Kiss: grupo extasia público em São Paulo
Resenha - Kiss (Arena Anhembi, São Paulo, 17/11/2012)
Por Henrique Santiago
Postado em 19 de novembro de 2012
O cenário era completamente diferente quando comparado à primeira vinda do KISS para o Brasil em 1983. Vinnie Vincent, então guitarrista solo, já não faz parte da banda e Eric Carr teve sua vida interrompida no dia em que o rock sofreu uma perda dupla junto com Freddie Mercury. Apenas Gene Simmons e Paul Stanley, fundadores e remanescentes da banda, carregaram o peso nas costas de uma trajetória que envolve fracassos, queda de máscaras e, claro, sucesso . Hoje, além da dupla composta por "Demon" e "Starchild", o KISS é completado pelo guitarrista Tommy Thayer e o baterista Eric Singer, ambas figuras importantes do hard rock oitentista.
Se à época o KISS promovia o último álbum da fase mascarada "Creatures of the Night", a cidade de São Paulo recebeu na noite de sábado (17), a turnê do recém-lançado Monster, o vigésimo na carreira. Afinal, há alguma semelhança ao comparar o KISS de hoje com o de quase três décadas atrás? Qual seria o sentido relembrar o passado quando o presente é marcante? O tempo parece só ter contribuído positivamente para os roqueiros e a inclusão de Eric e Tommy abrilhantou ainda mais a carreira de quase quatro décadas do experiente grupo.
O KISS pisou com suas botas colossais em solos paulistanos para estremecer a plateia de aproximadamente 25.000 pessoas na Arena Anhembi. A entrada, pontualmente às 21h30, veio em grande estilo com a poderosa dobradinha Detroit Rock City e Shout It Out Loud, do clássico Destroyer (1976), levando o público à loucura. Em seguida, outra faixa da fase áurea do KISS: Calling Dr. Love. Simmons assume os vocais pela primeira vez e extasia os presentes com seu carisma e presença de palco.
Após uma abertura de medalhões lançados em uma época na qual muitos dos presentes sequer eram nascidos, eis que a banda apresenta duas faixas em sequência do novo álbum Monster. Hell Or Hallelujah é poderosa ao vivo e sobrepõe a excelência da qualidade da versão de estúdio. Antes de entrar na quarta música, Paul Stanley esbanja simpatia ao interagir com o público ensandecido da Arena. Wall Of Sound, embora não seja single, esteve presente na boca dos fãs mais calorosos. Nada como "Hotter Than Hell" vir em sequência, que traz em seu título um resumo do que foi o sábado em São Paulo: mais quente que o inferno. A faixa do álbum homônimo de 1974 mostrou que, se os fãs não sabem a letra inteira, pelo menos o refrão está na ponta da língua
Quando o assunto é KISS e público, o respeito e admiração são mútuos. O quarteto, sobretudo Paul Stanley, rasgou elogios aos fãs que estavam presentes no espetáculo. Em um dos momentos mais marcantes, Stanley disse que esteve na Argentina e no Chile, ouviu vaias, claro, mas logo depois afirmou São Paulo é a cidade número um, o que levou o público ao delírio total.
O show seguiu com I Love It Loud, o carro-chefe do Creatures of The Night que foi tocado na primeira passagem da banda em solo brasileiro em 1983 e novamente marcou presença. A faixa, cantada em tom uníssono pelos fãs, não envelheceu e mostra que é um dos grandes destaques do KISS quando se tem a bateria de Eric Singer fiel à pegada da versão original e o domínio que Gene Simmons, para muitos Deus na Terra, tem sobre seu público ao dividir o coro da música. Sem dúvida um dos momentos mais representativos do show.
Paul Stanley mostra novamente que é um frontman que inspira simpatia ao introduzir o guitarrista Tommy Thayer e pedir que seu nome seja ovacionado. Os holofotes são apontados para Thayer que canta Outta This World, terceira faixa de Monster presente no repertório, e depois divide com Eric Singer a responsabilidade de entreter o público com competentes solos de guitarra e bateria somados aos efeitos pirotécnicos muito conhecidos da banda com direito até a uma "bazuca" manuseada pelo baterista que atira jatos de fogos.
Aliás, o espetáculo visual promovido pelo KISS não recebeu a devida atenção até agora. Os fogos e a pirotecnia são efeitos espetaculares que acrescem ao espetáculo e o momento em que Gene Simmons faz um simples solo de baixo, entra em estado de possessão, cospe sangue, mostra ao público o prazer que sente e, finalmente, é suspenso no topo do palco para cantar God of Thunder é de causar arrepios. Após o demônio surreal de Gene Simmons ter sido exorcizado, Paul Stanley afina a voz para cantar Psycho Circus, que tirou os pés do chão de cada presente no show e provavelmente deixou um ou outro ainda mais rouco.
Eis aqui outro momento de destaque em que os efeitos casam perfeitamente com a música. Paul Stanley voa do palco em direção a uma plataforma para cantar Love Gun com o público a plenos pulmões. Como não achar isso fantástico? Black Diamond, cujos acordes foram antecipados pela introdução de Stairway to Heaven, do LED ZEPPELIN fecha a primeira parte do show. Pouco antes, Stanley perguntou se o público queria ouvir músicas do KISS. A resposta já estava dada há muito tempo.
O público, que gritou o nome da banda enlouquecidamente durante a ausência do quarteto no palco, foi presenteado com dois hits da era mais "pop" da banda: Lick It Up, que agradou até mesmo os fãs mais antigos da banda, ainda mais com trechos de Won't Get Fooled Again, do THE WHO, e I Was Made For Lovin’ You e seu clima disco music que serviu para Paul arrancar suspiros das mulheres presentes. Para fechar o espetáculo, após pouco mais de 1h30, não poderia ser outra música que não fosse Rock ‘n’ Roll All Nite. Enquanto os fãs eram presenteados com um hino do rock e retribuíam com a letra cantada intensamente, uma chuva de fogos e papel picado iluminava o céu escuro da cosmopolita São Paulo.
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O KISS tem sintonia em quase quarenta anos de carreira e trocas de integrantes ao longo de fases turbulentas. Quando o quarteto se reúne com o simples objetivo de tocar rock ‘n’ roll e entreter o público, mostra que por trás da forte e chamativa maquiagem há quatro entidades da música capazes de levar crianças, garotas e "tiozões" a pintarem seus rostos para ficarem próximo de seus ídolos e a saírem da Arena Anhembi com um sorriso estampado no rosto e ovacionando o nome da banda. Uma noite para ninguém pôr defeito.
Set list:
1- Detroit Rock City
2- Shout It Out Loud
3- Calling Dr. Love
4- Hell or Hallelujah
5- Wall of Sound
6- Hotter Than Hell
7- I Love It Loud
8- Outta This World
9- God of Thunder
10- Psycho Circus
11- War Machine
12- Love Gun
13- Black Diamond
Bis
14- Lick It Up
15- I Was Made for Lovin’ You
16- Rock and Roll All Nite
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