Antes do Whitecross, Rex Carroll quase foi do Whitesnake
Por Sergio Verine
Postado em 06 de janeiro de 2026
Rex Carroll tinha 17 anos quando o mundo ainda cabia numa fita cassete. Era 1982. O Whitesnake procurava guitarrista. Rex gravou dois sons, enfiou no envelope e mandou pro endereço que estava impresso na capa do disco. Fez aquilo que todo músico precisa fazer: jogou a semente no vento.
Seis semanas depois, o telefone tocou. Do outro lado da linha, Jim Delehant, chefe de A&R da Atlantic Records. As mãos de Rex tremeram tanto que o telefone caiu no chão. "Achei que ia virar pó", ele conta na entrevista ao podcast Road Less Traveled. Delehant foi direto: "Você está em alguma banda?". Rex disse que não. "Então vamos construir uma banda ao seu redor."

Parece roteiro de filme B, daqueles meio capengas sobre música. Mas aconteceu. Rex entrou no projeto Fierce Heart, gravou com a Atlantic, trabalhou com gente grande como Chris Lord-Alge (engenheiro de mixagem, produtor e músico ganhador de múltiplos Grammys). Só que a vida é curva, não reta. O álbum saiu, mas não explodiu. Rex voltou pra casa e passou a dar aulas de guitarra em uma loja comum.
Foi quando encontrou Scott Wenzel e entrou no Whitecross. A banda só tocava cover de Petra e Resurrection Band (também conhecida como Rez Band). Rex queria mais. Queria som próprio, riff original, mensagem que doesse no peito. Os caras resistiram. Ele insistiu. Ameaçou sair. No fim, cederam. Em 1987 saiu o primeiro álbum. Tecnicamente uma bagunça, mas vendeu feito água no deserto.
Rex e Scott seguraram a onda juntos por 34 anos. De 1985 a 2019, quando a banda ia tocar na Índia e Scott não quis ir. Ali se fechou um ciclo. Entrou Davi Roberts no vocal, e o Whitecross renasceu. "Ele revitalizou tudo", diz Rex. O álbum Fear No Evil de 2024, ele chama de sucesso esmagador.
Agora, o hard rock do quarteto desembarca no Brasil em setembro ao lado do Petra, justamente a banda que Rex coverizava lá em 1985. A roda gira, o som permanece. Curitiba, dia 23, no Tork n Roll; Belo Horizonte, dia 25, no Mister Rock; São Paulo, dia 26, no Carioca Club Pinheiros.
Rex tem 60 e poucos anos, os ouvidos doem quando a guitarra grita alto demais, leva uma hora pra aquecer os dedos antes de tocar. Mas o fogo continua aceso. "Aparecer é metade do trabalho", ele diz. "Deus completa o resto."
A fita que ele mandou pro Whitesnake em 1982 não o levou pra banda de David Coverdale. Mas o levou até aqui. E aqui não é pouco.
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