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Por Tarso Araújo
A trajetória do cantor e compositor carioca que conquistou a juventude nacional nos anos 80, como líder da banda Legião Urbana, será contada em versão cinematográfica
No domingo retrasado (27), Renato Russo completou 45 anos. Apesar de Renato já estar morto há quase nove anos - ele morreu em outubro de 1996, vítima de aids -, sua música continua tão presente que é como se continuasse vivo. Renato foi um ícone da juventude da década de 80 e deixou um respeitável legado musical. Na liderança da banda Legião Urbana, ele cantou músicas que marcaram época, como Será, Eduardo e Mônica e Que País É Este?. O fenômeno Renato Russo/Legião Urbana é tão forte que até hoje os discos da banda figuram entre os de melhor vendagem. No ano passado, por exemplo, dois trabalhos da banda ficaram entre os dez mais vendidos: Como É Que se Diz Eu Te Amo, em sexto lugar, com 220 mil cópias vendidas, e Mais do Mesmo, em décimo, com 216 mil.
Para contar a densa trajetória do garoto que criou uma banda de rock em Brasília, vendeu mais de 10 milhões de discos e espalhou suas idéias e melodias por todo o país, o diretor Antônio Carlos da Fontoura, 65, e o produtor musical Luiz Fernando Borges, 56, que era amigo íntimo de Renato, lançarão um filme, cujo título provisório é Religião Urbana, numa alusão à quase idolatria dos fãs em relação à banda. Fontoura e Borges acabam de concluir a primeira versão do roteiro do longa, que deve ser lançado no próximo ano, como homenagem ao cantor, pelos dez anos de sua morte. O filme contará a trajetória de Renato Russo, desde a adolescência em Brasília até o início do Legião, culminando com o primeiro show do grupo, em julho de 1983, no Rio de Janeiro - sua terra-natal. O elenco ainda não foi definido.
A idéia inicial de Luiz Fernando Borges era fazer um documentário sobre a vida do cantor e do Legião Urbana. "Em 1999, estive com os pais de Renato, ofereci a possibilidade de eles acompanharem as gravações e eles me autorizaram a fazer o filme", conta Borges. Antônio Carlos da Fontoura só entrou no projeto depois. "Já conhecia e admirava o trabalho de Antônio. Ele gostou da idéia e se tornou meu parceiro", diz Borges. Foi de Fontoura a idéia de contar a vida de Renato da adolescência ao primeiro show do Legião. "É um trecho pouco conhecido e muito impactante da vida dele. Assim, o filme fica mais jovem e mais para cima", diz o diretor. Com esse enfoque, o episódio mais triste e trágico da vida de Renato Russo ficará de fora: a descoberta de que era portador do vírus da aids, em 1990, o que levou a sua morte, seis anos depois. Mas esse é o tipo de coisa que os fãs mais apaixonados - como os próprios autores do filme - preferem esquecer.
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