A corrente filosófica do domínio das paixões que ajudou Andreas Kisser a lidar com a dor
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de julho de 2025
Conhecido pelo peso das guitarras no Sepultura e por sua contribuição ao metal mundial, Andreas Kisser tem mostrado uma faceta mais introspectiva nos últimos tempos. Em entrevista ao podcast Bucket List, o músico falou abertamente sobre o luto após a perda de sua esposa, Patricia Perissinotto, e revelou como encontrou amparo na filosofia estóica — em especial, nos escritos do pensador romano Sêneca.
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Durante a conversa, Andreas comentou que passou a receber e procurar livros que tratam da morte, da eutanásia e da finitude de forma profunda e sensível. Um dos destaques foi "O Último Abraço", livro baseado em uma história real sobre um casal da zona leste de São Paulo. "A mulher começa a adoecer com Alzheimer, e o marido, já sem forças, fabrica uma bomba caseira. Os dois se abraçam e explodem. Uma história pesada, mas real", contou. O livro foi presente do diretor Otávio Juliano, que convidou Kisser para compor a trilha sonora da adaptação cinematográfica.
No entanto, foi na filosofia que Andreas encontrou um norte para compreender o sofrimento. "Tenho lido muito Sêneca. Ele já falava disso há muito tempo, nas cartas que escrevia para as pessoas. Sobre suicídio, sobre a vida, sobre como lidar com a dor. É uma visão atemporal", destacou. O guitarrista também criticou o papel das religiões e ideologias que, segundo ele, mais confundem do que ajudam: "Nos deixam perdidos e com medo. Medo do desconhecido. E vem um cara lá da Roma antiga que já encarava tudo isso de frente. Isso devia estar na nossa educação desde cedo."
Kisser destacou a importância de abordar temas difíceis como a morte e o luto sem tabu. "Quando chega a hora, precisamos ter mais condições de lidar com isso. Não tem segredo", afirmou. Em tom emocionado, ele encerrou sua participação escrevendo uma lista de desejos em uma agenda simbólica do programa — uma espécie de cápsula do tempo que se tornará livro futuramente.
Confira a entrevista completa abaixo.
O que é o estoicismo?
De acordo com o site do Brasil Escola, o estoicismo é uma das correntes filosóficas mais marcantes do mundo antigo, tendo surgido em Atenas por volta de 300 a.C. com o cipriota Zenão de Cítio. O nome da escola vem da palavra grega "stoa", que significa "pórtico", local onde Zenão debatia com seus discípulos.
Com uma forte influência da herança socrática, o estoicismo se expandiu por três fases distintas, indo da Grécia para Roma e moldando o pensamento de figuras como Marco Aurélio e Sêneca. "Sua principal proposta ética está na prática da virtude por meio do domínio das paixões, encarando a filosofia não como teoria, mas como um exercício diário de racionalidade e aceitação do destino", diz o texto.
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