O álbum em que John Fogerty "se virou nos trinta", gravando todos os instrumentos
Por Bruce William
Postado em 14 de agosto de 2026
Quando o Creedence Clearwater Revival chegou ao fim em meio a brigas e ressentimentos, John Fogerty encontrou uma maneira bastante peculiar de seguir adiante: criou outra banda. O detalhe é que essa nova banda tinha cinco integrantes na capa e apenas um no estúdio.
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Lançado em 1973, "The Blue Ridge Rangers" confundiu muita gente justamente porque o nome de Fogerty não aparecia na capa. A arte mostrava cinco figuras com aparência de músicos country carregando instrumentos, o que fazia parecer que se tratava de um novo grupo. Na verdade, todas aquelas silhuetas representavam o próprio Fogerty.
Ele cantou, produziu e tocou tudo, passando por guitarra, banjo, pedal steel, bateria, piano, saxofone e outros instrumentos. A única coisa que não fez foi compor o repertório: preferiu gravar 12 versões de músicas tradicionais e clássicos country associados a nomes como Jimmie Rodgers, Hank Williams e Merle Haggard.
"Era meu objetivo, ou meu sonho, fazer um disco com o qual eu ficasse totalmente satisfeito", explicou Fogerty na época. Segundo a Far Out, ele enxergava o trabalho solitário como uma oportunidade de buscar a perfeição depois das tensões que haviam marcado os últimos tempos do Creedence.
Mesmo sem seu nome estampado na capa, o projeto conseguiu algum sucesso. A versão de "Jambalaya" chegou ao 16º lugar nas paradas americanas, enquanto "Hearts of Stone" alcançou a 37ª posição. O álbum entrou no Top 50 da Billboard.
Décadas depois, porém, Fogerty passou a enxergar aquele período de maneira bem menos romântica. Ele ainda estava preso a um contrato que considerava terrível com a Fantasy Records e resolveu acelerar a produção justamente porque devia uma grande quantidade de material à gravadora. "Não sei que espasmo de crueldade mental me fez fazer aquilo. É bizarro demais para mim hoje", recordou.
O mais cruel veio quando a Fantasy informou que The Blue Ridge Rangers não reduziria da maneira esperada sua obrigação contratual. Fogerty lançaria outro álbum solo em 1975 e depois passaria praticamente uma década afastado das gravações. Por isso, aquele estranho disco de uma "banda" formada exclusivamente por ele acabou se tornando também um retrato bastante revelador do período imediatamente posterior ao Creedence.
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