Iron Maiden: ninguém em cima do muro sobre um novo disco
Resenha - Final Frontier - Iron Maiden
Por Carlos Eduardo Garrido
Postado em 10 de dezembro de 2010
Um novo disco do IRON MAIDEN sempre gera expectativas enormes. Mesmo antes de seu lançamento os fãs já estão afoitos com as notícias sobre as gravações, nomes de músicas e trechos das mesmas, disponibilizados pela banda em seu site oficial. Logo que o álbum chega ao mercado, começam a chover em fóruns de discussão comentários extasiados de pessoas idolatrando o novo CD e outras malhando sem dó nem piedade. É sempre a mesma coisa. Ninguém fica em cima do muro quando se trata de um novo disco da Donzela e sempre as reações produzidas vão nos extremos opostos.
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Para fugir de todo esse bafafá e não se deixar influenciar pelo calor do momento, esta resenha só foi escrita agora, após quase quatro meses de seu lançamento e depois que todo o barulho em cima dele diminuiu. Até porque uma avaliação correta de "The Final Frontier" necessita de muitas audições e leva tempo para ser feita.
A grosso modo, pode-se dizer que o novo disco do MAIDEN dá continuidade a aquilo que a banda vem fazendo desde "Brave New World", quando Bruce Dickinson retomou ao posto de vocalista. Ou seja, músicas, muitas vezes, longas demais, ritmos cadenciados e uma fórmula que já está mais do que manjada. Aquela velha estrutura de começar de forma calma, muitas vezes com um batido riff de baixo, e depois ir numa crescente até se tornar uma música de Heavy Metal propriamente dita.
Porém, resumir "The Final Frontier" somente a isso seria injusto. Independente da aparente falta de criatividade da banda nos últimos anos, o novo disco possui alguns lampejos de inovação e, algumas vezes, mesmo nas fórmulas batidas, consegue demonstrar talento e empolgar. Já em outras não tem o mesmo êxito.
Logo na primeira faixa "Satellite 15... The Final Frontier", podemos perceber algumas nuances de rock progressivo na parte inicial, com um instrumental diferenciado e um vocal que também foge, e muito, do costumeiro. Para falar a verdade, cheguei até a estranhar os primeiros minutos da música, ainda que tenha gostado. Pois é bem diferente daquilo que estamos acostumados. Entretanto, se o começo da faixa era inovador, a parte seguinte não daria continuidade a isso. Depois dos quatro minutos (ela tem mais de oito), ela desemboca num hard/heavy vigoroso, terreno conhecido do grupo, que se não é novidade, é muito bem feito e garante lugar de destaque no disco.
A música seguinte, "El Dorado", é uma das minhas preferidas no álbum. Pesada na medida certa. Possui um baixo potente e boas linhas vocais. Se os últimos discos da banda tivessem mais músicas desse naipe, mais metalizadas e menos pomposas, obteriam resultados muito melhores. Outro caso que comprova essa tese é a faixa "The Alchemist". A canção mais curta do disco tem boa velocidade e vai direto ao ponto, sendo certeira em soar como um autêntico Heavy Metal.
"Mother of Mercy" e "Coming Home" lembram bastante o trabalho da banda no disco "A Matter of Life and Death". Tanto na velha fórmula, lento-rápido, como no próprio clima criado pelas músicas. Se não são músicas ruins, também estão longe de serem das melhores.
Aqui acabamos a seção de músicas com menos de sete minutos de duração. Das 10 faixas deste "The Final Frontier", seis passam dos oito minutos. O que, você deve concordar, é um exagero. Ainda mais se lembrarmos que em grandes clássicos da banda, como "The Number of the Beast" (1982), "Piece of Mind" (1983) e "Powerslave" (1984), a média de duração não passa de cinco minutos.
Daí pra frente é que é aquela receita: começo lento, vocal baixo, que depois ganha corpo e peso, começa a reinar nas composições. Mas, independente do script ser o mesmo, é necessário notar que cada música se diferencia da outra. Afinal, cada uma tem seus riffs, solos, linha vocal, melodia e letra.
Por exemplo, "Isle of Avalon", é bastante interessante e conta com um instrumental que alterna durante toda a canção, entre cadência, alguma velocidade e peso. Já "Starblind" tinha tudo para ser uma grande música, mas pecou por ser uma música grande. Ela tem uma levada pesada e linha vocal bem trabalhada, porém se torna cansativa e repetitiva. Típico caso em que alguns minutos a menos só faria bem. "The Talisman" alterna bons e maus momentos, assim como "The Man Who Would Be King", que possui partes mais inspiradas e criativas e outras descartáveis. Se ambas fossem mais compactas poderiam alcançar um resultado final bem melhor.
Fechando o álbum, "When the Wild Wind Blows" tem uma levada que nos remete ao desenho POCAHONTAS da Disney. É sério, não sei não se mister Steve Harris não andou ouvindo as músicas dessa animação antes de compor essa música. Independente de qualquer coisa, na minha opinião, essa é uma das faixas que mais me agrada neste "The Final Frontier". Seu tom quase épico é muito interessante, assim como as linhas vocais e variações rítmicas bem encaixadas.
Este "The Final Frontier" é um bom álbum no final das contas. Lógico que alguns ajustes poderiam ser feitos. Algumas músicas poderiam ser mais curtas, assim como poderiam existir canções mais velozes. Mas, pelo jeito, a banda gosta mesmo é de utilizar a supracitada fórmula. De qualquer forma, se o disco não faz frente aos grandes clássicos dos anos 80, também passa longe de fazer feio na discografia da banda. Acredito até que seja o melhor disco da banda em muitos anos, ao lado de seu antecessor, "A Matter of Life and Death".
Iron Maiden – The Final Frontier (EMI, 2010)
Produzido por Kevin Shirley
Faixas:
1 – Satellite 15... The Final Frontier
2- Eldorado
3- Mother of Mercy
4- Coming Home
5- The Alchemist
6- Isle of Avalon
7- Starblind
8- The Talisman
9- The Man Who Would Be King
10- When the Wild Wind Blows
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