com um show emocionante do Suicidal Tendencies, e no ano passado os suecos do Dr. LivingDead! quase puseram o Inferno Club abaixo - algo ínfimo se comparado aos medalhões heavy, death e thrash "tradicional" que nos visitam.
Loudwire: os dez melhores álbuns de thrash metal do século 21Keith Richards: colocando Justin Bieber em seu devido lugar

Mas a qualidade tem compensado com sobras a quantidade, e no dia 12 começou um pequeno giro nacional da banda que é, provavelmente, a ponta-de-lança do retro-thrash/crossover: os americanos do Municipal Waste. Formado em 2001 na Virgínia, com 4 álbuns - os 3 últimos lançados pela lendária Earache da Inglaterra, que escarrou no mundo desgraças como Napalm Death, Carcass, Terrorizer, Entombed e Morbid Angel - e uma série de splits e demos, o quarteto provaria o porquê de ser um dos xodós da nova geração de thrashers, acompanhado de 2 tratores nacionais e mais uma atração internacional.

Quem abriu a noite foram os Muzzarelas, que considero uma das barulheiras mais criminalmente injustiçadas na história recente do barulho no Brasil. Já são quase 20 anos de puro punk/crossover sem concessão ou frescura alguma, regados a oceanos de cerveja e pura dedicação ao underground. O show deles é, desde que os conheci no bar Ilustrada e em festas da Unicamp como Ramones cover, algo inacreditável: uma pancada atrás da outra, caos total no palco e na frente desse, e o incrível fator cerveja chovendo - em todo show que assisti deles. Mandaram uma porrada de sons de seus seis álbuns, ligados no 220 o tempo todo, e essa mistura de Ramones com D.R.I. sempre pega os bangers e punks pelas tripas, convidando instintivamente ao mosh. Mais um p*ta show dos celerados de Campinas, com direito a uma ameaça do folclórico baixista Ete dar um mergulho do alto dos PAs, no melhor estilo Billy Milano - não rolou, mas com certeza não iam deixar ele acertar o chão com seu Rickenbacker!

Muita gente veio só pra sacar mais uma passagem do Violator por estas plagas, uma vez que toda apresentação deles (ao menos as 3 que vi) é explosiva - os caras fazem mais do que jus de serem considerados a mais importante banda de thrash metal (ao menos da geração mais recente) no underground brazuca, atraindo muito interesse mesmo da gringaiada. É algo novo? Nem. É original? Também não, muita gente faz similar. Mas o quarteto de Brasília tem aquele quê a mais difícil de identificar, e sua porradaria de thrash puríssimo, calcado na velha escolha teutônica, transformou o recinto num manicômio total - se nos Muzzarelas o pessoal agitava na roda ainda com um pouco de timidez, aqui os stagedives viraram uma verdadeira várzea. Sonzeira contagiosa como os temas de suas letras, mandaram quase o "Chemical Assault" inteiro, com a moçada gritando todas as letras… como dá gosto ver show assim, com interação absurda do público! Rendeu até mesmo elogios rasgados do pessoal do Municipal durante a apresentação desses, dizendo que iam sequestrar os candangos pra roubar uns riffs thrash. Precisão e carisma absurdos, não tem como errar no show dos caras!

Na sequência vieram os americanos do WarCry, que eram uma grande incógnita para quase todos - o que me inclui. Dei uma pesquisada no MySpace e saquei que faziam um punk hardcore, nada mais, e um amigo de Belo Horizonte e o Bruno da Criminal Attack Records elogiando bastante. Como a maioria do público era thrasher e tínhamos ouvido um boato que os caras não tocariam, ficamos na expectativa. Felizmente subiram ao palco, plugaram os instrumentos e revelaram-se uma excelente surpresa nesta noite: forte pegada de hardcore finlandês, que logo incentivou o povo a pogar. Destaque total pra baixista, que toca com um punch surpreendente e com presença de palco tão marcante quanto a do vocal… com certeza agradaram e devem conquistar maior espaço em nossa terra, uma vez que a Criminal Attack está lançando o último petardo dos caras, "When Comes the End?", aqui no Brasil - confira!

