O gênero que Dave Grohl chamou de "fácil demais" e que, segundo ele, emburreceu o rock
Por Bruce William
Postado em 21 de junho de 2025
Para Dave Grohl, rock and roll nunca precisou ser complicado para soar grandioso. O próprio Foo Fighters carrega esse espírito: canções diretas, energia alta e espaço para imperfeições ao vivo. Mas quando lembra da virada dos anos 90 para os 2000, o ex-baterista do Nirvana não poupa críticas ao que viu crescer no lugar do grunge.
Com a morte de Kurt Cobain, as bandas que ficaram conhecidas como pós-grunge logo deram lugar a algo mais pesado e, na visão de Grohl, bem mais raso. De Creed a Nickelback, passando por nomes que fundiram rap, metal e angústia juvenil, a indústria criou uma fórmula que vendia fácil, mas, segundo ele, empobrecia a essência do rock.

Grohl sempre defendeu a espontaneidade, a falha humana no palco e até a sujeira sonora - tudo menos uma fórmula engessada. Para ele, muito do nu metal seguia um padrão preguiçoso: pouca melodia e aquela dinâmica repetida de versos calmos seguidos de refrãos barulhentos, que logo se tornaria um clichê radiofônico.
Em suas palavras, não sobrou elogio, conforme reproduz a Far Out: "A música ficou muito menos desafiadora nos últimos cinco anos. Não que a nossa seja ciência de foguete, mas a ausência de melodia e essa dinâmica de homem das cavernas, que é só silêncio-barulho silêncio-barulho, ficou fácil demais." Foi assim que Grohl resumiu o que via como uma preguiça coletiva de criar algo novo.
Apesar de tudo, ele reconheceu que havia exceções dentro dessa geração. Bandas como Deftones e Linkin Park conseguiram explorar texturas, peso e criatividade que fugiam do padrão mais comercial. Já outras, como Papa Roach, acabaram entrando na lista de Grohl como exemplos de tudo o que ele preferia ver esquecido em caixas de discos baratos.
Para quem sempre acreditou no poder do rock em soar sincero, esse período foi, nas palavras dele, um atalho perigoso para o sucesso. E se alguém duvidar, basta lembrar: Grohl continuou apostando em riffs diretos, refrões cantáveis e erros ao vivo - tudo o que, para ele, nunca deveria ser simplificado demais.
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