Kamelot: navegando para outros mares
Resenha - Ghost Opera - Kamelot
Por Ricardo Seelig
Postado em 20 de junho de 2007
Nota: 8 ![]()
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Em 2005, o Kamelot lançou o seu melhor disco. "The Black Halo" representa para a banda o que "Master Of Puppets" é para o Metallica, "Reign In Blood" para o Slayer e "The Number Of The Beast" para o Iron Maiden. Com este álbum, o Kamelot subiu vários degraus, e passou a ser visto com outros olhos pelos fãs e pela mídia.
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E agora, o que fazer depois de um estouro desses, de conseguir chegar a um nível de qualidade tão elevado? A resposta está no novo trabalho dos caras, "Ghost Opera". As características mais marcantes de "The Black Halo", e também dos anteriores "Epica" e "Karma", foram mantidas, e não poderia ser diferente. Estão lá as linhas vocais emocionais de Roy Khan, criando melodias singulares, assim como o criativo trampo de guitarra de Thomas Youngblood, usando o seu virtuosismo a favor da musicalidade das canções. Gleen Barry e Casey Grillo solidificam ainda mais uma das melhores cozinhas da música pesada, e, complementando tudo isso, o tecladista Oliver Palotai constrói camadas que ora dão ainda mais peso à guitarra de Youngblood, ora inserem nuances que preenchem de forma inteligente as composições.
Os refrãos marcantes, uma das marcas mais evidentes do som do grupo, continuam em evidência. Isso já fica claro em "Solitaire", que abre o álbum com classe. A faixa seguinte, "Rule The World", parece saída das sessões de "The Black Halo", tamanha a similariedade com aquele álbum.
A cadenciada "The Human Stain" aposta em mudanças interessantes de andamento e clima, destacando a bela voz de Khan, enquanto a épica faixa título e "Blucher" unem com perfeição poderosos riffs de guitarra a dramáticas passagens de teclado. A linda balada "Love You To Death" é um dos destaques de "Ghost Opera". Passagens de violino enriquecem a canção, que também conta com uma ótima performance de Palotai.
Como havia ocorrido em "The Black Halo", o Kamelot mantém o seu ponto de vista e investe mais nas melodias e nas estruturas das composições do que em andamentos mais acelerados, o que torna a sua música, na minha opinião, diferente e muito mais interessante do que grupos similares, que ainda investem em um metal melódico mais ortodoxo. Apesar de que classificar o Kamelot como melódico é ser simplista demais, já que sua música está caminhando cada vez mais para outros mares, sendo o principal deles o prog metal.
Tecnicamente, "Ghost Opera" apresenta uma ótima produção, bastante similar ao último trabalho do grupo. Individualmente o destaque maior é o vocalista Roy Khan, apesar de todos os integrantes fazerem com perfeição o seu trabalho.
A principal diferença em relação a "The Black Halo", e que talvez gere discussões entre os fãs, é que as canções de "Ghost Opera" não possuem um apelo tão imediato quanto s daquele disco. Ao ouvir "The Black Halo", o ouvinte se empolgava a cada faixa, enquanto que em "Ghost Opera" as música vão revelando sua força a cada nova audição. Os mais ansiosos podem, assim, pré-julgar o trabalho de maneira errada.
Concluindo, o Kamelot não faz feio em "Ghost Opera", aliás está muito longe disso. Não é um discaço como "The Black Halo", mas mesmo assim ainda é muito melhor do que a maioria do que se anda fazendo no heavy metal atual.
Faixas:
1. Solitaire
2. Rule The World
3. Ghost Opera
4. The Human Stain
5. Blucher
6. Love You To Death
7. Up Through The Ashes
8. Mourning Star
9. Silence Of The Darkness
10. Anthem
11. Edenecho
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