Tupi Nambha: usando o Metal para resgatar nossas tradições nativas
Resenha - Invasão Alienígena - Tupi Nambha
Por Bruno Rocha
Postado em 17 de novembro de 2017
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Resgatar a história brasileira é para poucos bravos em nosso país. Mas não a história que estudamos na escola, que começa com a chegada de Cabral no Brasil e que aprendemos sob o ponto de vista dos europeus que aqui bateram. Mas a verdadeira história desta terra, de eras pré-colombianas, onde somente habitavam aqui os nativos que viviam sua liberdade sem temer a nenhum alienígena, a quem convencionaram-se chamar de índios. Sua cultura riquíssima e seus idiomas nativos foram perdendo elementos e documentos ao longo do tempo desde que os europeus aqui chegaram. Mas ainda há quem labute para resgatar o máximo possível do legado indígena nativo.
E o melhor: documentá-lo tendo como trilha sonora o Heavy Metal!
Certo, o Heavy Metal não nasceu no Brasil em tempos imemoriais. Mas hoje o Metal é um gênero mundial que tem a característica de se moldar conforme as vontades e as intenções do músico que com o estilo trabalha. No caso particular neste texto abordado, temos a dupla brasiliense Marcos Loiola e Rogério Delevedove, que juntos atendem pelo nome de TUPI NAMBHA. Formada em 2016, o duo se propõe a tocar Folk/Groove Metal (Perdão, mas acho tudo que o Metal não precisa mais é de novos rótulos, como Tribal Metal), com elementos de música nativa brasileira, a exemplo de percussões. Batidas marciais servem de bases para um dos diferenciais do grupo: letras em tupi antigo, compostas em parceria com o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro.
Produzido por Caio Cortonesi e com todo o procedimento de praxe realizado no estúdio Broadband, o trabalho de estreia do TUPI NAMBHA, "Invasão Alienígena", traz sete composições criativas, além de bem trabalhadas e acabadas. Outro detalhe que chama a atenção é o fato de as músicas soarem épicas, mesmo sem precisarem lançar mão de orquestrações grandiosas ou super-produção. Tudo aqui soa orgânico e faz brotar no ouvinte a sensação que se espera: resgate da cultura e da bravura de nossos antepassados pre-cabral.
Começando com a faixa-título do disco, já se pode notar que o TUPI NAMBHA sim sofre influências do Sepultura dos anos 90 e de Nação Zumbi, constatação que se reforça ao se ouvir as linhas vocais de Marcos Loiola, similares as de Chico Science. O ritmo cadenciado reforça o peso das guitarras de Delevedove, coisa que se repete na música "Tupi Nambha" e "Ayahuasca", esta sendo a mais agressiva de todo o trabalho e que também a encerra. Em contraponto a agressividade, a música "Galdino Pataxó" é a mais diferente do disco, pois é toda conduzida por violões, percussões e cajon, quase num clima de sarau em uma clareira.
Teclados aparecem timidamente, mas providencialmente, nas músicas "Antropofagia" (que carrega uma atmosfera densa) e "Feiticeiro" (com elementos de Epic Doom). Estas duas músicas provam que teclados não precisam aparecer altos e imponentes, mais fortes que as guitarras. Basta que seja escolhido o timbre certo, e os teclados farão bem o seu papel climático, sem sobrepor as guitarras, que precisam ter seu destaque. Outra música onde os teclados surgem bem encaixados é "Tribo Em Guerra", que atua próxima do Thrash Metal e nos remete à banda estoniana Metsatöll, dadas as conduções nos tons da bateria e os coros fortes de chamamento à batalha tribal. Grande destaque do álbum.
Só não entendi qual seria o problema em citar o nome do baixista, tecladista e do baterista que gravaram "Invasão Alienígena". O trabalho de bateria está excelente graças ao excelente groove imprimido e os timbres pesados e altos, o mesmo se aplicando às bases de contrabaixo. Não importa se foi um dos dois membros da banda ou outrem. Cada contribuição deve ser devidamente creditada. Também seria interessante imprimir a tradução das letras em português, para que possamos entender os que as letras querem passar. As artes do encarte mostram bem o clima de invasão europeu nas terras nativas, obra de João Rafael.
Temos então aqui documentado um pouco da história da nossa terra. Esta atitude é uma reverberação da ação de outras bandas brasileiras que buscam resgatar a cultura e as tradições dos nossos antepassados. Hoje em dia, falar de Folk Metal não nos remete mais somente aos nomes europeus do estilo. Agora temos o nosso próprio Folk Metal, brasileiro! Se o Sepultura começou a semear elementos de nossa cultura nos anos 90 no Heavy Metal, hoje os frutos começam a ser colhidos. E o TUPI NAMBHA é fruto da melhor safra. Que Tupã abençoe!
Invasão Alienígena - Tupi Nambha (independente, 2017)
Tracklist:
01. Invasão Alienígena
02. Antropofagia
03. Tribo Em Guerra
04. Tupi Nambha
05. Galdino Pataxó
06. Feiticeiro
07. Ayahuasca
Line-up:
Marcos Loiola - vocais
Rogério Delevedove - guitarras
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
Rush inicia novo capítulo de uma carreira baseada em fortes convicções
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
A origem de "Por Quem os Sinos Dobram", que une Raul Seixas e Metallica
Com mais de 40 atrações, Monsters of Rock Cruise fecha cast para viagem de 2027
Vocalista do Moonspell sobre tradução literária: "É mal pago, mas adoro"
Rodrigo Constantino toca clássico do Iron Maiden na bateria e ganha elogios
Show do Kiss deu origem a uma das maiores bandas da história do thrash metal
Os 25 melhores discos de gothic metal de todos tempos, segundo a Louder
Tarja sobre o Nightwish: "Era tão infeliz, não eram tempos felizes"
10 músicas lançadas há mais de meio século que superaram 1 bilhão de plays no Spotify
O político que iniciou a decadência do Rio de Janeiro, segundo Paulo Ricardo
Rush toca "Moving Pictures" na íntegra em terceiro show da nova turnê
Bangers Open Air divulga as primeiras atrações da edição 2027
Tarja Turunen lança "Frisson Noir", disco mais pesado da sua carreira solo
Iron Maiden: Steve Harris não foi o primeiro baixista?
A razão que levou Paulo Ricardo a nunca tocar ao vivo um de seus projetos de maior sucesso
Bizarro & Absurdo: 12 Tristes Realidades da Música



Immolation anuncia a rápida e iminente autodestruição da humanidade no ótimo "Descent"
Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR



