Vale a pena conhecer: Trovalírica, Vurtu e Sagaz Orfeu
Por André Garcia
Postado em 16 de abril de 2023
O rock não morreu — ele apenas se tornou menos óbvio. Se antigamente todas as bandas do mundo eram filtradas e nos trazidas de bandeja pelas rádios ou pela MTV, com a internet a coisa mudou. Hoje, para conhecer novas bandas o ouvinte tem que ir até elas, e para isso terá que encontrá-las em meio a todas as outras disputando espaço nos algoritmos, hashtags, redes sociais e serviços de streaming — bem-vindo ao admirável mundo novo!
Para facilitar um pouco essa dura missão, aqui vão três recomendações de bandas do underground nacional que estão pedindo passagem e que vale a pena conhecer: Trovalírica (São José do Rio Preto/SP), Vurtu Piracicaba/SP e Sagaz Orfeu São Paulo/SP.
Trovalírica
Formado em 2016 em São José do Rio Preto/SP, é atualmente composto por Renan Carlos Chiaparini (vocal), Pedro Henrique Truzzi de Oliveira (baixo), Felipe Hamoui Furquim (guitarrista), Rogerio Fernandes Tott (tecladista), Rafael Domingos (bateria).
Seu som é um rock nacionalíssimo, usando e abusando de música regionalista como referência, principalmente a nordestina, como repente e frevo. Misturando tudo ao mesmo tempo agora, lembra de uma só vez Nação Zumbi, O Rappa, Marcelo D2 e Gilberto Gil. Suas letras, em português, são poéticas narrativas que abordam de forma lírica a dureza do mundo cão em que vivemos — com um pé no Teatro Mágico e outro nos Engenheiros do Hawaii. Indicado a todos aqueles que até hoje estão — e sempre estarão — órfãos do saudoso Chico Science.
Está disponível nas plataformas de streaming sua discografia, até o momento composta pelos singles "A Justiça de Caetano" (2020), "Rock I Sou", "Povos Guerreiros" (2021), "Queijo Brie", Pé de Chia", "É o Gueto" (2022) e "Essa Dor" (2023).
Onde encontrar:
https://instagram.com/trovaliricabanda
Vurtu
Formado em julho de 2022 em Piracicaba/SP, é atualmente composto por Danizzomba (guitarra), Xandecko (baixo acústico) e Marciofullfate (bateria).
Seu som é um psychobilly infernal que vai de Stray Cats e Johnny Cash a Ramones e Motörhead. Sua produção é de uma crueza que remete ao protopunk do MC5 e o The Stooges — com aquela guitarra que soa como uma serra elétrica. Suas letras, em inglês, lembram o horrorpunk fantástico do Misfits com uma dose extra de humor. Indicado a quem busca um psychobilly (punkabilly, na verdade) bem característico de inferninho — algo que poderia muito bem tocar na boate do filme Um Drink no Inferno.
Está disponível nas plataformas de streaming seu álbum de estreia recentemente lançado, "DEMOniac Tape" (2023). Composto de sete faixas frenéticas e coesas, entre as quais destaco "Electrick Goat" e "Satanic Banana Power".
Onde encontrar:
https://ffm.to/vurtu
Sagaz Orfeu
Formado em 2019 em São Paulo/SP, é atualmente composto por Alexandre Dlara (guitarra base e vocal), Stefano Carlucci (guitarra solo), Marco Gugli (contrabaixo e piano), Antonio Augusto (teclados), Nuno Valença (bateria).
Seu som é um pop rock existencialista, aos moldes do brilhantemente feito por Humberto Gessinger nos Engenheiros do Hawaii em sua fase mais "progressiva" — no começo dos anos 90. Há também um toque de rock opera que remete aos clássicos do gênero, como "Tommy" e "Quadrophenia" (The Who) e "The Wall" (Pink Floyd). Indicado a quem curte um rock progressivo, mas não pelo virtuosismo técnico de seus membros, mas sim pelas nuances emocionais e narrativa, como o Genesis nos velhos tempos de Peter Gabriel.
Está disponível nas plataformas de streaming sua discografia, até o momento composta pelos singles "Cosmogonia" (2020), "O Encanto" (2022) e "Vida" (2023).
Onde encontrar:
https://www.sagazorfeu.com.br
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