Zakk Wylde mostra o riff do Black Sabbath que foi "chupinhado" do Cream de Eric Clapton
Por Bruce William
Postado em 04 de março de 2026
Zakk Wylde tem um jeito direto de explicar as coisas: ele não fica filosofando muito, ele parte pra pegar a guitarra e demonstrar o que está acontecendo. Foi assim num papo com Chris Garza, reproduzido na Tenho Mais Discos Que Amigos, em que ele primeiro voltou a 1988, ao começo da parceria com Ozzy Osbourne em "No Rest for the Wicked", e contou de onde veio a faísca de "Miracle Man". Segundo ele, a inspiração veio de "Foxy Lady", do Jimi Hendrix - e a reação do apresentador foi aquela clássica de "caramba, nunca tinha percebido".
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A parte boa é que Zakk não fica só no "foi inspirado". Ele explica como enxerga isso, com um raciocínio que vale para qualquer músico que aprende ouvindo disco e tocando em cima. E é aí que ele chega na comparação que mais rende conversa. Depois de falar do Hendrix e do Ozzy, Zakk toca um trecho de "N.I.B.", do Black Sabbath, e emenda "Sunshine of Your Love", do Cream, para mostrar como os riffs se parecem. Do jeito que ele faz, fica difícil não ouvir o parentesco. Se é "chupinhada", se é influência, se é DNA do rock - cada um escolhe a palavra que quiser, mas a semelhança está ali na mão.
Essa observação não fica restrita só ao vídeo de Zakk. Num especial sobre o álbum de estreia do Black Sabbath, a Rolling Stone também comentou que o riff pesado de "N.I.B." lembra "Sunshine of Your Love". A revista trata isso como parte do contexto do disco, ainda naquele período em que a banda tocava residências longas e enchia o set com jams, onde muita ideia nascia no improviso.
E o mesmo texto ajuda a explicar por que Cream estava no radar deles de forma bem concreta. Geezer Butler conta que viu o grupo três vezes em Birmingham e descreve o impacto que Jack Bruce teve no jeito como ele pensava o baixo. O trecho é ótimo porque mostra que não era "influência distante", era coisa de ir ver ao vivo e sair diferente:
"Eu vi o Cream três vezes quando eles tocaram em Birmingham. Jack Bruce definitivamente abriu meus olhos sobre o que um baixista poderia fazer ao vivo. Eu fui ver o Cream principalmente por causa do Clapton, sem saber muito sobre o Bruce e o Ginger Baker, e embora a banda inteira tenha me impressionado, eu fiquei hipnotizado com o jeito que o Jack Bruce tocava. Eu não sabia que um baixista podia fazer aquelas coisas, preenchendo espaços onde normalmente a guitarra base estaria. Mais tarde, eu fui ver o Ten Years After, e o Leo Lyons também me impressionou muito, então eu diria que uma mistura de Bruce e Lyons foram minhas principais influências em estilo e abordagem."
O vídeo do Zakk não é uma tentativa de provar alguma tese. Na verdade, ele apenas está mostrando como riffs se comunicam, como um vira ingrediente do outro e como isso atravessa décadas sem pedir licença. Ele começa no Hendrix, passa pelo Ozzy e termina no Sabbath encostando no Cream - e, quando você percebe, está exatamente no tipo de conversa que rock sempre gerou: você ouve, compara e decide com o próprio ouvido.

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