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Como Pink Floyd entrou nas influências que mudaram o som do The Cure, segundo Robert Smith

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Postado em 07 de janeiro de 2026

Algumas músicas envelhecem por causa do refrão, outras por causa do que elas permitem dizer em voz alta. "Boys Don't Cry" é dessas últimas. E, quando Robert Smith volta a ela décadas depois, o assunto não é nostalgia: é como uma canção antiga continua batendo num nervo bem atual.

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Foto: Midiorama
Foto: Midiorama

Durante conversa com a Rolling Stone em 2019, ele contou que tinha cantado a faixa em Glastonbury "há alguns dias" e percebeu uma "ressonância contemporânea", com "todas aquelas listras arco-íris e coisas voando no meio da multidão". A partir daí, ele fez uma comparação cuidadosa: "Eu pensei que isso mostra o outro lado da moeda em relação ao #MeToo. De jeito nenhum é parecido, mas quando eu estava crescendo havia pressão dos colegas para você se encaixar e ser de um certo jeito."

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Smith puxa isso para um recorte bem específico: "E, como um garoto inglês naquela época, você é incentivado a não mostrar emoção de maneira nenhuma." Só que, segundo ele, isso nunca encaixou: "Eu não conseguia evitar mostrar minhas emoções quando era mais novo. Então eu meio que fiz disso uma coisa grande." E explica o motor dessa teimosia: "Eu pensei: 'Bem, faz parte da minha natureza lutar contra me dizerem para não fazer alguma coisa' - como naquela história do Rock and Roll Hall of Fame - então eu fiz isso ainda mais."

O curioso é que ele não descreve essa exposição como coragem, e sim como necessidade prática. "Eu nunca achei estranho mostrar minhas emoções. Eu não conseguiria continuar sem mostrar minhas emoções; você teria que ser um cantor bem sem graça para conseguir fazer isso." E fecha a ideia sem romantizar: "Então era só uma forma de expressão."

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A entrevista também entra numa virada musical bem nítida do The Cure: depois de "Boys Don't Cry", o grupo foi para um som mais atmosférico. E a explicação dele não é "planejamento de carreira", nem tese sobre estética, é mudança de pessoa e de fase. "Quando chegamos ao fim do período de 'Three Imaginary Boys' com o trio, eu era uma pessoa diferente e queria fazer algo diferente."

Ele diz que tinha "superado aquele trio", queria "tocar teclado" e já estava com outras referências na cabeça. "Eu ouvia Pink Floyd do começo, porque meu irmão mais velho tocava isso o tempo todo." E daí ele cita o pacote de influências que estava puxando para trás e para os lados: "Eu estava revisitando outras influências e pegando coisas como Nick Drake, Pink Floyd e Captain Beefheart."

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A consequência foi simples: "Não precisava ser um trio." A banda foi ganhando integrantes, e "o som ficou maior e mais interessante". Só que ele faz questão de dizer que não largou uma coisa que, para ele, segurou o The Cure quando dava para escorregar no excesso: "Eu nunca perdi de vista a canção pop de três minutos." E completa: "Isso ajudou especialmente em meados dos anos 80, quando poderíamos ter virado uma coisa grandiosa demais. Os singles pop ajudaram a gente a atravessar o que, de outra forma, teria ficado bem pomposo."

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Sobre Bruce William

Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
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