O curioso desfecho do álbum The Wall, do Pink Floyd, que pouca gente percebeu
Por Bruce William
Postado em 16 de maio de 2025
O álbum "The Wall", lançado pelo Pink Floyd em 1979, foi a grande realização do conceito que Roger Waters vinha amadurecendo havia anos: um músico em colapso, construindo barreiras emocionais ao redor de si até não conseguir mais se conectar com o mundo. A ideia surgiu após uma turnê desgastante, quando Waters percebeu que se sentia cada vez mais isolado do público e até dos próprios colegas de banda.
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A narrativa gira em torno de Pink, uma espécie de alter ego do autor. O personagem vai aos poucos se fechando: primeiro pela perda do pai na guerra, depois pela mãe superprotetora, pelo sistema educacional opressor, pelo fracasso conjugal e pelos excessos da fama. Cada trauma representa um tijolo no muro que ele ergue para se proteger emocionalmente, até se tornar alguém completamente apático, trancado dentro de si mesmo.
Durante a produção do disco, Waters assumiu o controle quase total do projeto. Não hesitou em afastar Richard Wright, descontente com seu desempenho, e deixou Nick Mason de fora da gravação da faixa "Mother". Apesar da tensão, o resultado foi uma das obras mais ambiciosas da banda, com orquestrações grandiosas e solos de guitarra marcantes de David Gilmour — que seguiu como o principal colaborador de Waters durante o processo.
No clímax da história, Pink se transforma num tirano delirante, encarnando um líder fascista em cima do palco. Isso simboliza a perda completa de contato com a realidade. Mas, em meio a esse delírio, ele passa por um julgamento interno e é forçado a destruir o muro. A canção "The Trial" encerra a narrativa principal com o grito coletivo "tear down the wall!", que leva à melancólica "Outside the Wall".
O trecho final do álbum, no entanto, sugere um ciclo que se repete, pontua a Far Out. O disco termina com a frase "Isn't this...", a mesma que inicia o álbum: "...where we came in?", que juntas significam "Não foi aqui que começamos?". É um retorno ao começo, como se tudo fosse acontecer novamente.
Roger Waters nunca confirmou um desfecho definitivo. Segundo ele, a história de Pink pode ser lida de duas formas: ou ele realmente se liberta e reencontra a empatia, ou está preso num loop interminável, condenado a repetir seus erros para sempre. No contexto da história de Pink, isso pode significar que, mesmo depois de destruir o muro, ele talvez nunca tenha escapado de fato — e esteja fadado a reviver tudo de novo. É como se a jornada emocional e psicológica dele não tivesse fim.
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