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Resenha - Secret Garden - Angra

Por André P. Oliveira
Postado em 15 de janeiro de 2015

Nota: 9

Um dos maiores problemas relacionados aos novos lançamentos de qualquer banda é, sem dúvidas, criado por falsas ou exageradas expectativas. O objetivo desta resenha é fugir (tanto quanto seja possível) de uma opinião baseada em preconceitos referentes ao som.

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O álbum:

Numa primeira audição, "Secret Garden" soa muito diferente de qualquer álbum anterior, e provavelmente seja trabalhoso escutá-lo sem que o ouvinte tenha contato com outros gêneros que não sejam o power metal ou as próprias misturas já consagradas do ANGRA. O disco é mais progressivo, direto, sombrio, porém não menos melódico do que os anteriores. Engana-se aquele que tem a intenção de ouvir ANGRA esperando mais do mesmo, ou um gênero específico. Viver do passado sendo fã da banda resulta apenas em insatisfação.

Os ouvintes da carreira solo de KIKO LOUREIRO estarão familiarizados com diversas passagens que dançam entre o fusion e a própria sede do guitarrista por um fraseado único. Mesmo em trechos com a chamada "fritação" o ouvinte não encontrará o óbvio, o músico é insistente na busca por inovação e imprime notas que sem dúvidas não teriam sido tocadas por outro guitarrista. E se engana quem ainda acha que não existe feeling em músicas de alto BPM.

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O baixista FELIPE ANDREOLI foi realmente destacado nesse registro, com uma presença nunca antes tão evidente, não é possível imaginar a ausência do músico em faixa alguma. Os timbres estão melhores do que nunca. Além disso, a ótima mixagem permite que seu instrumento seja audível em sistemas de som menos sofisticados.

O desempenho de FABIO LIONE é satisfatório e deixa marcas memoráveis em algumas canções. As maiores críticas sempre serão voltadas ao sotaque italiano, ou à falsa impressão que algo se assemelha a alguma outra banda que tenha trabalhado. No caso do RHAPSODY OF FIRE, a impressão de semelhança tem como maior causa o fato de que ele é a voz da banda desde antes da fama mundial! Pare de achar que está escutando a banda e escute a voz! Da mesma maneira, supondo que fosse BRUCE DICKINSON, diriam que parece IRON MAIDEN, e assim vai… Quanto a timbres e interpretação, temos um ótimo trabalho por parte do vocalista.

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A evolução vocal de RAFAEL BITTENCOURT é surpreendente, além dele ter explorado novos horizontes em seu canto, fugindo daquilo que mostrou em seu CD solo ou dos vocais principais e backings anteriores, nos registros e shows com a banda. Seu trabalho como compositor continua forte e jovem, juntamente ao outro guitarrista da banda.

BRUNO VALVERDE chegou fazendo o melhor possível e, com certeza, muitos mudarão de opinião ao ouvir seu trabalho. Não há exageros ou ausência do músico em parte alguma. Como na velha expressão: "tocar o que a música pede". Sua pegada difere bastante dos antecessores, afinal seu conhecimento abrange outras áreas e ritmos, bem aplicados aqui.

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Considerando a banda como um todo, ao mesmo tempo em que as músicas soam mais diretas ou simples, o nível técnico não foi reduzido. Porém, deixou-se de lado a proposta de virtuosidade exagerada em prol da criação de não apenas músicas, mas canções! Sinceramente, a união de coisas importantíssimas em meio ao metal contemporâneo.

Músicas:

Newborn Me: introdução envolvente, fortemente rítmica. Harmônicos na guitarra soam estar no lugar certo, acompanhando a percussão. Fábio entra com um canto que tende à narrativa, o que acompanha a letra muito bem. O refrão é acessível. As passagens instrumentais estão bem trabalhadas, o trecho em que entra o baixo seguido de violão está exatamente onde devia. A levada de Bruno durante a passagem progressiva é linda. Uma música completa.

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Black Hearted Soul: faixa power, algo que não pode faltar em um CD da banda. Deixarei de lado os fatores relativos ao que essa faixa tem de comum. Os coros destacam a interpretação de Fábio, e a faixa fica bem mais interessante a partir da metade. Belos arranjos de guitarra.

