Resenha - Ghost Opera - Kamelot

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Resenha - Ghost Opera - Kamelot


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Conversando com alguns amigos, todos fãs de heavy metal, e dando uma olhada em diversos fóruns/comunidades dedicados ao gênero, fiquei tranqüilo ao perceber que não fui o único que se surpreendeu tão positivamente com “Black Halo”, abrindo de uma vez os olhos para o real potencial dos estadunidenses do Kamelot e percebendo-os de fato. Seu sucessor, “Ghost Opera”, é uma produção requintada e impecável, que mantém o estilo e a grandiosidade do anterior – e que marca a ferro e fogo, de uma vez por todas, o seu merecido espaço no cenário metálico mundial.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Em entrevista concedida a este que vos escreve no portal AOL.com.br, o tecladista da banda italiana Rhapsody (of Fire), Alex Starapoli, descreveu o tipo de som que eles fazem como sendo “film score metal” – ou, em tradução literal, “metal trilha sonora de filme”. Aquele tipo de heavy metal que lembra claramente as trilhas épicas de peliculas como “O Senhor dos Anéis” ou “As Crônicas de Nárnia”. Pegando carona neste formato de nomenclatura, por mais bizarro e fora de contexto que ele pareça, só consigo descrever o tipo de sonoridade praticado pelo Kamelot em seus últimos dois discos como sendo “Andrew Lloyd Webber Metal”. E isso é um baita dum elogio, acredite em mim (embora saiba que alguns devam xingar meus parentes mais próximos, mas isso faz parte da profissão).

Se, logo na primeira audição de “Black Halo”, já tive a impressão de estar ouvindo uma espécie de “musical acompanhado por uma banda de heavy metal”, a coisa ganha proporções ainda mais interessantes neste “Ghost Opera”. A límpida e cristalina (porém agressiva) voz de Roy Khan, acompanhando as melodias intrincadas do guitarrista Thomas Youngblood, parece estar sempre interpretando um personagem em uma espécie de diálogo cantado. A teatralidade inerente a esta nova proposta sonora do Kamelot os torna muito mais uma “metal opera”, pelo menos conceitualmente, do que um “Avantasia”, por exemplo (e olha que eu gosto deveras do projeto solo de Tobias "Edguy" Sammet).

Distantes do que se esperaria de rótulos como speed metal, power metal ou metal melódico (você consegue dizer a diferença com precisão, sem pensar duas vezes?), estes músicos da Flórida praticamente desenvolveram um novo sub-gênero dentro do universo metal.

Depois da pequena e soturna introdução "Solitaire", com seu violino triste e solitário (com o perdão do trocadilho previsível), o Kamelot abre a bolacha com a cadência de "Rule The World" e suas guitarras distorcidas, seguida imediatamente pela ótima faixa-título - rápida, furiosa, pesada e ao mesmo tempo repleta de sutileza e dramaticidade tamanhas que, no refrão, imagina-se claramente o frontman, com roupas cheias de babados, cantando e fazendo gestos interpretativos para uma repleta platéia do século XIX pedindo bis. O Fantasma da Ópera não faria melhor.

Apesar de todo o refinamento, não me entenda mal e vá pensando que o Kamelot afinou. A crueza do heavy metal está sempre lá, bem potente e presente, bateria cheia de testosterona em ação, guitarras berrando alto, baixo com forma e tamanho - basta ouvir a cozinha de "Up Through The Ashes", o solo de guitarra de "EdenEcho" ou a introdução de "Silence Of The Darkness", espécie de continuação direta de "When The Lights Go Down" em tema e também na combinação sonora.

Mas a diferença é que este heavy metal de "Ghost Opera" está sempre devidamente temperado com algum tipo de experimentação. Que tal os corais de "The Human Stain", a aspiração gregoriana/new age de "Mourning Star", os vocais femininos líricos misturados à demoníaca voz eletrônica em "Blücher", as cordas de inspiração asiática de "Love You To Death", o tristonho piano clássico e a verdadeira orquestra de "Anthem"...? Espere de tudo em "Ghost Opera", menos o óbvio.

Talvez esta nova proposta sonora que o Kamelot adotou desde "Black Halo", uma espécie de virada na carreira dos caras, não agrade totalmente aos que estavam acostumados com o tipo de música que eles faziam no início de sua discografia. Perfeitamente normal. Mas o fato é que, cada vez mais, a banda se distancia de tantas e outras contemporâneas com as quais era freqüentemente comparada, formando a sua própria cara sem medo de experimentar e seguir por direções até então inexploradas. A palavra é "evolução", e já usei a danada muitas vezes por aqui. Só por isso, eles já mereceriam meus parabéns.

Line-Up:
Roy Khan - Vocal
Thomas Youngblood - Guitarra
Glenn Barry - Baixa
Casey Grillo - Bateria
Oliver Palotai – Teclado

Tracklist:
1. Solitaire
2. Rule The World
3. Ghost Opera
4. The Human Stain
5. Blücher
6. Love You To Death
7. Up Through The Ashes
8. Mourning Star
9. Silence Of The Darkness
10. Anthem
11. EdenEcho

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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