Fechando a noite cercados de expectativa, os caras do Municipal Waste entraram no palco e cara, de boa: posso afirmar com absoluta convicção que esse foi um dos melhores shows que meus cansados olhos testemunharam nesses 22 anos dedicados ao Metal. Já tinha visto vídeos impressionantes no YouTube de shows do quarteto, mas estar lá no meio da guerra é outra coisa totalmente diferente. Foi uma "guerra" desenfreada, só faltaram mesmo pranchas de bodyboard como nos shows lá fora… a única comparação que consigo fazer é com o histórico show do D.R.I. em 1990, no finado Projeto SP: rodas incessantes, stagedives sem parar, o povo se esgoelando todos os sons, walls of death moedores, incrível. 'Sadistic Magician', 'Black Ice', 'Unleash the Bastards', 'The Thrashin' of the Christ', 'Headbanger Face Rip', 'Terror Shark', 'Blood Drive', mandaram um coice atrás do outro com um fôlego impressionante, sempre interagindo em total comunhão com a platéia - foi um show pra lavar a alma de qualquer thrasher!

O saldo da noite foi mais do que positivo, até porque muita gente tinha dúvida se compareceria um público legal devido à mudança de local meio em cima da hora - e a galera de Vinhedo e região provou toda sua força, praticamente lotando a casa (que aliás, estava com um som excelente) e fazendo uma verdadeira festa, intensa e sem violência alguma. Quem compareceu pode se orgulhar de ter visto um espetáculo ímpar, feito por músicos e público extremamente apaixonados por sua música: provando uma vez mais que um show, para ser memorável, não precisa de fogos, luzes de Maracanã, toneladas de som e, muito menos, ser feito por medalhões - tanto que os americanos ficaram confraternizando com os fãs até tarde.

Enfim, mais um ponto para o underground do interior paulista! Veja por si mesmo um dos momentos desta insana noite, no vídeo abaixo (com direito a um vôo deste redator aos 1:36)!

Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube
Quer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Thrash Metal
Os 10 melhores discos do século 21, segundo o Loudwire

Loudwire: os dez melhores álbuns de thrash metal do século 212017: veja lista com 10 álbuns que completam 10 anosTodas as matérias e notícias sobre "Municipal Waste"

Thrash Metal
Os 10 melhores discos do século 21, segundo o Loudwire

Thrash Metal
Dez novas promessas, incluindo uma brasileira

Municipal Waste
Banda lança violentíssima camisa em homenagem a Donald Trump

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Todas as matérias da seção Resenhas de ShowsTodas as matérias sobre "Municipal Waste"

Keith Richards
Colocando Justin Bieber em seu devido lugar

Lars Ulrich
Ele deu mijo de Zakk pros fãs beberem?

Slipknot
Corey Taylor abandona os palcos se o Guns se reunir

Anthrax: "AC/DC e Iron Maiden são os culpados"Black Sabbath: Tony Iommi explica como tocar "Paranoid"Gwar: vocalista dispara contra Dave MustaineDream Theater: Jordan Rudess quase tocou no The Wall, do Pink FloydSlash: ele pira com a série de games "Forza Motorsport"Wasp: por que Lemmy nao queria Chris Holmes no Motörhead?

Sobre Glauco Silva

36 anos, solteiro, estudou Linguística e Engenharia de Alimentos na UNICAMP. Tem sua sobrevivência (CDs, cigarro e cerveja) garantida no trabalho em uma multinacional. Iniciado no Metal em 1988, é baixista/vocal do LACONIST (Death Metal) e acredita fielmente que o SARCÓFAGO é a melhor banda do universo.

Mais informações sobre Glauco Silva

Mais matérias de Glauco Silva no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online