O álbum que acidentalmente tornou Glenn Danzig um dos precursores de dungeon synth
Resenha - Black Aria - Glenn Danzig
Por Fernando Claure
Postado em 05 de abril de 2024
Em 1992, Glenn Danzig lançou o seu primeiro disco solo, "Black Aria". Apesar de ter sido um sucesso, a música veio a ser algo totalmente diferente do que qualquer outra coisa que ele havia feito. Para a Revolver Magazine, o Elvis do Mal declara: "Eu coloquei um aviso para que as pessoas saibam que este não é um álbum normal do Danzig. Estava escrito ‘Glenn Danzig’. Não custou muito para gravar. Pode ser que a arte tenha [custado mais caro] que a gravação e acabou ficando em primeiro na lista de música clássica da Billboard, o que me surpreendeu e eu acabei vendendo várias cópias".


Ideias para "Black Aria" começaram a ser gravadas em 1987, um ano antes da estreia do Danzig pela American Records de Rick Rubin. Glenn Danzig sempre teve olhos para temas tenebrosos, mas a maioria dessa criatividade ficava nas letras das músicas, enquanto os instrumentais eram escritos nas entrelinhas do heavy metal, blues e punk hardcore. Ao longo do tempo em que esteve com a American Records, Glenn começou a obter mais e mais liberdade criativa nos álbuns, chegando a ser quase que o produtor solo do terceiro álbum da banda. Mas mesmo assim, para criar "Black Aria", o projeto teria que ser totalmente autônomo, sem Rubin, John Christ, Eerie Von e Chuck Biscuits. Era uma aventura solo. O LP foi lançado pelo selo Plan 9 Records, fundado pelo próprio Glenn Danzig. A distribuição foi feita pela Caroline Records, que trabalhou com Glenn na época dos Misfits e do Samhain.

O álbum foi lançado em 1992 e era algo completamente diferente. Glenn Danzig era conhecido pela sua voz e estilo de canto parecidos com Elvis e John Morrison, o que surpreendeu ainda mais os ouvintes que compraram e se depararam com um projeto instrumental. A categorização então foi ainda mais complicada. O álbum conseguiu atingir uma marca alta na lista da Billboard de música clássica, mas muitos consideram o álbum como dark wave e dungeon synth. Vale ressaltar que dungeon synth é um gênero derivado do black metal, ou seja, um subgênero do subgênero.
As primeiras seis músicas formam uma narrativa separada das três finais, isso porque suas temáticas estão em seus títulos. A primeira parte se refere à obra Paradise Lost, do poeta John Milton, publicada em 1667. O poema se baseia em personagens do cristianismo, sendo dividido em duas narrativas: uma na visão de Lúcifer (Satã) e a outra na visão de Adão e Eva. A história começa com Lúcifer a partir do momento em que ele é banido do céu até o momento de guerra entre seu exército contra as forças angelicais e a execução de seu plano para corromper o mundo de Deus e suas novas criações: Adão e Eva. Compondo as três últimas faixas, Danzig escolheu cada uma para se referir a um monstro mitológico diferente. "Shifter" é sobre lobisomens, "The Morrigu" aborda a rainha celta da morte e a última, "Cwn Annwn", não é uma interjeição de gemido, mas sim os cães do submundo de Annwn, ambos da mitologia galesa.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | A primeira faixa, "Overture of The Rebel Angels", abre o LP com um tom épico e dramático, mas sem muitos agudos, se apoiando em batidas de chimbal explosivas. Tirando o final de "Overture" e a quarta música "Retreat and Descent", a narrativa baseada em "Paradise Lost" forma um conjunto dramático e obscuro, mas sem muitas emoções cativantes.
Na segunda temática do álbum, referente às mitologias grega, celta e galesa, o tom começa a mudar. A sétima música, "Shifter", possui uivos de lobos no fundo e um instrumental sinistro como um lobisomem se aproximando. Em seguida, a faixa mais longa do projeto, "The Morrigu" começa com um sintetizador espectral que vai se intensificando aos poucos com batidas de sinos que criam uma atmosfera intimidadora, mas que não se distancia muito disso. "Cwn Anwnn" é a última música e é a mais criativa do projeto. O arranjo pega todas as características das faixas prévias e as amplifica. Intensidade e temor são embutidas no formato de sintetizadores ininterruptos, que desenvolvem um ambiente assustadoramente sereno.


Ao ouvir o álbum, é possível fazer uma conexão que algumas bandas de dungeon synth como Old Nick e Mortiis rejeitam, mas que é inevitável perceber as similaridades: a música é muito parecida com as trilhas sonoras de RPGs e outros jogos com estéticas fantasiosas da década de 1990. Para qualquer um que seja familiarizado com jogos como Elder Scrolls, Chrono Trigger, Legacy of Kain e Final Fantasy, é impossível não associar o álbum com esse gênero e época de jogos eletrônicos, seja isso uma coisa boa ou ruim.

Apesar de tudo, o álbum traz uma experiência diferente e interessante para quem não é familiar com esse tipo de música, marcando a primeira aventura de Danzig fora do escopo do heavy metal e do punk. Vale lembrar que o LP é curto, chegando apenas a 23 minutos e 47 segundos de duração total, o que pode ser decepcionante, mas para uma introdução a um gênero tão obscuro e o primeiro projeto individual de Glenn Danzig, o projeto entrega algo que poderia ter sido pior. 5/10.

Instrumentos: Glenn Danzig
Vocais de fundo: Reneé Rubach e Janna Brown
Produção: Glenn Danzig
Selo: Plan 9
Tempo: 23min e 47s
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