Sepultura: Reunião? "Machine Messiah" diz "não!"
Resenha - Machine Messiah - Sepultura
Por Júnior Ramalho
Postado em 14 de janeiro de 2017
Quando falamos em sepultura, na atualidade, não existe consenso sobre praticamente nada. Não será diferente com o décimo quarto álbum da banda, Machine Messiah. Material extremamente aguardado pelos fãs da banda, e por que não dos fãs de rock em geral.
Sim, Machine Messiah tem potencial para atingir não somente os fanáticos adeptos do Thrash e Groove metal e seus derivados. Sepultura com seu novo 'filho' vai muito além disso, ousou se aventurar nas vertentes do progressivo, isso expande consideravelmente o campo crítico a respeito do álbum.
Algumas críticas lidas a respeito do assunto, foram construídas com base em 'frustações' por não enxergarem no atual aquilo que conseguiram com álbuns conceituais da banda do final dos anos 80 inicio dos 90, particularmente evito comparar os atuais trabalhos do Sepultura com obras da 'era Cavalera'. Até porque 'Roots' e 'Chaos' vão além de grandes feitos do Sepultura, foram marcantes para todo o mundo do metal, logo devem ficar fora de qualquer tipo de comparação, por serem únicos. E grande parte do sucesso das obras vem de um cara que batalhou arduamente para manter a banda, Andreas Kisser.
Comecemos a crítica por ele, a presença marcante das guitarras nesse álbum faz com que Andreas se entregue por completo ao álbum, solos bem elaborados e sua 'marca registrada': os Riffs pesados e marcantes. Se fosse para resumir o seu desempenho: O melhor Andreas desde Chaos.
Derrick Green, outro integrante da banda que merece destaque. O cara que simplesmente entregou 100% de si em cada composição e 200% na interpretação das mesmas. A 'Torre' se mantém mais firme do que nunca, uma resposta bem dada a aqueles que ainda levantam a bandeira que não existe o Sepultura sem o Max. Derrick sempre esteve lá para mostrar o contrário e Machine Messiah vem para reforçar.
Outro membro que se destaca nessa obra é o Eloy Casagrande, o rapaz simplesmente destruiu sua bateria. Mas ultimamente chamar Eloy de grande músico se tornou pleonasmo.
É complicado destacar algo desse álbum, afinal ele é tão homogêneo, que retirar uma ou mais músicas dele poderia ter um impacto não tão positivo no ouvinte. Contudo, vou destacar estas : Phantom Self; Iceberg Dances e Resistant Parasites. Músicas com claro potencial para se tornarem clássicos da banda.
Gostaria de fazer uma crítica negativa sobre o álbum, mas felizmente não consegui absorver nada contra o referido. Esse trabalho me envolveu de tal forma que dificilmente consigo ouvi-lo com a intenção de procurar o mínimo deslize (que com certeza existe).
Para aqueles que como alguns ex-membros de bandas consagradas, ainda tende a inclinar para o lado extremista, no qual defende a tese de que não existe Sepultura pós-1996 ou 'forçar' uma reunião de comadre. Respeito a opiniões de vocês, afinal como já dizia o poeta: 'Gosto é igual c... E cada um tem o seu'. A única diferença é que uns o mantém limpo, outros não.
Machine Messiah veio para sepultar (desculpe o trocadilho) quaisquer chances de uma reunião. Muito pelo contrário, Sepultura demonstra sua força como nunca, sem abandonar suas raízes e sem manter o comodismo, que simplesmente colocou diversos músicos brasileiros no ostracismo do cenário do Metal e enterrou suas mais de 500 bandas.
Comente: Depois deste disco, já era uma reunião?
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