As músicas do Pink Floyd que David Gilmour diz que não vai mais tocar ao vivo
Por Bruce William
Postado em 07 de janeiro de 2026
Quando David Gilmour entrou no Pink Floyd, a banda já estava numa fase de transição pesada, com a situação do Syd Barrett se deteriorando e tudo ficando mais instável. O que veio depois todo mundo conhece: o grupo mudou de eixo, Barrett saiu, e a dinâmica passou a girar em torno de Gilmour e Roger Waters, cada um puxando o som para um lugar diferente.
Durante um bom tempo, essa divisão funcionou. Waters vinha com os conceitos e o lado mais "narrativo", e Gilmour equilibrava com melodias, arranjos e aquela condução mais emotiva nas músicas. A partir daí, o repertório ficou cheio de faixas que são lembradas tanto pelo clima quanto pelo jeito de cantar e tocar - e é justamente aí que mora o problema, décadas depois, quando você reencontra certas letras com outra cabeça.

Gilmour explicou que existem músicas do passado que ele já não se sente confortável em cantar. Ele cita uma em especial, por ser uma faixa que ele gosta musicalmente, mas que hoje tem um peso diferente na hora de interpretar. "Tem músicas do passado que eu não me sinto mais confortável cantando. Eu amo 'Run Like Hell'. Eu amava a música que eu criei para ela, mas todo aquele (canta) 'You'd better run, run, run...' agora eu acho isso tudo... sei lá... meio assustador e violento."
Na sequência, conforme publicado na Far Out, ele amplia a lista e deixa claro que não é um caso isolado. "'Another Brick in the Wall' é outra que eu não vou fazer. Eu acho que eu não fiz isso com a minha banda, mas eu certamente fiz no Pink Floyd pós-Roger, contra o meu melhor julgamento." E ele coloca mais uma no pacote: "A mesma coisa com 'Money'. Eu não vou tocá-la."
O argumento dele, pelo que aparece na fala, não é "não gosto da música" ou "não funciona mais". É mais uma combinação de desconforto com a interpretação, a sensação de que certas canções têm uma agressividade que ele não quer mais vestir no palco, e também uma coisa de autoria: ele diz que pretende ficar com as músicas que ele sente como "essencialmente" dele.
A próxima fala dele confirma esta hipótese: "Eu vou ficar com as que são essencialmente a minha música, e das quais eu sinto que tenho algum tipo de 'posse'. 'Comfortably Numb', 'Wish You Were Here', 'Shine On You Crazy Diamond', talvez..." Ou seja, mesmo quando ele cita clássicos que o público espera, ele está marcando um território: tocar o que ele reconhece como parte do que compôs e do que ele se sente à vontade para cantar hoje.
No fim, isso acaba dizendo bastante sobre o Pink Floyd como banda: muita coisa ali nasceu do atrito entre duas visões e dois jeitos de construir música. Com o tempo, algumas faixas continuam "tocáveis" para ele, outras viraram um lugar desconfortável - e, para um cara que viveu isso por dentro, escolher o repertório também vira uma forma de escolher o que ele quer reviver em público, noite após noite.
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