Metallica: Senso admirável de chutar a porta da opinião

Resenha - St. Anger - Metallica

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Por André Prado
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É interessante ver que a medida que o tempo passa, nos sentimos meio que "obrigados" a provar novamente aquilo que não gostamos. É tipo não gostar de cenoura na infância e ver hoje em dia que ela tem um gosto bom, além de inúmeros bens a saúde; e traçando um paralelo, com a música acontece a mesma coisa.
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Bom, pra termos opinião embasada de algo precisamos de duas coisas, saber viver a experiência, e termos um senso crítico que procure nos separar de rótulos pré estabelecidos em nossa mente. Sim, nossa opinião é implicitamente ligada ao nosso gosto, mas é aí que o senso crítico entra e separa isso da ignorância e fanatismo. É aí que entram os fãs mais chatos do planeta, os rockeiros. Para deixar claro, antes que me coloquem na cruz, sou rockeiro e daqueles que curtem mesmo. Entretanto procuro separar isso da música em si, oras ela é boa ou ruim. É aí que voltamos a parte do senso crítico e o que me faz "provar" novamente a experiência de certos álbuns subestimados por mim somente pelo nome da banda, e uma dessas bandas é o Metallica.

Banda ame ou odeie, é o tipo de banda que tem um senso admirável de chutar a porta da opinião. Fazendo álbuns ruins ou bons, eles não querem saber muito da opinião final, os fãs mesmo são os que acompanham a banda. Entretanto, tal qual o Iron Maiden, o Metallica anda vivendo do seu passado mais do que seu presente. Fato lamentável, mas que só mostra a força que a banda teve em produzir clássicos e agora não se limitar a fazê-los de novo, simples assim. É desse ponto que acho que o último trabalho "Death Magnetic" soa forçado apesar de bom, e que os trabalhos anteriores "Load/Reload" e "St. Anger" acabam soando até mais dignos perto dele justamente por terem uma cara. Se é boa ou ruim vai de você, e particularmente acho "Load" um ótimo álbum, isso claro, se você souber ver a música como boa e ruim. Mas agora vamos analisar o "St. Anger":

"St. Anger" foi fruto de uma época de muita instabilidade em que o Metallica vinha vivendo, inclusive com os chefões Lars Ulrich e James Hetfield batendo de frente e quase pondo um fim a banda. Brigas que deram resultado ao (vergonhoso) documentário "Some Kind Of Monster", a demissão de Jason Newsted, o produtor Bob Rock como baixista tampão, e a esse álbum.

Lembro como se fosse hoje... não, mentira. Só lembro que "St. Anger" foi meu primeiro álbum do Metallica. Oficialmente aliás, o Metallica ao lado do Iron Maiden são as primeiras bandas de heavy metal que realmente virei fã, e no caso do Metallica, tudo por causa de uma coletânea que meu amigo me emprestou na época. Tinha 15 pra 16 anos na época e acabei pedindo pra minha mãe os dois primeiros álbuns de metal da minha vida, os dois últimos de cada banda, o cujo "St Anger" e o "Dance of Death" do Iron Maiden. Como era mais novo, acabava sendo influenciado do que tocava na MTV e essa é a única explicação de ter pedido esses álbuns pra ela, já que um tempo depois me desfiz do "St. Anger" por muitas músicas me desagradarem num todo. Resumindo, esperava um Metallica como daquela minha coletânea que começava com "Enter Sandman", seguia com "Sad But True", Wherever May Roam" e "Master Of Puppets", mas não tinha absolutamente nada disso. Decepção.

Mas agora resolvo escutá-lo novamente como fiz com "Load", e agora que cresci e amadureci, ter uma opinião realmente embasada sobre esse álbum difícil de engolir. Primeiro vamos nos desligar do nome "Metallica", ele é como uma maldição. Agora, as primeiras impressões de "St. Anger" são de que o álbum não é ruim, somente é muito mal produzido. A fúria e a bagunça que o Metallica vivia na época refletem bem nesse álbum. Mal produzido é a primeira palavra que vem a cabeça, e não é só a bateria de lata de Lars Ulrich, mas as guitarras abafadas, um Kirk Hammet descaracterizado sem fazer um só solo, e um James Hetfield mostrando preguiça em muitos momentos. Depois de ler esse último parágrafo você pode pensar: "esse cara é louco, é claro que o álbum é uma peça de merda". E mais uma vez digo, não. "St Anger" tem músicas boas sim, mas que sofrem muito detrás dessa má produção, e isso que quero tentar "provar".

A trinca inicial com "Frantic", St Anger" e Some Kind Of The Monster", além da "Sweet Amber" e da furiosa "Purify", são exemplos das ótimas faixas perdidas no meio de tantas outras que são longas demais ou só são simplesmente ruins, como a repetitiva "Invisible Kid" ou a rápida e sem graça "Dirty Window". Imagine-as essas primeiras com um melhor cuidado, com uma bateria decente e com um solo. A "Frantic" não me deixa mentir, já que no excelente bootleg "Live In Seoul" ela é tocada e Kirk improvisa um solo nela. Escutem o bootleg e atentem como é evidente a melhora da música em si.

Tendo influência descarada do malfadado "Nu Metal", moda no começo dos anos 2000 ou não, "St. Anger" não é um álbum tão ruim como todos apontam, só careceu de uma produção decente e cuidado de composição das músicas. É como se fosse uma demo lançada do fundo da garagem, é isso diria que é vergonhoso pra uma banda que tem o nome do Metallica. Também diria que "St. Anger" é como se fosse uma lata de ervilhas jogada por cima do lixo. Vai feder junto. O Metallica o fez assim e é assim que o álbum é visto, não tem nem como.

Pra ser esquecido, e um dia quem sabe lembrado pra ser tocado ao vivo.

Tracklist:

1. "Frantic" 5:51
2. "St. Anger" 7:21
3. "Some Kind of Monster" 8:26
4. "Dirty Window" 5:24
5. "Invisible Kid" 8:31
6. "My World" 5:45
7. "Shoot me Again" 7:10
8. "Sweet Amber" 5:27
9. "The Unnamed Feeling" 7:10
10. "Purify" 5:14
11. "All Within my Hands" 8:49

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