Morte de esposa de Andreas Kisser influenciou decisão do Sepultura de fazer turnê de despedida
Por Bruce William
Postado em 10 de novembro de 2024
Durante entrevista para a Loud TV da França, Andreas Kisser foi questionado se a morte da esposa, Patricia Perissinoto Kisser, influenciou na decisão do Sepultura de fazer uma turnê de despedida. "Sim, certamente. Definitivamente", respondeu o guitarrista, conforme transcrição feita pelo Blabbermouth.
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"A morte da Patricia, minha falecida esposa, foi há dois anos e meio, [devido ao] câncer. O processo foi muito doloroso, muito difícil, como podemos imaginar, mas tem sido uma experiência de autoconhecimento, para conhecer minha família, novas oportunidades de falar sobre a vida por causa da morte", prossegue Andreas. "Para morrer, o Brasil é um dos piores lugares. Muitas pessoas são esquecidas pela sociedade, enfrentando os mesmos problemas com câncer e doenças muito difíceis. E eu criei esse movimento para inspirar e estimular as pessoas no Brasil a falarem sobre a morte de várias formas, sobre eutanásia, suicídio, suicídio assistido, sobre cuidados paliativos, especialmente, porque no Brasil ainda estamos crescendo nesse aspecto. Minha esposa recebeu cuidados paliativos e tudo mais."
Andreas reconhece que eles são privilegiados por ter acesso a planos de saúde e poder arcar com os custos dos tratamentos. "Mas a maioria das pessoas no Brasil não tem isso. Então começamos esse movimento, essa campanha, um festival [Patfest], também um festival de música que já realizamos por dois anos. Acabei de fazer a terceira edição agora para arrecadar fundos para quem oferece cuidados paliativos nas favelas do Rio, para as pessoas muito pobres que são esquecidas pela sociedade e, ao mesmo tempo, incentivar as pessoas a falar sobre a morte. Aprendi que a morte é minha maior professora. Estou aprendendo muito sobre a vida porque respeito a finitude. Não podemos controlar isso. Todos nós vamos morrer. Você vai morrer. A câmera vai morrer. [Risos] Qualquer aparelho eletrônico vai eventualmente parar de funcionar. É isso. Não podemos escolher. O que podemos escolher é viver o momento. A intensidade do presente é muito mais forte se você respeita a finitude."
Por fim, o guitarrista do Sepultura explicou ainda: "Se você vai a um filme e ele não tem fim, não há sentido, não há mensagem. Um livro, qualquer coisa que você faça na vida, um trabalho, essa entrevista, precisamos terminar. Pensamos [em] fases - início, causa e efeito; início, meio e conclusão. E essa é a vida. Vamos respeitar isso. Não vamos tentar viver para sempre, IA, robôs, todas essas coisas. Vamos ser humanos e respeitar a finitude, respeitar a morte."
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