Kiss: uma verdadeira celebração Rock N' Roll em São Paulo
Resenha - Kiss (Arena Anhembi, São Paulo, 17/11/2012)
Por Igor Miranda
Postado em 19 de novembro de 2012
Em sua quinta passagem em terras brasileiras (as outras foram em 1983, 1994, 1999 e 2009), o KISS também se apresentaria pela quinta vez em São Paulo – única cidade a receber shows de todas as turnês brasileiras da banda. Com energias renovadas após o recém-lançado Monster, vigésimo trabalho de estúdio do grupo, bem como uma nova estrutura de palco a ser apresentada, a noite do dia 17 de novembro de 2012 tinha tudo para ser inesquecível.
O Viper deu início aos trabalhos. A banda, reunida com Andre Matos para comemorar os vinte e cinco anos do lançamento do debut Soldiers Of Sunrise, se apresentou muito bem. Atrações de abertura sempre contam com a difícil tarefa de envolver o público mesmo com recursos limitados, como iluminação básica – o tempo inteiro seguindo apenas Andre – e baixa qualidade de som – as guitarras de Felipe Machado e Hugo Mariutti se embolavam com a voz principal e o baixo de Pit Passarell estava mais alto que tudo.
Há quem critique, mas a banda fez bonito no geral. As três músicas de encerramento se destacaram – positivamente ou negativamente. Na ordem: "Living For The Night", com bela intro e boa execução instrumental; "Rebel Maniac", sempre energética e única representante da fase sem Andre no repertório; e "We Will Rock You", na péssima versão que o grupo já deveria ter deixado de lado há um bom tempo. Na última, o público chegou a cantar "I Love It Loud" durante o icônico início na bateria. Infelizmente, a reunião teve um aspecto meramente comemorativo e termina no mês que vem.
A apresentação de abertura teve fim por volta das 21:00h e a expectativa consumiu os milhares de fãs presentes até por volta de 21:45h. Com poucos minutos de atraso, cortina quase sendo levantada pelo vento frio da capital paulista e a voz ensurdecedora do clássico anúncio "you wanted the best", o KISS começou mais um de seus espetáculos.
Me recuso a dizer que o KISS fez um show, uma apresentação ou um concerto. O quarteto comandado por Paul Stanley e Gene Simmons providenciou um verdadeiro espetáculo, com iluminação de primeira categoria, telões gigantescos (um deles em configuração HD posicionado no próprio palco), lança-chamas em cima do palco, explosões, momentos teatrais e muitos, mas muitos fogos de artifício.
"Detroit Rock City" abre a noite com muita classe. Paul Stanley não faz mais contorcionismos com a voz como antigamente, mas também não desafinou como em outras recentes apresentações. "Shout It Out Loud" deu sequência e tirou todo mundo do chão, com sua atmosfera altamente festiva e proposta digna de levantar arenas. Não conferi a transmissão feita pelo Terra, mas me disseram que os microfones falharam. Provavelmente só no livestream, pois ocorreu tudo tranquilamente para quem assistia no Anhembi.
"Calling Dr. Love" permite que Gene Simmons tome as rédeas da situação. O entrosamento da banda é cada vez mais nítido. Os instrumentistas sequer se olham. Dádiva de Tommy Thayer e Eric Singer, muitíssimo competentes. Escolhas totalmente acertadas para o KISS do século XXI. Duas novas canções, diretamente de Monster, seguem: "Hell Or Hallelujah" e "Wall Of Sound". A primeira obviamente contou com maior participação da plateia, por ter sido o single inicial do registro.
"Hotter Than Hell" deixou o local, de fato, mais quente que o inferno. Aqueles que estavam mais próximos do palco sentiam o calor das chamas. Animações no telão estavam repletas de fogo. Ao fim, Simmons executou o seu clássico número de sopro de fogo. "I Love It Loud", clássica, deu continuidade ao espetáculo, conduzindo o coro dos milhares de fãs. Tommy Thayer deu uma de frontman em "Outta This World", terceira e última nova canção a ser executada. Cantou bem e teve boa interação com o público, apesar de sua natureza ser de guitarrista e não de líder de banda.
Emendado à canção, tivemos o momento solo de Thayer e Eric Singer. Inicialmente, em dupla. Posteriormente, com destaques respectivamente para Tommy, que soltou fogos do headstock de sua guitarra Les Paul, e Eric, que disparou um tiro de bazuca e tentou dar uma de Paul Stanley ao berrar o nome da cidade na qual estava no momento. Cada vez mais desenvoltos e carismáticos em cima do palco, os dois se destacaram incrivelmente durante o espetáculo.
