Heavy Metal: inspiração para jovens ampliarem conhecimentos
Por Thiago Sanchez Gaspareto
Postado em 21 de maio de 2010
A devoção pelas bandas é o sentimento mais comum entre os headbangers, mais conhecidos pelo termo pejorativo "metaleiro", alguns fãs do Rock e do Heavy Metal vão além de qualquer coisa pertinente a moda que envolve o estilo musical, e é neste momento que entra a vontade de aprender música e aprimorar conhecimentos culturais.
Bruno Almeida (20) toca guitarra há quatro anos inspirado pela música "Fade To Black", da banda americana METALLICA, ao assistir uma VHS antiga da banda intitulada "Cliff ‘Em All". Bruno aprendeu o básico com um professor de guitarra que leciona através do estilo Blues, Flávio Vieira da Silva, na cidade de São Pedro, onde reside e atualmente vem se aperfeiçoando na arte por esforço próprio. Como ele mesmo diz, "a influência do METALLICA é muito grande para mim", e é através desta inspiração que ele constrói suas próprias melodias, aproveitando a estética que combina velocidade e fúria, passagens densas e melódicas. O guitarrista neoclássico/renascentista Ritchie Blackmore e o virtuoso Steve Vai também são influências para Bruno, que costuma até citar uma frase de Blackmore: "Tocar rápido é fácil, o difícil é tocar devagar", uma frase que para ele é sempre um lembrete quando vai praticar com sua guitarra modelo strato preta, que em relação a esse aprendizado sempre lembra da célebre proferida pelo professor ‘blueseiro’: "Uma nota bem tocada vale mais do que várias tocadas em alta velocidade", uma singela crítica àqueles que buscam o aprendizado avaliando as músicas a serem estudadas pelo seu alto nível técnico, que as mãos em estado de aprendizado ainda não sonham em alcançar. Para Almeida a música internacional não fica apenas a cargo da influência para tocar, mas também possui uma forte presença cultural do jovem músico que escuta músicas em vários idiomas – elas vão do inglês ao catalão – e desta forma, segundo Bruno, ele conhece línguas, costumes e culturas de vários países.
Esse processo cultural de se viajar para lugares diferentes através das músicas também cabe para Felipe Veronese (16), que aprecia músicas que vão do Heavy Metal tradicional (IRON MAIDEN), passando pelo Folk-Viking Metal (ENSIFERUM e AMON AMARTH) até o agressivo Death Metal (CANNIBAL CORPSE). Felipe diz: "Aprendi inglês tentando entender as letras do Iron e em breve pretendo arriscar o idioma finlandês por causa das bandas escandinavas". Além disso, Veronese comenta que através das músicas aprendeu muito sobre a cultura nórdica, que para ele vem se tornando uma grande paixão. Um fator determinante na música, para Felipe, é o sentimento imposto por parte dos compositores, citando novamente IRON MAIDEN, sua banda favorita por ser o primeiro contato do rapaz com o Heavy Metal. Veronese se identifica com o sentimento mais intimo colocado nas canções, sem contar com a influência que a banda britânica tem na aspiração musical, como Felipe mesmo diz: "As escalas de Adrian Smith, técnica do Dave Murray e o virtuosismo de Janick Gers são minhas bases de estudo".
Mas o que seria de uma banda se não houver um baterista. É aí que entra Mycon Calza (18), em ação há seis anos. Calza começou como percussionista em uma igreja evangélica quando um dos músicos do conjunto local lhe apresentou alguma bandas de Rock Gospel como o OFICINA G3 e NARNIA, o que convenceu Mycon de que apenas percussão não era algo tão fantástico assim. O amor de Calza pela bateria começou mesmo quando assistiu a uma VHS do show Metropolis 2000, da banda de Prog Metal americana DREAM TEATHER (DT). "Era uma gravação bem meia-boca, mas aquilo me convenceu do que eu realmente queria", afirma Mycon. Mike Portnoy, baterista do DT é tanto uma influência para Mycon que este acompanha as tendências de seu "mestre" ajustando sua própria bateria a semelhança do equipamento de Portnoy – as famosas The Siamese Monster, Albino e Purple Monster – de acordo com Calza "Tenho tudo que preciso para deixar minha mente ir longe, levar ritmos do mais básico ao mais complexo". Outros artista que são grandes influências para Mycon são SLAYER e LAMB OF GOD, músicos que como Calza dedicam suas vidas a arte, com perseverança, garra e criatividade, o que faz Mycon afirmar: "Não é a toa que eles possuem grande reconhecimento. Músico não é aquele que sobe no palco e vira artista, e sim aquele que vive de fazer música".
A entrevista chega ao ponto alto com mais uma citação de Mike que acabou ficando cômica: "Dizem que gosto não se discute, mas pelo amor de Deus, o que é isso que estão tocando nas rádios e na TV?". A ostentação para algumas coisas, de acordo com Calza, banais, são algumas obras como, por exemplo, Créu (Mc Créu), Rebolation (Parangolé) e até o Cavalo Manco (Calypso). São obras desse naipe que tem ofuscado grandes nomes da música moderna, desde ELVIS PRESLEY ao Southern Metal ébrio do BLACK LABEL SOCIETY, bandas que perdem espaço para imitações baratas de ‘boy bands’ no estilo Menudos ou New Kids On The Block, onde a aparência fica em posto mais importante que arte - chamados de "modinhas" pelos fãs da cena apocalíptica – assim como as ferramentas de marketing da mídia nacional e internacional – NxZero, Cine e High School Musical - , e para finalizar os "funks proibidões – músicas com frases chulas que incentivam consumo de drogas e prostituição", conclui Mycon Calza, e encerra com a pergunta "e o diabo é o pai do Rock?".
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