Resenha - Final Frontier - Iron Maiden

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Resenha - Final Frontier - Iron Maiden

Por Arthur Lara Moreira

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O IRON MAIDEN sempre foi uma banda de heavy metal tradicional, mas Steve Harris vem insistindo em torná-la uma banda de rock progressivo. Ok, seu som sempre flertou com esse estilo (é só ouvir “Phantom Of The Opera”). Mas há um exagero latente e desnecessário que se instalou de vez no álbum anterior e se perpetuou no novo. “The Final Frontier” é igual a “A Matter Of Life And Death”. Composições longuíssimas, introduções dedilhadas em guitarras sem distorção e boas idéias perdidas em muitas variações e passagens que são repetidas ao extremo.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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A canção de abertura – “Satellite 15... The Final Frontier” - é dividida em duas partes, seguindo uma tradição do rock progressivo, e mostra uma forma inusitada de se abrir um disco. Em se tratando de IRON MAIDEN, obviamente. As batidas tribais de Nicko McBrain dão o tom de uma agradável estranheza - já que fogem completamente dos padrões estipulados por Steve Harris - e são acompanhadas por guitarras de timbres modernosos e um vocal meio desesperado de Bruce Dickinson. 4’37’’ depois, começa a segunda parte, “The Final Frontier”, com seus riffs fincados no hard rock setentista (ainda dá para notar um discreto violão ajudando a “engrossar” o som). As melodias são fáceis e o refrão, grudento. Ponto para a banda, excelente faixa.

“El Dorado”, primeiro single do disco, começa como se fosse uma “Paschendale” mais pesada e descamba para os tradicionais arranjos da banda. Canção bem forte e refrão marcante. Outra bola dentro.

A terceira é “Mother Of Mercy”, que começa com a praga das guitarras limpas e vocais suaves. É uma das músicas mais curtas do disco (5’20’’), mas somente com 1’24’’ temos uma guitarra distorcida. A partir de então, torna-se uma interessante e típica música do IRON MAIDEN.

Os pequenos problemas começam a partir de “Coming Home”, uma semi-balada legalzinha, mas que nos remete à carreira solo de BRUCE DICKINSON na segunda metade dos anos 90. Parece mais uma tentativa de reescrever “Tears Of The Dragon” ou “Wasting Love”. A faixa seguinte é “The Alchemist”, típica música rapidinha feita para cumprir tabela. Se não empolga, também não compromete.

Um dos maiores pesadelos que os fãs vivem desde o álbum “The X Factor” reaparece pela ‘enésima’ vez em “Isle Of Avalon”: a famigerada trinca guitarra-limpa-e-dedilhada, baixo-dedilhado-nas-alturas e vocais-suaves. Isso já encheu o saco! Alguém deveria avisar pro Steve Harris que já tá bom. Não precisa mais! E o pior, é que “Isle Of Avalon” tem boas sacadas. O problema é que a música gasta 2’40’’ para deslanchar e, depois do primeiro solo, tem mais xaropada (felizmente essa é mais curta).

“Starblind” tinha tudo para ser uma das melhores músicas da história do Iron. As guitarras de Adrian Smith estão impecáveis, a levada cadenciada é sensacional e o refrão é fácil. Mas, de novo, aquela introduçãozinha entorna o caldo. São 48 segundos desperdiçados. “The Talisman” é outra que possui ótimas idéias misturadas com porres de dedilhados lentos. Sua introdução tem 2’20’’.

Mais um começo à la “The X Factor”, desta vez a canção se chama “The Man Who Would Be King”. Depois de 1 minuto e 40 segundos de enrolação, apresenta-se como mais uma faixa tampão. Não compromete, mas é completamente desnecessária.

Finalmente chegamos à última faixa, “When The Wild Wind Blows”, a única “música solo” de Steve Harris e a mais longa com seus 11 minutos. E, por incrível que pareça, é a melhor música de “The Final Frontier”. Não, a banda não se livrou da maldita introdução. Mas aqui, a melodia é agradável. Tem um quê de folk britânico, é um pouco diferente e é mais leve. É uma canção que não podemos classificar como heavy metal. Mesmo assim, funciona bem.

Antes do disco “The X Factor”, o IRON MAIDEN tinha lançado apenas duas músicas com mais de nove minutos de duração, a genial “The Rime Of The Ancient Mariner” e “Seventh Son Of A Seventh Son”. De 1995, foram compostas dez canções com mais de nove minutos. São elas: “Sign Of The Cross”, “The Angel & The Gambler”, “The Clansman”, “Dream Of Mirrors”, “The Nomad”, “For The Greater Good Of God”, “The Legacy”, “Isle Of Avalon”, “The Talisman” e “When The Wild Wind Blows”. Talvez nenhuma delas justifique a longa duração. Curiosamente, “The X Factor” foi o primeiro disco depois que o produtor Martin Birch se aposentou.

“The Final Frontier” possui dez faixas e, mais ou menos, 75 minutos de duração. Isso significa que cada faixa, em média, dura 7 minutos e meio. O que se ouve nesse álbum são longas composições. É até legal, mas tem que ter paciência para esperar e memorizar as muitas boas idéias.

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