Dave Mustaine não acha que o Megadeth teve tantos membros assim
Por João Renato Alves
Postado em 05 de agosto de 2026
As mudanças de formação do Megadeth ganharam status de piada junto aos fãs. A cada ciclo de disco e turnê, parece que algo está prestes a ser modificado. Dave Mustaine discorda. Durante entrevista à Fox Radio, o vocalista e guitarrista – único a ter participado de todos os lineups – ofereceu uma diferente perspectiva.
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"Dizem que muita gente já passou pelo Megadeth, há muitas pessoas que afirmam ter feito parte da banda - gente que apenas fez testes ou que integrou o grupo só no papel. Mas, ao longo de quase 50 anos, o número de integrantes registrados oficialmente é, na verdade, bem pequeno. Se você pensar no David Bowie, ele tocou com uma infinidade de músicos. Honestamente, eu gostaria que tivesse havido apenas uma formação durante todo esse tempo. Mas nem sempre se tem o luxo de tocar com as mesmas pessoas por longos períodos, especialmente em um gênero tão intenso. Porque, convenhamos, o thrash metal é coisa de gente jovem; as pessoas crescem, envelhecem e algumas mudam. Algumas mantêm a chama acesa, outras não."
Ao refletir sobre os primeiros anos da banda, Mustaine disse: "Havia uma qualidade específica na música e na cena das quais todos nós fazíamos parte - algo de que eu realmente adorava participar. Nós íamos a lugares, encontrávamos pessoas e estávamos ali; era uma sensação ótima, como se tivéssemos nosso próprio clube exclusivo. A gente chegava e a sensação era boa, porque todos ali faziam parte daquela cena, daquele universo do metal, daquela irmandade. Todos nós queríamos fazer parte daquilo e sabíamos quem também pertencia àquela cena. Uma camiseta muito famosa que circulava naquela época era uma peça pintada à mão, com a foto de um dos caras do Mötley Crüe; ela trazia um traço atravessado sobre a imagem e a frase 'No posers'. Acho que era o baixista quem usava essa camiseta. Mas, enfim, havia um grande conflito entre a galera que tocava metal e o pessoal mais voltado para o pop, a turma do glam."
Dave também falou sobre sua decisão de lançar o que está sendo anunciado como o último álbum de estúdio do Megadeth e de embarcar em uma turnê de despedida. Ao ser perguntado se sente que já disse tudo o que queria com sua música, Mustaine respondeu: "Bom, não é porque eu queira parar. Minha mão está me causando problemas e não quero continuar se não consigo tocar de fato. Isso, para mim, é um pouco assustador. Não quero subir ao palco diante dos nossos fãs e não conseguir dar o melhor. Quero ter certeza de que estou dando o máximo e de que os fãs ficarão comentando entre si, dizendo: 'Você acredita no que acabou de ver?' Esse tipo de coisa. Então, não sei por quanto tempo mais faremos turnês. Pode ser por mais um tempo. Ou pode ser que não.
É uma droga quando você vê caras que não têm nenhum problema de saúde debilitante, mas que são apenas preguiçosos, escolhendo o caminho mais fácil. Isso, para mim, é uma merda. Mas eu sou quem sou quando se trata de tocar e da maneira como encaro o palco. Nunca quero subir lá e fazer algo de qualquer jeito. Quero garantir que eu arrebente toda vez que subir ao palco. E acredito que, em todas as vezes que subimos ao palco nesta última turnê - em todas as datas que fizemos até agora -, foi isso que fizemos: entregamos 100% e estávamos prontos para tudo. E fizemos grandes shows."
Recentemente, o Megadeth confirmou uma turnê europeia para março do ano que vem. A "Breakout: Hibernation of the Nations" contará com Black Label Society e Testament como atrações de abertura. A expectativa é de que a banda ainda passe ao menos mais uma vez pela América do Sul antes do encerramento das atividades.
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