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Renato Russo: ele parou com coquetel contra Aids antes de morrer, diz Paulo Ricardo

Por Igor Miranda
Postado em 07 de setembro de 2021

A morte de Renato Russo, vocalista da Legião Urbana que nos deixou em 1996 devido a complicações do vírus HIV, foi provocada "por livre e espontânea vontade", segundo Paulo Ricardo. O ex-cantor e baixista do RPM disse que o amigo deixou de tomar o chamado coquetel antiaids, com azidotimidina (AZT).

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O assunto foi pautado por Paulo Ricardo em entrevista ao Vênus Podcast, com transcrição do Whiplash.Net. Na ocasião, o ex-integrante do RPM relembrou de uma gravação feita ao lado de Renato - os dois registraram uma versão de "A Cruz e a Espada", da antiga banda de Paulo para o álbum "Rock Popular Brasileiro" (1996), pouco tempo antes do frontman da Legião Urbana falecer.

Inicialmente, Paulo lembrou que a história dessa colaboração começa em 1986, uma década antes da gravação em si. "Essa foi uma das primeiras músicas que fiz. Está no primeiro disco do RPM, com violão de nylon, clarinete, e a música sempre foi muito bem na rádio. Havia uma revista chamada 'Bizz' com uma matéria onde Renato e eu iríamos nos entrevistar. A matéria foi ótima, ficamos super amigos. No fim, em off, ele perguntou como eu fiz a música, pois ele a adorava. Então, contei para ele", afirmou.

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Dez anos depois, em 1996, o ex-RPM foi convidado pela Som Livre para gravar um álbum chamado "Rock Popular Brasileiro". "Eu faria minhas releituras de minhas músicas favoritas: Rita Lee, Raul Seixas, Blitz, Lulu Santos, mesmo Roberto Carlos, Beto Guedes, Caetano Veloso. Por estar no Rio, poderia convidar os amigos, então tem Frejat, João Barone na bateria, Rodrigo Santos, e eu me lembrei desse encontro com Renato", disse.

Na época, Renato Russo já havia sido diagnosticado com o vírus HIV, "mas não era algo escancarado como o Cazuza", segundo Paulo Ricardo. "Não falavam muito disso. Havia certo respeito também. Ele já estava recluso, mas aceitou. Fui buscá-lo no apartamento dele, que [...] era com livro e disco em todo canto. Tinha uns armários de cozinha lotados de vinil, que davam volta no quarto. Era um cara muito culto", afirmou.

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O processo de gravação foi "de arrepiar", nas palavras do músico. "Renato ouviu o arranjo e começou a cantar, com aquele vozeirão. A música era bem vazia, arranjo bem vazio, apenas dois violões com quarteto de cordas. E ele cantando e fumando Carlton. A gente falava: 'nossa, que voz... ele deve ter muitos cuidados'. Daí ele cantando e fumando. Ele se emocionou, todos se emocionaram, foi uma tarde inesquecível - de arrepiar", contou.

Morte por "livre e espontânea vontade"

Ainda durante a entrevista, Paulo Ricardo lembrou que a gravação de "A Cruz e a Espada" com Renato Russo ocorreu meses antes da morte do amigo. Ele revelou, então, que o líder da Legião Urbana optou por não tomar mais o coquetel antiaids, o que pode ter comprometido sua saúde em meio à luta contra o vírus - que não tem cura, mas pode ser tratado com medicamentos que preservam as células de defesa do organismo.

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"Isso (a gravação) foi em fevereiro de 1996. Ele nos deixou em outubro daquele ano. Foi por livre e espontânea vontade. Ele decidiu parar de tomar o coquetel AZT. Difícil... bem difícil. Muito triste", afirmou.

Apesar disso, as recordações daquela sessão em estúdio são as melhores possíveis. "O que ele deixou ali foi incrível. Voltamos super felizes, eufóricos, cantando aos berros uma música do Genesis: 'Dancing with the Moonlit Knight'", disse.

Em seguida, Paulo contou que mantinha contato com Renato em seus tempos finais de vida, mas que o próprio artista mantinha-se mais recluso. "A gente se falava com alguma frequência, mas era uma fase em que todos já sabiam que ele era soropositivo e estava na dele, terminando o disco 'A Tempestade ou O Livro dos Dias' (1996)", declarou.

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Ainda em 1996, meses antes de morrer, Renato Russo falou sobre como era complicado passar pelo tratamento com coquetel antiaids. Na ocasião, ele deu a famosa declaração: "Quando eu tomo o coquetel (de AZT e outros), é como se tivesse comendo um cachorro vivo. E o cachorro me come por dentro".

A entrevista de Paulo Ricardo ao Vênus Podcast pode ser conferida a seguir.

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.
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