Metallica: em 2003, o disco mais polêmico da historia da banda
Resenha - St. Anger - Metallica
Por Mateus Ribeiro
Postado em 12 de agosto de 2019
Nota: 3 ![]()
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No final dos anos 1990, a cabeça do headbanger pensava em muitas coisas: a virada do século, os possíveis carros voadores que nossos pais falavam tanto, o bug do milênio, mas algo em especial colocava muitas pulgas atrás das orelhas da turma do metal: qual seria o próximo disco de estúdio do Metallica?
Contextualizado: após aparecer para o mundo de forma arrasadora no final dos anos 1980 e dominar as rádios no início dos anos 1990, o Metallica mudou radicalmente com o lançamento de "Load", em 1996. Cabelos cortados, unhas pintadas, músicas alternativas e uma postura totalmente diferente da adotada no início da carreira fizeram os fãs mais antigos abandonarem a banda. Com "Reload", a vaca definitivamente deitou.
Os próximos discos, a coletânea de covers "Garage Inc." e o ao vivo "S&M" ajudaram a livrar UM POUCO a cara da banda, isso com os mais pacientes. Os mais "true die hard headbangers" já estavam soltando o famoso "tô nem aí", (popularizado pela cantora Luka no Brasil anos depois) para tudo o que a banda fazia desde "Metallica", o famoso disco que fez "a banda se vender", lançado em 1991. A expectativa era grande para saber o que o grupo aprontaria no próximo lançamento.
Aproveitando o gancho da música "Tô Nem Aí", lançada em 2003, devo informar desde o início que se eu definitivamente não me importasse com a banda, jamais teria ouvido o crime sonoro batizado de "St. Anger", o tão esperado e tenebroso disco do Metallica, que viu o mundo nascer dia 05 de junho de 2003. Mas, como minha relação com a banda sempre foi de quem mesmo traído volta para o antigo amor, insisti. Se arrependimento matasse, talvez você não estaria lendo este relato.
Particularmente, posso informar que poucas coisas na minha vida me decepcionaram e irritaram tanto quanto esse disco, nem mesmo o rebaixamento do meu time do coração. Surfando na onda da modernidade, o Metallica apostou em afinações baixas, melodias obscuras e limou os solos. Para completar, a famigerada produção do disco, que deixou o som da bateria tão agradável quanto uma buzina de Fusca desafinada com um tijolo em cima. Ah, já ia me esquecendo: para completar a tortura, que até então era apenas auditiva, o álbum vinha junto com um DVD, para que seus olhos fossem machucados com a performance da banda tocando as músicas em estúdio.
Se você ouve péssimas críticas em relação ao disco até hoje, quase 20 anos após seu lançamento, não é sem motivo. Afinal, sabe aquele ditado antigo "...que se todos dizem que a vaca é malhada, uma mancha ao menos ela deve ter"? Pois é, se encaixa perfeitamente em cima dessa aberração sonora, que por pouco não fez o Metallica cavar a própria cova.
Talvez, se qualquer outra banda descolada do cenário norte americano lançasse o disco, alguém pudesse achar legal. Mas definitivamente, qualquer fã da banda que deteste o disco está completo de razão. Por mais que existam pessoas que gostem das mudanças impostas pelo grupo, é fato que James, Lars e sua turma gravaram um disco que tornou a banda no mínimo caricata.
Alguns temas até passam, como "Frantic", a faixa título, "The Unnamed Feeling" e "Some Kind Of Monsters". Mas para uma banda que já dominou o planeta, lançar um disco repleto de canções marcantes é quase uma obrigação. E independente da sua opinião sobre "St. Anger", não há muitos momentos dignos de recordação no álbum.
Um disco completamente dispensável, que vale apenas como experiência, ou penitência. Se você gosta, parabéns por tamanha paciência. Se não gosta, me chame pra andar contigo no recreio.
Ano de lançamento: 2003
Faixas:
"Frantic"
"St. Anger"
"Some Kind of Monster"
"Dirty Window"
"Invisible Kid"
"My World"
"Shoot me Again"
"Sweet Amber"
"The Unnamed Feeling"
"Purify"
"All Within My Hands"
Formação:
James Hetfield: guitarra e vocal
Lars Ulrich: bateria
Kirk Hammett: guitarra
Bob Rock: baixo
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