As três grandes injustiças históricas do Rock in Rio 1985, segundo Guilherme Arantes
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de agosto de 2026
O primeiro Rock in Rio, realizado em janeiro de 1985, é lembrado como um divisor de águas na história dos festivais brasileiros. Queen, AC/DC, Rod Stewart e Iron Maiden no mesmo palco, mais de um milhão de pessoas ao longo de dez dias. Mas para Guilherme Arantes, que morava em frente ao Rio Palace - hotel onde ficavam hospedadas as bandas internacionais -, o festival também guarda memórias de erros que nunca foram corrigidos. Em entrevista ao canal Corredor 5, o compositor listou três ausências e escolhas equivocadas que, na sua avaliação, marcaram negativamente a edição inaugural.

O primeiro nome que Arantes cita é o de Ritchie. Para o compositor, o cantor era "o number one do pop brasileiro naquela época" e a sua ausência no lineup teve consequências diretas na trajetória do artista. "A carreira dele poderia ter tido uma consagração naquele momento. Acho uma injustiça histórica", afirmou. Ritchie havia lançado "Menina Veneno" em 1983 e vivia o auge da popularidade quando o festival aconteceu - exatamente o momento em que uma apresentação daquele porte poderia ter projetado ainda mais o seu nome.
O segundo caso é o que Arantes defende com mais veemência: a ausência do Roupa Nova. Para ele, a banda carioca não só deveria ter estado no primeiro festival como merecia ser presença regular nas edições seguintes. "Roupa Nova deveria ser uma atração mais fixa do que a Ivete Sangalo", declarou. A lógica, segundo o compositor, é direta: "É a nossa banda pop que tem todas as características para agradar muito. Pode fazer um show para um milhão de pessoas no Rock in Rio." Arantes foi além e afirmou que uma apresentação do grupo seria "o maior show de toda a história do Rock in Rio". Vale lembrar que o Roupa Nova assinou o tema oficial do festival - e nunca foi convidado a cantá-lo no palco.
O terceiro erro, na avaliação de Arantes, não é uma ausência, mas uma escalação equivocada. Erasmo Carlos foi colocado na noite dedicada ao heavy metal, quando o lineup era dominado por bandas do gênero. "Botar o Erasmo na noite dos metaleiros para cantar 'Mulher, Mulher do Barro que Você Foi Gerada'... isso é uma maldade, uma falta total de profissionalismo", disse o compositor. Segundo ele, o cantor teria se encaixado muito melhor na noite em que se apresentou James Taylor - um contexto mais afinado com seu repertório e com o público que o acompanhava.
Para Arantes, os três casos revelam um problema de curadoria que, na sua visão, o Rock in Rio nunca superou de fato. Sobre o festival hoje, o compositor foi lacônico: "Se transformou num parque temático, numa praça de alimentação. Eu lamento."
Confira a entrevista completa abaixo.
Rock In Rio 1985
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