Angra: "Secret Garden", o melhor trabalho desde TOS

Resenha - Secret Garden - Angra

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Por Luciano Pereira
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Com a saída do emblemático vocalista Edu Falaschi, o Angra teve de se reinventar. Após o lançamento do seu DVD ao vivo, Angels Cry: 20th Anniversary Tour, a banda deu início à uma longa turnê para saciar a vontade dos fãs e para apresentar definitivamente Lione ao posto de vocalista, que se mostrava cada vez mais a vontade como frontman da banda.Trouxe, ainda, o jovem revelação Bruno Valverde para assumir as baquetas.

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Um ano mais tarde, a banda apresenta a todos seu mais recente trabalho: Secret Garden, que fora lançado primeiramente no Japão, para somente ano que vem ser lançado no resto do mundo.

"Pode uma coisa que não existe para os olhos, ou que não é percebida pelos sentidos, ser considerada inexistente?". Eis o grande mote criado pela banda ao dar a luz seu mais recente trabalho: Secret Garden. As músicas cantam a história do personagem Morten Vrolik, que após a morte de sua amada, precisa colocar tudo o que acredita como prova, para, assim continuar vivendo. Filosofia, religião, auto-conhecimento, valores morais são alguns dos temas abordados pelas excelentes letras do álbum. Vrolik, então, ateu, precisa encontrar algum sentido na vida e questiona tudo o que vinha lhe dando suporte. Será que mudará de opinião ou seguirá seus antigos dogmas?

Antes de tudo é necessário falar que esse é o álbum mais direto, mais prog e mais sombrio da carreira da banda. Mas não é aquele prog chato (perdoem-me os fãs do estilo), mas um prog com uma boa levada, sem deixar de lado o heavy metal característico da banda. As músicas são curtas (as mais longas são a Newborn me e Upper Levels, com mais de 6 minutos) e possuem, em sua maioria, menos de cinco minutos. Ali tem o Angra de sempre: forte, vigoroso e inspirado. E há, é claro, os coros, as mudanças de nuances, mas tudo de uma forma mais rápida e precisa.

O baixo do Felipe traz algo novo e é o que mais se destaca no álbum, algo que eu sempre quis ouvir como fã, uma solinho aqui, uma intro ali, como acontece, por exemplo, em Storm of Emotions e Upper Levels. Esta última, junto com Violet Sky, são as músicas que mais surpreendem. Violet Sky (minha favorita) por sua vez, apresenta uma intro diferente de tudo o que Angra já fez e quando a música começa Lione e Rafael se sobrepõem como vocalistas. Os corais são belíssimos e o solo de guitarra encaixa perfeitamente.

Black Hearted Soul já nos foi apresentada em uma boa dose, na entrevista que a banda deu a Bruno Sutter na rádio Kiss. Ela será a favorita de muitos e é a que mais se aproxima à outra banda de Lione, Rhapsody of Fire. A voz de Lione se destaca aqui.

Crushing Room (que letra!) vem acompanhada de um teclado muito inspirado e da linda voz da Doro Pesch, que junto com Rafael, dão um toque especial a essa linda melodia. A música lembra muito alguma coisa vinda da banda norte-americana Kamelot (aliás, outras músicas também darão essa noção a quem ouvi-las).

Secret Garden (a música) é uma linda canção e a voz da Simone Simmons é irretocável. Esta é a primeira vez que a música título de um álbum da banda, não é cantada por nenhum dos frontmen da banda. Como a banda fará ao vivo, será um mistério.

A única música que faz lembrar o "antigo Angra" é Perfect Symmetry, pelo seu ritmo acelerado e os riffs característicos da dupla de guitarristas. O álbum termina com uma balada, no melhor estilo Ashes do Aqua: Silent Call.

Gostei muito do que tenho ouvido ultimamente e digo sem medo de errar: Secret Garden é o melhor trabalho do Angra desde TOS. O clima tenso, sombrio e dramático impera em todo o trabalho, sem deixar de ser o Angra de sempre. Impressões sobre o álbum lá da terra do sol nascente dizem que a arte gráfica interna é de extrema qualidade e todas as imagens remetem ao conceito criado pela banda.

Uma nova toada na carreira da banda (Graças a Deus). Fãs xiitas morrerão sangrando pelo cérebro ao ouvi-lo. Aliás, é preciso ouvi-lo outras vezes pra sacar tudo o que as músicas apresentam.

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