Resenha - Leoni (20 e Poucos Anos, Fortaleza, 04/10/2003)

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Por Taís Bleicher
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Alguns amigos residentes em Fortaleza tiveram, há algum tempo, a idéia de fazer uma festa que resgatasse algo da década de 80. Surgiu a festa temática “20 e poucos anos”, que consiste basicamente no seguinte: a entrada de pessoas na festa só é permitida aos maiores de 20 anos. A identidade é obrigatória. Lá dentro, rolam músicas que embalaram a geração. Em telões, ficam passando imagens de brinquedos, seriados, personagens famosos dos anos 80. Durante a noite, acontece um show de alguma banda ou cantor da época.

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A receptividade à festa foi total. O clima é de nostalgia. As pessoas dançam coreografias tais quais as da década, olham nos telões e se regozijam em reconhecer tudo o que fez parte de sua infância. Ouve-se as exclamações: Olha, eu tinha (a boneca Moranguinho, por exemplo)!!!

Os shows costumam ser de pessoas que já estão longe da media (e, portanto, devem ter um cachê bem menor). O clássico Léo Jaime e a esquecível banda “Hanoi Hanoi” já se apresentaram no evento.

No último quatro de outubro, a vez foi do cantor Leoni. Pela segunda vez, ele traria à Fortaleza o seu show “Áudio-retrato”, de divulgação do CD de mesmo nome. Sobre isso, ele comentou, em tom de brincadeira, que tanto gosta de tocar aqui que estava pensando em morar na cidade. Tentando agradar o público, a verdade, descobrir-se-ia depois, é que Fortaleza muito teria a ganhar com o novo morador.

Note-se que não era um “Show do Leoni”. Era uma “festa 20 e poucos anos” e não importava muito quem iria subir ao palco. Entretanto se via, nas pessoas (sempre alegres) que freqüentam a festa, coros entoando “Garotos II”. Provavelmente, se fosse pedido que cantassem outra música do cantor, elas não conseguiriam se lembrar.

Tudo bem. Leoni entrou no palco e, a cada música que cantava, espanto: era conhecida!

Aos desavisados, ficava a pergunta: Mas por quê ele estava cantando “Exagerado”, do Cazuza? Foi exatamente como uma forma de “reintegração de posse” que o show nos pareceu, e foi o intento do próprio cantor. Muito justo. Outras famosas canções leonianas se seguiram, tanto da fase em que o cantor era do Kid Abelha, quanto dos Heróis da Resistência e de sua carreira solo.

Entre as músicas lançadas enquanto fazia parte do grupo Kid Abelha, destacou-se a versão de Leoni de “Fixação”. É como se o arranjo dado pelo compositor trouxesse uma tensão que aproxima muito mais a música de sua letra. Traduz com uma singular exatidão a patologia que é retratada.

Dos Heróis da Resistência, Leoni cantou “Nosferatu”, “Esse outro mundo” e “Só pro meu prazer”. Com isso, reaproximou o público da extinta banda, uma vez que tão belas composições (como “Esse outro mundo”) não eram conhecidas da maioria da platéia.

Era a “reaproximação” também um dos intentos do cantor. Reaproximar-se do público, tocar em lugares menores, criar um clima intimista. Embora a festa “20 e poucos anos” não tenha uma organização espacial própria para isso, foi assim que se sentiram os que realmente queriam apreciar o show. Era possível se aproximar do palco, dançar, sentir-se “em casa”. Nenhum tumulto. Completando o clima de diálogo, Leoni contava as histórias de várias músicas.

Foi com essa atenção que tratou as possivelmente mais belas canções de seu show e CD. Ao apresentar “Temporada das Flores”, contou que, antes da versão de “Áudio-retrato”, ela havia sido rejeitada por Babi e Ana Carolina. A música era uma espécie de “patinho feio” até que, depois de vários arranjos tentados, entrou num CD ao vivo de Daniela Mercury. A música ganhou uma versão do próprio Leoni em seu disco solo anterior, “Você sabe o que eu quero dizer”. O disco é de selo independente, e, como disse o próprio cantor, foi o mesmo que não ter lançado. Agora, entretanto, ela teve o tratamento que merecia.

Sobre a única música inédita de seu CD, “Canção para quando você voltar”, Leoni contou a seguinte história: a melodia havia sido trazida por Herbert Vianna, na véspera de seu acidente de Ultraleve. Herbert queria fazer dela a grande balada de seu novo CD. Leoni disse que, com o acidente, esqueceu completamente da música. Um mês depois, Herbert ainda estava em coma, Leoni entendeu que tinha uma espécie de missão em colocar a letra naquela melodia. Assim nasceu “Canção para quando você voltar”, que foi feita em homenagem ao Herbert, mas como disse Leoni durante o show, fala de amizade.

Finalmente, pudemos entender que o convite a Leoni na festa “20 e poucos anos” com certeza agradou aos dois. Além de fazer a festa melhor, deu a chance aos que não conheciam a obra do cantor, de fazer esse primeiro contato. Ainda com a atenção que lhe é peculiar, o cantor fez o mimo de autografar os CDs que foram comprados na noite e conversar brevemente com os que lhe procuraram depois do show.

Quanto ao CD, este se diferencia do show apenas em suas participações especiais. Dinho Ouro Preto foi convidado para cantar “garotos II – o outro lado” e, a impressão que dá, mesmo aos fãs do Dinho, é que esta música já era tão perfeita em sua primeira versão, que Dinho vem a “atrapalhar” um pouco. Léo Jaime, por sua vez, enriquece bastante a versão de “Lágrimas e Chuva”. Já “Canção para quando você voltar” conta com a participação do próprio Herbert Vianna, que segundo Leoni disse no show, emocionou-se muito com a letra que a melodia recebeu e logo se ofereceu para cantá-la ao lado de Leoni. No CD, a música termina com o seguinte mantra: “Om Mani Padme Hung”, que, conforme o encarte, “estimula a compaixão e a cura, protege dos sofrimentos terrenos, purifica o karma ruim, os maus hábitos e as impurezas dos seres”. Encaixa-se perfeitamente com “Canção para quando você voltar” e apenas a faz mais linda, em melodia e intenção.

O CD “Áudio-retrato” também traz o seu próprio mimo aos fãs. As músicas já estão todas cifradas no encarte. Convite a que passeie com os bons tocadores de violão, pelos dias e pelas noites.

O que podemos dizer, afinal, de show e CD “Áudio-retrato”, é que para além de, em si, ser um agradabilíssimo trabalho, é também convite para que se mergulhe nos discos anteriores de sua carreira solo, e que sejam dados votos de confiança aos trabalhos que virão.

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