Metallica: Senso admirável de chutar a porta da opinião
Resenha - St. Anger - Metallica
Por André Prado
Postado em 04 de setembro de 2012
É interessante ver que a medida que o tempo passa, nos sentimos meio que "obrigados" a provar novamente aquilo que não gostamos. É tipo não gostar de cenoura na infância e ver hoje em dia que ela tem um gosto bom, além de inúmeros bens a saúde; e traçando um paralelo, com a música acontece a mesma coisa.

Bom, pra termos opinião embasada de algo precisamos de duas coisas, saber viver a experiência, e termos um senso crítico que procure nos separar de rótulos pré estabelecidos em nossa mente. Sim, nossa opinião é implicitamente ligada ao nosso gosto, mas é aí que o senso crítico entra e separa isso da ignorância e fanatismo. É aí que entram os fãs mais chatos do planeta, os rockeiros. Para deixar claro, antes que me coloquem na cruz, sou rockeiro e daqueles que curtem mesmo. Entretanto procuro separar isso da música em si, oras ela é boa ou ruim. É aí que voltamos a parte do senso crítico e o que me faz "provar" novamente a experiência de certos álbuns subestimados por mim somente pelo nome da banda, e uma dessas bandas é o Metallica.

Banda ame ou odeie, é o tipo de banda que tem um senso admirável de chutar a porta da opinião. Fazendo álbuns ruins ou bons, eles não querem saber muito da opinião final, os fãs mesmo são os que acompanham a banda. Entretanto, tal qual o Iron Maiden, o Metallica anda vivendo do seu passado mais do que seu presente. Fato lamentável, mas que só mostra a força que a banda teve em produzir clássicos e agora não se limitar a fazê-los de novo, simples assim. É desse ponto que acho que o último trabalho "Death Magnetic" soa forçado apesar de bom, e que os trabalhos anteriores "Load/Reload" e "St. Anger" acabam soando até mais dignos perto dele justamente por terem uma cara. Se é boa ou ruim vai de você, e particularmente acho "Load" um ótimo álbum, isso claro, se você souber ver a música como boa e ruim. Mas agora vamos analisar o "St. Anger":
"St. Anger" foi fruto de uma época de muita instabilidade em que o Metallica vinha vivendo, inclusive com os chefões Lars Ulrich e James Hetfield batendo de frente e quase pondo um fim a banda. Brigas que deram resultado ao (vergonhoso) documentário "Some Kind Of Monster", a demissão de Jason Newsted, o produtor Bob Rock como baixista tampão, e a esse álbum.
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Mas agora resolvo escutá-lo novamente como fiz com "Load", e agora que cresci e amadureci, ter uma opinião realmente embasada sobre esse álbum difícil de engolir. Primeiro vamos nos desligar do nome "Metallica", ele é como uma maldição. Agora, as primeiras impressões de "St. Anger" são de que o álbum não é ruim, somente é muito mal produzido. A fúria e a bagunça que o Metallica vivia na época refletem bem nesse álbum. Mal produzido é a primeira palavra que vem a cabeça, e não é só a bateria de lata de Lars Ulrich, mas as guitarras abafadas, um Kirk Hammet descaracterizado sem fazer um só solo, e um James Hetfield mostrando preguiça em muitos momentos. Depois de ler esse último parágrafo você pode pensar: "esse cara é louco, é claro que o álbum é uma peça de merda". E mais uma vez digo, não. "St Anger" tem músicas boas sim, mas que sofrem muito detrás dessa má produção, e isso que quero tentar "provar".

A trinca inicial com "Frantic", St Anger" e Some Kind Of The Monster", além da "Sweet Amber" e da furiosa "Purify", são exemplos das ótimas faixas perdidas no meio de tantas outras que são longas demais ou só são simplesmente ruins, como a repetitiva "Invisible Kid" ou a rápida e sem graça "Dirty Window". Imagine-as essas primeiras com um melhor cuidado, com uma bateria decente e com um solo. A "Frantic" não me deixa mentir, já que no excelente bootleg "Live In Seoul" ela é tocada e Kirk improvisa um solo nela. Escutem o bootleg e atentem como é evidente a melhora da música em si.
Tendo influência descarada do malfadado "Nu Metal", moda no começo dos anos 2000 ou não, "St. Anger" não é um álbum tão ruim como todos apontam, só careceu de uma produção decente e cuidado de composição das músicas. É como se fosse uma demo lançada do fundo da garagem, é isso diria que é vergonhoso pra uma banda que tem o nome do Metallica. Também diria que "St. Anger" é como se fosse uma lata de ervilhas jogada por cima do lixo. Vai feder junto. O Metallica o fez assim e é assim que o álbum é visto, não tem nem como.

Pra ser esquecido, e um dia quem sabe lembrado pra ser tocado ao vivo.
Tracklist:
1. "Frantic" 5:51
2. "St. Anger" 7:21
3. "Some Kind of Monster" 8:26
4. "Dirty Window" 5:24
5. "Invisible Kid" 8:31
6. "My World" 5:45
7. "Shoot me Again" 7:10
8. "Sweet Amber" 5:27
9. "The Unnamed Feeling" 7:10
10. "Purify" 5:14
11. "All Within my Hands" 8:49
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