Dpeids: Servindo som dionisíaco a seus ouvintes

Resenha - Mamando na Onça - Dpeids

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Por Mário Orestes Silva
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De vez em quando aparece alguém alegando panfletariamente que o “rock está morto”. Por vezes, essa asneira vem de alguma celebridade do mundo da música, procurando o foco dos holofotes com a polêmica no dito. Mas é no surgimento de novas bandas criativas e cativantes que esta declaração cai por terra. Dentre estas novas bandas criativas, há uma em Manaus que merece todo destaque. Dpeids é um nome hilário e que reflete muito bem o regionalismo de som único que essa molecada cabocla faz. “Mamando na Onça” titula o EP de estréia do grupo formado em 2007 e certamente, que foi o CD mais esperado neste ano de 2014 na capital do Amazonas.
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A primeira faixa é a música “A Canoa e o Banzeiro” que já deixa claro o verdadeiro objetivo da banda, que se resume em cantar e dançar a bebida, o fumo, o sexo e outras maravilhas mundanas com pegada ramoníaca. Na segunda faixa “Samba-Canção”, esta “filosofia” continua, mostrando todo um universo boêmio e muito bem humorado. Até quem não bebe e não fuma, não tem como não dar uns sorrisos com estas letras.

Na terceira posição vem a canção que nomeia o disco. “Mamando na Onça” conta a história verídica onde um grupo de amigos fez uma viagem alucinante pelos rios da Amazônia em direção a um município do interior, para a realização de um show por lá. O detalhe é que a loucura coletiva foi tão intensa, que quase acabou em naufrágio. Passado o susto, só resta a lembrança para gargalhada geral de seus protagonistas.

“A Feira” é a penúltima e quebra o ritmo rocker, com uma levada reggae, mas mantém o bom humor na letra que sempre traz características manauaras. Pra fechar a bolacha, vem “Asqueroso” que volta a acelerar com um riff convidativo ao pogo.

A boa arte gráfica faz bem em trazer as letras das canções, ficha técnica, agradecimentos e contatos. “Mamando na Onça” é um EP poderoso por ter humor explícito, inteligente e ser muito agradável, pra quem curte punk rock com pitadas de reggae e rock clássico. Contudo o CD possui um grande defeito. Dá aquela fissura de “quero mais”, como vários outros lançados na cidade de Manaus. Catando a net, é possível se encontrar várias músicas do bando, pra download gratuito.

É sempre bom ver nascer e brilhar bandas como a Dpeids que serve som dionisíaco a seus ouvintes, provando que o verdadeiro espírito do rock and roll, nunca vai morrer.

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Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: – Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.

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