Mountain - discografia comentada

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O primeiro disco solo de Leslie West até hoje é considerado por muitos fãs como o primeiro disco do Mountain. O próprio grupo coloca em seu site oficial esse álbum como sendo seu primeiro registro. Já o conceituado site All Music Guide não considera esse disco na discografia da banda já que o grupo foi batizado de Mountain somente após esse lançamento.

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Leslie West Mountain (1969)

Discussões à parte, é impossível começar a comentar a discografia do Mountain e não falar desse álbum.
"Blood Of The Sun", "Dreams Of Milk & Honey" são hinos do Hard pesado, mostrando que a escola do Cream daria muito o que falar na década que estava surgindo. West já se mostrava um fenômeno de timbre inigualável durante todo o álbum. A sutileza e musicalidade de Felix Pappalardi aparece em temas magistrais como "Long Red", "Because You Are My Friend" (essa, na verdade, uma antiga composição acústica de West) e "Storyteller Man" (influência certa para os Faces). "Blind Man" é blues como o Cream fazia, "This Wheel's On Fire" é uma versão atordoada para o clássico de Bob Dylan e Rick Danko, "Look To The Wind" trazia as características orquestrações de Pappalardi e "Southbound Train" é a famosa música que o Mountain imortalizou em Woodstock.

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Climbing (1970)

Sem dúvida nenhuma o melhor disco do Mountain. Agora como uma banda de verdade, o grupo liderado por Leslie West e Felix Pappalardi vinha com um álbum perfeito, trazendo nove canções que se tornaram "cartilha" para quem quisesse se aventurar no Rock pesado dali pra frente. O que dizer de um disco que abre com "Mississipi Queen", um dos clássicos da história do Rock? O mínimo que pode se fazer é o ouvir o disco no volume máximo como recomendava a banda na contracapa do LP: "This Record Was Made To Be Played Loud".

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"Theme For An Imaginary Western" recebe uma interpretação emocionada de Pappalardi. A composição de Jack Bruce e Pete Brown se tornou um marco na carreira do grupo, pois era uma espécie de apadrinhamento do Cream, uma carta branca aprovando que o Mountain pudesse beber à vontade nas influências do grupo inglês. Era a retribuição de Bruce e Brown ao amigo Pappalardi, que tanto tinha trabalhado pelo Cream. Falando neles, "The Laird" é claramente influência direta do trio inglês.

"Never In My Life" e "Sittin' On A Rainbow" tem riffs cavalares de West dobrados pelo baixo de Pappalardi, o que oferece um peso extra nas composições que já eram fortes por natureza. "Silver Paper" é uma pequena obra prima misturando psicodelia e peso com uma letra totalmente "hipponga". "For Yasgur's Farm" é uma das mais belas homenagens a Woodstock feita por uma banda que lá tocou. (Joni Mitchell fez também sua homenagem mas não tocou...)

A guitarra de West tem em Climbing seu ápice. Um som único, como o da faixa instrumental "To My Friend" e no encerramento com "Boys In The Band".

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Nantucket Sleighride (1971)

Vindo no mesmo pique de "Climbing", o Mountain registrou outro clássico do Hard setentista com esse "Nantucket Sleighride". Gail Collins, esposa de Felix Pappalardi surge como figura de suma importância para a banda, cuidando de toda a parte gráfica e também das letras.
Novamente o Mountain desfila com categoria temas pesados como "Don't Look Around", "You Can't Get Away", "The Animal Trainer And The Toad", "Travellin' in the Dark" e impressiona também nas nuances mais sutis, como em "Tired Angels" (uma homenagem a Hendrix falecido no ano anterior) e "My Lady" (faixa mostrando reminescências do período folk de Pappalardi no Village de NY). Um dos melhores momentos do grupo está na dobradinha "Taunta (Sammy's Tune)"/ "Nantucket Sleighride", um épico contando um pouco da história da América que mostra toda a genialidade da dupla Pappalardi e West.

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Flowers Of Evil (1971)

Álbum que marca o final do período mais criativo da banda em estúdio, mostrando que dali pra frente as apresentações ao vivo seriam prioridade e palco das mais malucas improvisações possíveis.

O lado de estúdio traz temas como o rock empolgante da faixa título, a tristeza e melancolia instrumental de "King's Chorale", a levada irresistivelmente pesada de "Crossroader" e o clima erudito de "Pride and Passion". Na parte ao vivo, o destaque é o "Dream Sequence", um medley de 25 minutos com muitos improvisos e uma versão matadora de "Mississipi Queen". Tudo devidamente registrado no fechamento do lendário Fillmore East.

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Live - The Road Goes Ever On (1972)

Lançamento póstumo, realizado quando a banda encerrou suas atividades pela primeira vez em 1972. Apenas quatro faixas aparecem: "Log Red", "Waiting To Take You Away" (composição inédita da banda), "Crossroader" e uma versão de 17 minutos para "Nantucket Sleighride" que tomava todo o lado B do vinil.