Depois dos "empregados", era a vez de um dos "chefes". Em mais um ato clássico e espetacular, Gene Simmons levou os fãs à loucura ao executar o seu solo de baixo, que, intencionalmente, tem mais teatralidade do que instrumento mesmo. Primeiramente, o Demon "cospe sangue" para depois "voar" para o topo do palco. A produção de palco é simplesmente incrível. Todo esse prelúdio serve para deixar todos no clima de "God Of Thunder" – talvez a música que tenha ficado mais adequada com a afinação em D (um tom abaixo do padrão), que passou a ser adotada durante a The Tour com o Mötley Crüe, ainda neste ano.
Duas das maiores surpresas do repertório, na minha opinião, vieram a seguir. Não por ineditismo, pois soube que já estavam sendo executadas em datas anteriores. No entanto, são duas músicas que deveriam ter cadeira cativa nos setlists do KISS desde seus lançamentos. "Psycho Circus" conseguiu a façanha de nascer clássica. Foi pouco tocada após a turnê Farewell, que na verdade era uma grande pegadinha do Mallandro. Canção grandiosa que colocou o Anhembi abaixo. O mesmo com "War Machine", música pesada e incrível, que também teve a mudança de afinação jogando em seu favor.
"Love Gun" seguiu o espetáculo com o excelente momento em que Paul Stanley embarca em um teleférico para cantar/tocar em um pequeno palco posicionado ao meio da pista. Mais uma demonstração de que a voz do Starchild está melhorando, se compararmos com os registros anteriores da turnê. Stanley continuou em evidência ao fazer seu momento solo. O carismático frontman tocou um trecho de "Stairway To Heaven" e instigou a plateia, perguntando: "vocês querem ouvir uma música do KISS?". Após a óbvia resposta afirmativa, teve início a clássica "Black Diamond", na voz de Eric Singer. Mais uma vez, como durante o tiro de bazuca, a bateria do Catman se ergueu.
O espetáculo principal encerrou-se por aí e uma pequena pausa antecedeu o retorno dos mascarados ao palco para o encore. "Lick It Up", com direito a interlúdio de "Won’t Get Fooled Again" (The Who), foi a primeira do bis. A única representante da fase sem máscaras (mas ainda com bastante maquiagem) da banda é infalível em sua missão de levantar a plateia.
"I Was Made For Lovin’ You", um pouco mais arrastada do que de costume, encaminha o espetáculo para o fim. Assim como o icônico ex-guitarrista Ace Frehley, nunca gostei muito da canção. Mas até a música menos empolgante na opinião do fã se torna incrível naquele momento. A clássica "Rock And Roll All Nite" encerrou a noite com chuva de papeis picados, explosões e bastante gelo seco, também contando com o ato final de Paul Stanley: quebrar uma guitarra. O espetáculo foi finalizado de fato com uma série de explosões de fogos de artifício de dar inveja a qualquer festa de Réveillon por aí.
O saldo foi positivo tanto para fãs de primeira viagem, que nunca tinham acompanhado a um espetáculo do KISS (como eu); quanto para os veteranos que já estavam lá para presenciar a matadora performance dos mascarados pela terceira, quarta ou milésima vez. Repito o que foi dito inicialmente: a banda não fez um show, uma apresentação ou um concerto. Fez um espetáculo.
Os vídeos e as fotografias presentes neste post foram realizadas por mim.
Paul Stanley (vocal, guitarra)
Gene Simmons (vocal, baixo)
Tommy Thayer (guitarra, vocal)
Eric Singer (bateria, vocal)
01. Detroit Rock City
02. Shout It Out Loud
03. Calling Dr. Love
04. Hell Or Hallelujah
05. Wall of Sound
06. Hotter Than Hell
07. I Love It Loud
08. Outta This World
09. Tommy Thayer & Eric Singer solos
10. Gene Simmons solo
11. God of Thunder
12. Psycho Circus
13. War Machine
14. Love Gun
15. Black Diamond
Bis:
16. Lick It Up
17. I Was Made for Lovin’ You
18. Rock and Roll All Nite
Outras resenhas de Kiss (Arena Anhembi, São Paulo, 17/11/2012)
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