Final Light: aqui temos uma maravilha de música. Lione vai do sutil ao agressivo. A mudança do ritmo e acentuação das notas durante o refrão passa uma boa sensação, tem uma pegada bem cadenciada. Música direta, sem muitas variações, porém bela.

Storm of Emotions: a música começa quieta, verso introspectivo que passa uma intenção calma. A primeira apresentação do que seria depois o refrão ainda está nesse contexto, mas já prova quão bem pode ser memorizada. Logo entra um pequeno solo de Rafael com um quê de rock psicodélico, a partir do qual a banda deixa a atmosfera passiva e cresce junta, e continua assim no verso seguinte. O refrão entra muito maior do que o que foi tocado antes, e incrivelmente o que vem a seguir continua essa grandiosidade com outro direcionamento. A voz de Rafael acompanhada pela tensão do instrumental deixa o trecho fantástico e contrasta com o refrão estimulante. Há um belo solo, além de um encerramento com coros.

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Violet Sky: faixa bem contemporânea. Rafael assume os vocais integralmente. Pré refrão interessante e crescente, enquanto o refrão acompanha o mesmo instrumental da introdução da música. O último minuto tem um coro que caiu maravilhosamente bem, acompanhado por uma guitarra solo gritante, o que resulta num arranjo explosivo.

Secret Garden: Simone Simons (EPICA) assume os vocais aqui. Uma das baladas metal do álbum. Indubitavelmente uma bela música. Porém, seria facilmente confundida com qualquer banda europeia de metal sinfônico numa rádio, não fosse pela presença de Bruno Valverde. Para a maioria dos ouvintes, provavelmente ficará a impressão de já ter escutado algo próximo a isso. Talvez uma tentativa de atingir de outra forma o público europeu.

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Upper Levels: Grandiosa. Faixa que sintetiza os aspectos do álbum como um todo. Pesada, cheia de riffs, ótimas melodias vocais, incluindo backings, passagens progressivas e rítmicas. Uso de música regional sob uma abordagem moderna não deixa esse aspecto explícito. Talvez seja o melhor refrão do disco.

Crushing Room: DORO PESCH divide os vocais com Rafael. Das primeiras vezes que ouvi, tive a impressão de ser uma faixa meio EVANESCENCE, devido à simplicidade incomum no instrumental, comparado ao histórico do ANGRA. Só depois de ouvir várias e várias vezes pude apreciar, de fato, a emoção na voz de Rafael, a potência de Doro, além da sutilidade do baixo. Não é do conhecimento de todos, mas música também é silêncio. Aprendi a gostar dos momentos em que eu esperava uma nota tocada por Felipe e não havia nada lá. A surpresa nos detalhes deixa a música interessante. Os arranjos de teclado engrandecem o conjunto. Bruno e Felipe trabalham muito bem juntos, a levada é bem pesada. Os solos encaixaram muito bem no conjunto, a dupla de guitarristas é impecável mesmo que sua presença seja discreta em algumas partes.

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Perfect Symmetry: se tem uma faixa speed/power que merece atenção, é essa. É tudo aquilo de rápido e potente do gênero, sem muita mistura, mas com uma incrível juventude em sua composição. Primeira faixa do tipo que ouço, em muito tempo, que traz tudo aquilo que gostamos numa "Nova Era", e ainda tem personalidade própria.

Silent Call: balada capaz de arrancar lágrimas de uns, e arrepios na espinha de outros. Sinceramente, surpreendente, é preciso destacar o papel dos arranjos de teclado novamente. Claro que cada um interpreta a música à sua maneira, e as reações são diferentes. Àqueles que discordam ou duvidam de sua qualidade, sugiro que ouçam aos poucos, até que seja assimilada. A palavra que resume o canto de Rafael aqui é "emoção".

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Track-list:
1- Newborn Me - 6:13
2- Black Hearted Soul - 4:48
3- Final Light – 4:24
4- Storm of Emotions – 4:56
5- Violet Sky – 4:48
6- Secret Garden – 4:03
7- Upper Levels – 6:28
8- Crushing Room – 5:07
9- Perfect Symmetry – 4:22
10- Silent Call – 3:48


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