A curiosa estratégia de Zakk Wylde para não soar como Yngwie Malmsteen e Van Halen
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de junho de 2025
Em entrevista recente com Billy Corgan (via Ultimate Guitar), o guitarrista Zakk Wylde revelou a lógica por trás de seu estilo característico durante os primeiros anos com Ozzy Osbourne — e ela tem tudo a ver com não seguir a multidão.
Wylde contou que, ao entrar na banda de Ozzy no fim dos anos 1980, decidiu intencionalmente evitar técnicas e escalas que dominavam o metal da época, como a harmônica menor, os arpejos diminutos e o tapping. O objetivo? Não soar como ninguém — especialmente Yngwie Malmsteen ou Eddie Van Halen. "Se você não quer soar como o Yngwie, corte fora a harmônica menor e os diminutos. Se não quer soar como o Eddie, abandone o tapping, os harmônicos e a alavanca", explicou.

Segundo Zakk, após riscar essas opções da "lista de compras", o que restou foi a velha e confiável escala pentatônica menor. Mas em vez de seguir o padrão de hammer-ons e pull-offs, ele optou por tocar tudo com palhetada alternada, reforçando sua identidade sonora. "Pensei: vou usar pentatônicas, mas vou palhetar tudo, em vez de só ligar notas. Era isso. E assim construí os solos em No Rest for the Wicked."
Essa escolha, aparentemente limitada, acabou sendo o diferencial de Wylde. Enquanto os guitarristas da época tentavam superar uns aos outros com velocidade e complexidade, Zakk chamou atenção por soar cru, direto e poderoso — algo que se encaixava perfeitamente com o som agressivo de Ozzy no fim dos anos 80.
Mesmo em faixas cheias de energia como Miracle Man, Crazy Babies e Demon Alcohol, Zakk manteve sua abordagem baseada em pentatônicas, provando que menos pode ser mais quando há intenção e personalidade. Como ele mesmo conclui:
"Não importa o quão rápido você toque, se usar harmônica menor vão dizer ‘ah, ele soa como um Yngwie rápido’. E se fizer tapping ainda mais rápido que o Eddie... bem, o efeito será o mesmo."
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