Sepultura: Uma banda que não precisa provar mais nada a ninguém
Resenha - Mediator Between Head and Hands Must be the Heart - Sepultura
Por Sérgio Fernandes
Postado em 27 de outubro de 2013
Parece uma coisa cíclica: sempre que o Sepultura vai lançar um álbum, Max Cavalera começa a citar o nome de sua antiga banda em todas as suas entrevistas. Se na época de "Kairos" (2011), o ex-vocalista da maior banda brasileira de metal preocupava-se em comentar sobre uma possível reunião da dita formação clássica do grupo, agora, nos últimos meses que permearam o lançamento do mais novo trabalho do Sepultura, o senhor Cavalera volta a falar sobre sua ex-banda, mesmo em entrevistas relacionadas ao lançamento de "Savages" (novo trabalho do Soufly) e de seu novo projeto, o Killer be Killed (que contará com integrantes do Mastodon, The Dillinger Escape Plan e o ex-baterista do The Mars Volta).
E exatamente para não seguir os passos do próprio Max, vamos nos focar no objeto de análise dessa resenha, sem nos desviarmos do tema em questão! E o que interessa aqui é o álbum "The mediator between head and hands must be the heart", o mais recente trabalho do Sepultura.
Desde o anúncio de que o álbum seria produzido por Ross Robinson (que os fãs mais antigos vão se lembrar por conta de seus trabalhos em "Roots") a expectativa era a da sempre comentada "volta às raízes".
Se pensarmos bem, o Sepultura nunca se desligou de suas raízes. Desde o começo a banda se reinventa a cada trabalho novo, fazendo com que o seu som sempre mude de álbum para álbum. E esse conceito sempre foi a verdadeira raiz da banda.
Sendo assim, se você continua esperando um novo "Chaos A.D." ou um "Arise parte 2" esqueça. Mas, fato é que "The mediator..." é o álbum mais próximo da fase entre esses dois trabalhos citados anteriormente: mistura as influências de Death Metal do "Arise" com a brasilidade e o experimentalismo um pouco mais contido do "Chaos A.D." (se o compararmos com o "Roots", por exemplo).
Se em "Kairos" a banda apostou em uma faixa um pouco mais cadenciada para abrir os trabalhos, "Trauma of war" é um belo de um soco na cara! Pesada, rápida, com palhetadas e riffs afiadíssimos de Andreas Kisser e vocais insanos de Derrick Green, que, diga-se de passagem, urra e grita como nunca durante todo o álbum!
"The Vatican" (música escolhida para ser o primeiro clipe do álbum) é uma das músicas mais pesadas e brutais que a banda gravou nos últimos anos. E "Manipulation of tragedy" mantém a mesma pegada, com seus riffs que beiram o black metal e tem um final apoteótico, com blast beats sensacionais de Eloy Casagrande.
Falando no garoto prodígio do metal nacional, Eloy, com certeza, deu um novo gás à banda. As músicas têm uma pegada mais técnica, como há muito não se ouvia no Sepultura. A impressão que se tem ao ouvir "The mediator.." é que o garoto "forçou" todos a se superarem em seus devidos instrumentos.
Músicas como "Tsunami", "The Bliss of ignorants" e "Grief" são interessantes, mas acabam dando uma abaixada na adrenalina e, provavelmente, não serão muito lembradas em shows. São canções com uma dose maior de experimentalismo e que, em alguns momentos, podem remeter a coisas feitas em álbuns como o "Nation". Principalmente a citada "Grief", que traz Derrick Green em uma interpretação mais introspectiva e com vocais limpos.
"The atheist" , primeiro single desse trabalho, acaba se mostrando uma canção que funciona melhor dentro do contexto do álbum do que isoladamente. Provavelmente aparecerá nos shows, mas também não deve animar tanto.
A porradaria volta com tudo em "Obsessed", que nos brinda, mais uma vez, com uma bela interpretação de Derrick, além de ótimos riffs de Andreas (que se superou nesse álbum) e a bateria técnica e na medida de Eloy. O baixo de Paulo Xisto nem sempre é muito comentado mas, talvez, seja por isso que funcione tão bem para a banda... Vale lembrar que essa canção tem a participação de Dave Lombardo (que dispensa apresentações). Participação essa que, acredito, foi um pouco mal usada, pois a parte em que ele e Eloy "duelam" na bateria é sensacional, mas muito curta.
Fechando o play, temos o cover de "Da lama ao caos", de "Chico Science e Nação Zumbi", cantada por Andreas, que dá mais cor (verde e amarelo...) ao álbum e finaliza o play de forma muito digna! Homenagem mais do que merecida.
Depois de tantos anos na estrada (e tantos anos após a saída dos irmãos Cavalera) o Sepultura não precisa provar nada a ninguém. Shows nos maiores festivais do mundo, turnês bem sucedidas e um contrato com a maior gravadora de metal mundial já falam por si só. Mas os caras insistem em se superar a cada álbum! Bom para os fãs. Ou melhor, bom para os que ouvem a música antes de criarem conceitos através de entrevistas ou falatório de terceiros...
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