Resenha - August Engine - Hammers Of Misfortune
Por Sílvio Costa
Postado em 07 de outubro de 2004
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Não há como comparar o que se ouve em The August Engine com quase nada que existe por aí em termos de música pesada. Isto porque o leque de influência (declaradas ou não) é tão amplo que chega a variar de Beatles a Whiplash em apenas uma faixa. A banda leva adiante um trabalho capaz de juntar a cena californiana de thrash metal com pitadas de rock progressivo britânico dos anos 70 com uma sutileza invejável. Longe de ser apenas mais um exagero deste empolgado redator, essa disparidade nas referências musicais do Hammers of Misfortune apenas reflete a complexidade do som desenvolvido pelo grupo neste seu segundo trabalho. Não é todo dia que aparece algo como esse quinteto californiano. Tudo bem, depois de um certo tempo a gente acaba percebendo que, se for para encaixotar o som do Hammers of Misfortune sem precisar inventar mais um rótulo esdrúxulo, pode-se até dizer que o negócio deles é mesmo um power metal naquela linha típica de diversas bandas européias, principalmente as alemãs. Mas isto é um reducionismo injustificável e pode até refletir uma certa preguiça por parte de quem se propor a escutar com cuidado o som do Hammers of Misfortune. É um grupo que foge da repetição e da falta de criatividade que predominam no cenário atual, apelando (por que não?) para uma ousadia que pode até parecer pretensiosa para quem os ouve pela primeira vez.


Dos cinco integrantes, apenas o baterista Chevy Marzolo não canta. Os outros quatro integrantes (duas mulheres e dois homens) se revezam ao microfone, criando harmonias vocais muito interessantes. Apesar disso, o CD abre com uma faixa instrumental que é, na verdade, uma espécie de cartão de visitas da variabilidade musical encontrada em The August Engine. Apesar da esquisitice de algumas faixas, é possível encontrar um padrão bem definido nas composições. O "esqueleto" das músicas sempre oscila entre o power metal e o gothic/darkwave. A partir dessa estrutura básica, a banda apronta as mais inusitadas misturas, sempre utilizando riffs ultrapesados e linhas melódicas muito melancólicas e repletas de variações. Timbragens "vintage", ausência de solos e refrões completam a aparente atmosfera caótica construída pelo Hammers of Misfortune, que lhe confere identidade e originalidade.

Embora seja quase impossível descrever a variabilidade sonora das sete faixas deste álbum, é interessante notar que há bastante coerência na forma como elas foram compostas. Depois da maratona que é a faixa-título (a instrumental a que fiz referência anteriormente) o disco segue alternando momentos melodiosos, como em "Rainfall" e outros mais agressivos "A Room and a Riddle". Do hard ao doom, a longa "The Trial and the Grave" passeia pelos mais diversos estilos e subdivisões do heavy metal sem escolher nenhum em especial. Como eu disse, é em meio ao caos sonoro que o Hammers of Misfortune constrói sua identidade. Assim, não é de estranhar quando, lá pelo meio de "Insect" se escute algo como um riff mais assemelhado ao stoner metal ou que alguns momentos de "Doomed Parade" lembrem bastante a psicodelia da década de 60.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Não é todo dia que aparece uma banda como o Hammers of Misfortune, que parece não se importar muito para uma coisa chamada indústria fonográfica e para os seus ditames. Só por isso já vale a pena prestar atenção naquilo que eles têm para dizer.
Banda:
John Cobbet: Voz, Guitarra
Mike Scalzi: Voz, Guitarra
Jamie Myers: Voz, Baixo
Sigrid Sheie: Voz, Teclado
Chevy Marzolo: Bateria
Material cedido por:
Cruz Del Sur Music:
CP 5109, 00153 ROMA Ostiense – Itália
http://www.cruzdeulsurmusic.com
Agradecimentos especiais ao Paolo Gori
Zenor Recordz: www.zenorrecordz.com

Outras resenhas de August Engine - Hammers Of Misfortune
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
Guns N' Roses encerra turnê no Brasil com multidões, shows extensos e aposta em novos mercados
Por que Ricardo Confessori foi ao Bangers e não viu o show do Angra, segundo o próprio
Johnny se recusou a ajudar Joey nos últimos shows do Ramones, diz CJ
Sepultura se despede entre nuvens e ruínas
População de São Paulo reclama do som alto no Bangers Open Air
10 músicas ligadas ao rock que entraram para o "Clube do Bilhão" do Spotify em 2026
A melhor música da história dos anos 1990, segundo David Gilmour
O melhor solo de guitarra de todos os tempos, segundo Eric Clapton
O motivo por trás da decisão de Aquiles Priester de vender baquetas do Angra no Bangers
Como "volta às origens" causou saída de Adrian Smith do Iron Maiden
A dupla de rappers que Slash disse que sempre vinha com algo interessante
A canção para a qual o Kiss torceu o nariz e que virou seu maior sucesso nos EUA
Belo Horizonte entra na rota do rock internacional e recebe shows de Men At Work, Dire Straits Legac
O desafio que Cazuza fez Paulo Ricardo cumprir para provar que não tinha medo de sua AIDS
Ivete Sangalo: "Ouço muito SOAD, Linkin Park, Slipknot e Rush"
Fatboy Slim confessa ter se arrependido de conhecer David Bowie pessoalmente

"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Ju Kosso renasce em "Sofisalma" e transforma crise em manifesto rock sobre identidade
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme

