O rockstar que foi o primeiro homem bonito que Renato Russo notou na vida
Por Bruce William
Postado em 04 de junho de 2025
Para Renato Russo, os Beatles foram mais do que uma banda. Ainda criança, ele descobriu naquelas melodias algo que o acompanharia por toda a vida: uma ligação íntima com a música e uma porta de entrada para entender a si mesmo. O encantamento começou cedo, cresceu junto com ele e moldou o artista que viria a emocionar gerações com a Legião Urbana.
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Seu primeiro disco de rock foi justamente The Beatles, o famoso "Álbum Branco", lançado em 1968. Anos depois, Renato resumiria esse impacto de forma definitiva: "Eu era mesmo fã dos Beatles. Quando eles acabaram eu queria morrer. Eu era fã mesmo, achava que era o maior fã do mundo...", afirmou em matéria de Tom Leão publicada na revista Bizz, em abril de 1986.
A admiração não era apenas musical. Conforme relata Arthur Dapieve no livro "Renato Russo: O Trovador Solitário" (Amazon), foi assistindo ao filme Help! que Renato, ainda menino, notou pela primeira vez a beleza de um homem: "Anos depois, os Beatles ainda seriam responsáveis indiretos por outra descoberta: a da própria sexualidade. Renato contaria que o primeiro impacto de um homem bonito sobre ele ocorreu na cena em que Paul McCartney dá as caras em Help, o filme maluco que Richard Lester dirigira em 1965", conta Dapieve.
Aquela cena marcou o despertar de um sentimento que ele ainda não sabia nomear, mas que carregaria com ele ao longo da vida. Num tempo em que sentimentos como esse eram raramente compartilhados em voz alta, o jovem Renato guardou a percepção para si, mas a conexão emocional ficou impressa. O cinema, a música e a imagem de um astro pop formaram uma lembrança íntima e poderosa. Era o início de um processo de autodescoberta silencioso, mas profundo.
Décadas depois, já consagrado, ele ainda falava dos Beatles com a devoção de um fã adolescente. E talvez tenha sido exatamente isso — esse laço afetivo precoce, esse olhar atento e fora do padrão — que ajudou a fazer de Renato Russo um artista tão único. Tanto que, em 1995, ao comentar a remasterização dos discos da Legião Urbana nos estúdios de Abbey Road, Renato contou, com entusiasmo, que os engenheiros ouviram a faixa "Eu Sei" e comentaram: "Parece Beatles". A reação o deixou radiante: "Isso me deixou tão feliz! Porque eu vejo uma influência tão grande dos Beatles, e ninguém fala. [...] Eu nunca havia me tocado, mas aquelas guitarras parecem coisa do 'Tomorrow Never Knows'. É uma coisa tão impressionante!"
E talvez tenha começado ali, na infância, ao ver Paul McCartney surgindo na tela, o elo invisível entre admiração, descoberta e criação — um elo que, décadas depois, ainda vibrava na memória e na música de Renato Russo.
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