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Twin Peaks (1974)

Mais um ao vivo, registro que marcou a volta da banda em 1973. A tour japonesa merecia um souvenir à altura da histeria dos fãs locais e então foi lançado esse álbum gravado no Koseinenkin Hall em Osaka.

O vinil duplo trazia versões interessantes para clássicos como "Never In My Life", "Mississipi Queen", "Silver Paper" e "Theme For An Imaginary Western". Nos improvisos o Mountain se supera e registra uma versão de 32 minutos (!) para a épica "Nantucket Sleighride". No vinil a faixa era dividida em duas parte que tomavam os dois lados de um disco. Infelizmente a voz de Felix Pappalardi já não mostrava a mesma garra dos primeiros dias de Mountain, tudo isso somado ainda a ausência significativa de Corky Laing que não pode fazer essa tour pelo Japão devido a problemas de saúde.

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Avalanche (1974)

Depois de dois discos ao vivo o Mountain estava louco para voltar às gravações em estúdio. "Avalanche" é uma tentativa de volta aos dias inspirados de "Climbing". Mais voltado para a guitarra de Leslie West, o rock rola solto com as versões de "Whole Lotta Shakin' Goig On" e "Satisfaction". Pappalardi voltava afiado e compondo muito como em "Sister Justice", "Swamp Boy" (e sua introdução bacana), "Thumbsucker" e "Last Of The Sunshine Days". "Alisan" era mais uma bela peça instrumental de West, nos moldes de "To My Friend" que aparecia no disco Climbing. "You Better Believe It" mostra o quanto faz diferença ter Corky Laing de novo na bateria e "I Love To See You Fly" tem algo de Led Zeppelin.

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Go For Your Life (1985)

Contando com Mark Clarke (ex-Tempest e Uriah Heep) no baixo, o Mountain mostrou estar meio perdido após a morte trágica de Felix Pappalardi. Temas sem inspiração como "Hard Times" (que mereceu um clipe medonho na época), "Spark" e "Bardot Damage" mostravam que o Mountain queria soar como um ZZ Top ou um Kiss, bandas de sucesso nos anos 70 e que continuaram vendendo muitos discos nos 80, o que não foi o caso do Mountain. Títulos como "She Loves Her Rock (And She Loves It Hard)", "I Love Young Girls" e "Makin' It in Your Car" falam por si mesmo e demonstram os interesses do pessoal na época...

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Over The Top (1995)

Coletânea dupla com muito material clássico da primeira fase do Mountain. Os discos "Climbing" e "Nantucket Sleighride" aparecem quase na íntegra, mas o bacana é uma versão inédita, registrada ao vivo, para "Stormy Monday" com quase 20 minutos de duração. De quebra, a coletânea traz duas faixas inéditas contando com Noel Redding no baixo: "Talking To The Angels" e "Solution".

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Man's World (1996)

Como não rolou a volta com Noel Redding o jeito foi convocar Mark Clarke de volta para encarar agora a década de 90. Bem superior ao Mountain dos anos 80, essa versão mostrava estar de bem com a vida em músicas como "In Your Face", "Noboddy Gonna Steal My Thunder", "Man's World" (uma versão para "It's a Man's Man's World" de James Brown, também regravada pelo Grand Funk Railroad nos anos 80) e "I Look".

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Mystic Fire (2002)

O Mountain do século XXI vem com Ritchie Scarlett no baixo e mostra um peso extra em todas as composições, principalmente na releitura para o clássico "Nantucket Sleighride". O disco abre com a pesada "Immortal", trazendo vocais quase guturais de Leslie. Na seqüência, a faixa título, a melhor do disco por sinal. A regravação de "Fever" (aquela que ficou famosa com o rei Elvis) é bem interessante, e, convenhamos, é engraçado imaginar Leslie dando uma de sexy com todo aquele tamanho!

Todos os detalhes da história desse grande grupo do Hard Rock dos anos 70 está nessa nova edição da poeira Zine. As glórias, as tours, o show em Woodstock, as tragédias, etc. Está tudo lá, contado pelos próprios caras, já que a poeira entrevistou o guitarrista Leslie West e o batera Corky Laing.

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Sobre Bento Araújo

Bento Araújo nasceu em 1976. É jornalista profissional e adora a música dos anos 60 e 70. É o editor chefe da Poeira Zine, a única publicação do país dedicada à música dos bons tempos. Lá ele escreve os textos, faz a diagramação, cuida da arte, do visual, faz 'a social' com os anunciantes, distribui, faz correio, banco, responde os e-mails e as cartas e também limpa o banheiro da redação... Além de tudo isso, o cara ainda tira uma onda tocando contra-baixo pela noite paulistana, além de vez ou outra fazer um 'bico' em alguma loja de discos em troca de raridades vinílicas... O Editor também oferece seus serviços jornalísticos e musicais a quem se interessar... (nada que uns bons dólares não possam resolver...)

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