Metallica: Nem mesmo as falhas diminuíram a grandeza do show
Resenha - Metallica (Rock In Rio, Rio de Janeiro, 19/09/2015)
Por Marcelo Prudente
Fonte: Território da Música
Postado em 23 de setembro de 2015
Contar quantas apresentações a banda americana, Metallica, fez no Brasil nos últimos tempos é uma contabilidade que faz os entusiastas do som do maior pilar do thrash metal abrirem um sorriso de orelha a orelha. E a coisa fica ainda mais especial quando as apresentações são parte do menu do maior festival brasileiro, Rock in Rio.
Em sua terceira edição seguida no festival, James Hetfield (voz e guitarra) & cia - Lars Ulrich na bateria, Kirk Hammet na guitarra e Rob Trujillo no baixo) trouxeram parte do supra-sumo de sua carreira, o que foi mais que suficiente para que o numeroso público superasse o cansaço e pouco se importasse para calor escaldante que cismava drenar a energia de quem tivesse a audácia de pular para cima de qualquer mosh pit.
Com "Fuel" começam os trabalhos e logo vem a enigmática e pesada ‘For Whom the Bell Tolls’. "Battery" pode se dar ao luxo de constar no setlist do apocalipse mundial, visto a avalanche sonora de pura fúria que saía dos PAs. Uma pausa para respirar e dar boas vindas ao público e logo se vê o quanto Sir. Hetfield é aquele raro caso no qual o indivíduo tem a manha de fazer bem seu trabalho - que é tocar e cantar - e tem carisma de sobra que o coloca num patamar acima de muitos pseudo-rockstars.
Apontar deslizes ou descuido nas apresentações da banda é uma tarefa inglória, mas, infelizmente, mesmo com as engrenagens tão azeitadas a execução do clássico "Ride the Lightning" ficou prejudicada pela ausência do som em dois momentos seguidos, o que levou os americanos abandonarem, por breve momento, o palco, gerando visível descontentamento nos músicos.
Sanada a escorregadela, a banda se retratou com canções do quilate de "Sad But True", "Master of Puppets", "One", "Fade to Black", "Seek and Destroy" e "Wherever I May Roam", que fizeram o público evaporar de suas lembranças quaisquer resquícios de problemas técnicos e prestigiar uma das maiores identidades da música pesada em atividade.
Na contramão das apresentações anteriores, a banda optou por uma produção de palco um tanto diferente, sem fogos ou efeitos especiais, mas deveras especial, com alguns felizardos fãs assistindo ao show em cima do palco, bem pertinho de seus heróis, e, lógico, servindo também de "ornamentação" do espetáculo.
Para o último ato da noite, a banda cumpre a cartilha de ficar na zona de conforto e dar aos fãs o que querem: clássico. Então, nada mais óbvio que sacar temas do teor de ‘Nothing Else Matters’ e ‘Enter Sadman’.
Com pouco mais de duas horas de show, o Metallica fez uma apresentação sólida pautada em sua zona de conforto, ou seja, alicerçada por parte de seus maiores ‘hits’. Nem mesmo o descuido de sua produção em deixar o som morrer em certo momento foi responsável em empalidecer o show, tampouco depreciar sua posição de vanguarda no thrash metal mundial.
Rock In Rio 2015
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